Soares e Cavaco » Expandir
Fantástico, Melga!: "O debate de ontem confirmou plenamente os perfis dos beligerantes. Soares procurou incansavelmente o confronto, a cacetada. Ele é bom nisso. Gosta da picardia, do embate olhos nos olhos a raiar o insulto. Soares tem a eloquência e a frase certeira para ganhar nesse tabuleiro. Contudo, precisa de incomodar o adversário, de lhe tocar no nervo. E foi precisamente isso que Cavaco evitou com eficácia, refugiando-se no seu discurso habitual, técnico, pragmático, positivo e, sobretudo, enfadonho."
Teoria da Suspiração: "Soares cilindrou Cavaco. Mesmo assim, Cavaco perdeu de pé, aguentou-se."
CONTUNDENTE: "Todos os dias viajo de comboio, o que me permite ter uma certa noção acerca da opinião pública dominante. São muito enriquecedores os comentários que se ouvem no comboio, sem o ruído do 'spin' mediático. Hoje, ouviam-se comentários de genuína admiração pela postura de Cavaco Silva. Dizia-se que, apesar de insultado pelos seus adversários, nunca respondeu da mesma forma nem perdeu a compostura. Ele também é um homem, também lhe deve custar ouvir aqueles insultos permanentemente. No entanto, nunca se exalta ou se descontrola. Sintomático."
Palavra Entre Palavras: "Alguém que não conseguiu manter a imparcialidade no seu segundo mandato, como pode vir dar aulas de 'moral' sobre a forma como Cavaco Silva exercerá as suas funções?"
respublica: "Soares mostrou as verdadeiras razões porque se candidata: a sua profunda animosidade pessoal contra Cavaco e a (para si) intolerável perspectiva de ver eleito presidente um homem tão diferente de si, 'até no discurso', como Cavaco fez questão de referir."
O Homem do Leme: "Mas o que marcou o debate mesmo foi o momento absolutamente inqualificável em que Soares caíu, ao insinuar as 'queixinhas' dos seus 'amigos' europeus acerca do comportamento de Cavaco na Europa, uma insinuação achincalhante e deselegante (deselegante não é querer ir mais longe, é dizer o que foi dito). E isto depois de umas apreciações sobre a personalidade de Cavaco que, no mínimo, também são deselegantes. Por momentos, pensei que Cavaco explodisse, mas a contenção, afinal, foi um anti-clímax. Já para Soares foi o hara kiri deste debate. Em política, apesar do que as várias gerações de políticos têm feito, há argumentos que não se usam, muito menos a este nível."
A Peste: soares/cavaco: "Curiosamente, é por concordar com Manuel Alegre quanto ao medo (e guio-me só pelo post lincado, não vi o debate de ontem) que me vejo obrigado a confessar uma certa admiração por Soares: de todos os candidatos, e talvez por já saber aquilo para que corre, é seguramente ele o mais livre. Até de si mesmo."
Lobo com pele de Cordeiro: "Cavaco perspectiva a sua actuação como Presidente num cenário de permanente consenso com o Governo e, nesse cenário, o Presidente aparece para desenvolver iniciativas que o Governo não pode pôr em prática, e que são essenciais para o desenvolvimento do País.
Esta forma como Cavaco apresenta a sua candidatura não tem qualquer ligação à realidade. Com efeito, as relações entre diferentes órgãos de poder democráticos são necessariamente conflituais, e essa conflitualidade é aliás essencial ao regime democrático, pois é ela que garante o controlo do exercício do poder. Cavaco fala como se desconhecesse a expressão “Checks and Balances”, e se calhar desconhece mesmo."
4R - Quarta República: "Mário Soares jogou os trunfos todos que tinha, mas não se pode ir a jogo só com paus.
Deu uma imagem que se traduz em deselegância e deslealdade. Um candidato a Presidente da República não pode dar esta imagem. Esta é a imagem da velha política, dessa de que o Povo português está farto e desconfia."
Mar Salgado:: "Da maneira como Soares colocou as coisas, aquilo a que assistimos hoje não foi um debate presidencial: parecia antes uma discussão monologuenta num botequim vulgar ou numa tasca infecta em que, já tarde da noite, uma pessoa decente que por acaso ali foi parar com dois convidados se vê abordada por um pobre desgraçado, tombado sobre a mesa e zangado com a vida, e tem de estar ali a aturar o rezingão, sem lhe responder nem lhe dar as duas valentes bengaladas que merecia, conversando com os outros enquanto o táxi chamado não chega."
A Terceira Voz: "A scolarização de Soares
A propósito das revelações que os ministros europeus faziam a Soares sobre os encontros com Cavaco Silva: Soares tem informações técnicas e de balneário sobre Cavaco. Mas não divulga."
21 de dezembro de 2005
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