Mas perturba-me pensar como poderemos resistir daqui para a frente. Quando passarem 80, 100 anos, e já não houver sobreviventes que nos lembrem. Que nos mostrem o fundo de nós próprios, aquele magma destruidor e selvagem que nos arrasta à barbárie com a maior das facilidades.
31 de Janeiro de 2005
Mas perturba-me pensar como poderemos resistir daqui para a frente. Quando passarem 80, 100 anos, e já não houver sobreviventes que nos lembrem. Que nos mostrem o fundo de nós próprios, aquele magma destruidor e selvagem que nos arrasta à barbárie com a maior das facilidades.
Mário Mesquita no Público, certeiro como habitualmente.
28 de Janeiro de 2005
2005-01-27: 36
2005-01-20: 39
2005-01-13: 15
2005-01-06: 15
2004-12-23: 17
2004-12-15: 07
2004-12-11: XVI Governo Constitucional apresenta demissão
2004-12-07: 27
2004-12-02: 14
2004-11-30: Jorge Sampaio dissolve o Parlamento
2004-11-25: 16
2004-11-16: 13
2004-11-11: 14
27 de Janeiro de 2005
Mais tarde, continuei a sentir o que as empresas de sondagens não sentem. As coisas estão a mudar.
José Sócrates Eu percebo a frustração de alguns por não poderem ter do seu lado, nesta batalha, os líderes que os precederam nos seus respectivos partidos... alguns que até fogem dessa possibilidade como o diabo foge da cruz...
Felizmente, no PS isso mão sucede. Não há contas a ajustar, não estamos em plena campanha interna pela sucessão, o partido está unido e tenho muito orgulho em toda a história do Partido Socialista e em todos os que me precederam.
Paulo Portas Apesar de ter a profunda consciência que o CDS está a crescer todos os dias e que todos os dias os portugueses compreendem melhor a nossa mensagem, quero evitar euforias ou confortos exagerados. Espero de todos os militantes e simpatizantes uma atitude de formiguinha, até ao último dia, voto a voto, família a família.
Jerónimo de Sousa Não foi sem hesitação que aceitei o convite que me foi dirigido pelo SAPO para, tal como aos dirigentes de outros partidos, criar um blogue relacionado naturalmente com a campanha das próximas eleições legislativas.
Como se compreenderá, as exigências de uma campanha eleitoral ? numerosas iniciativas em cada dia, múltiplas deslocações por todo o país e o mais que se poderá calcular ? não são propriamente muito compatíveis, em termos pessoais, com a animação e actualização de um blogue que, pelo menos, não destoe muito de um certo padrão médio.
25 de Janeiro de 2005
24 de Janeiro de 2005
23 de Janeiro de 2005
Mas afinal em quem é que eu vou votar?
A Esquina do Rio Nada pior que usar a boataria como combustível de campanhas. Quando isto começa é um processo que se torna rapidamente num incêndio incontrolável.
Bomba Inteligente Caprichos: nunca vejo um episódio de CSI já começado.
Esplanar Por achar que a minha escrita estava a ficar demasiado agressiva
Deixei de usar o Times New Roman e regressei ao Bookman Old Style.
Abrupto "Nunca pensei ser o primeiro ser humano a ver o perfil de condutividade de Titã. Nunca esperei ser o primeiro a ficar encantado com as medidas eléctricas da superfície, mas isso e somente um detalhe... O que e verdadeiramente fascinante e que vamos poder conhecer melhor Titã, o universo e a nos próprios!.." (Fernando Simões)
22 de Janeiro de 2005
Barnabé De resto, foi um debate que agarrou à cadeira. Sendo suspeito, limito-me a concluir isto: ficará na história. Resumi-lo aos últimos minutos, só com muita desonestidade. Estou seguro que haverá, no entanto, quem o tente.
A Natureza do Mal No fim é a despenalização do aborto. Quando Portas, aliás sem muito ênfase, declina a posição habitual da Igreja :está uma vida em jogo, etc, Louçã interrompe e diz-lhe que ele não tem direito a falar da vida porque nunca a gerou.
Eis o que constitui uma grosseira utilização da biografia privada do opositor, com sem ligação aos temas em debate, e introduzindo um aspecto irrelevante para a bondade dos argumentos.
Miniscente Inqualificável
As malévolas confusões de Nuno Cardoso entre justiça, politiquice e intrigas menores, sem nobreza, sem nada.
Estrela Cansada Era de suspeitar. Uma pedra estranha na paisagem desolada. Um bocado de céu velho como dizia o povo noutros tempos. Um bocado de um asteróide que sucumbiu vítima de algum choque. Um meteorito que se despenhou na superfície de Marte. Quem diria? Ali à mão de semear. Um prodígio destes na superfície de outro planeta.
Memória Inventada Receita para a longevidade na blogosfera
Não fazer de um blogue o sismógrafo da alma. Ir buscar sensações passadas e misturá-las com projecções futuras. Corromper a data que vem associada ao post, até fazer dela simples enumeração.
21 de Janeiro de 2005
...chamar a hackers, ácaros da internet não é boa ideia.
Há quem nunca lhes tenha chamado nada e tenha visto os seus servidores transformados em arrozais... imaginem lá o que lhes pode acontecer a eles...
a vender poupanças do BPI , usando o bebé que ainda não lhe nasceu, choca-me particularmente.
Não é novidade nenhuma que todos nós nos vendemos de cada vez que usamos o corpo ou a cabeça para ganharmos dinheiro. De certa forma, todos os ofícios são uma forma de prostituição, só que com outras partes do corpo.
Mas um bebé por nascer não é parte de um corpo: dentro daquela barriga está um ser humano que não foi tido nem achado na história e cuja qualidade de filho de aparentemente justifica a sua utilização num monólogo intrujão que simula uma conversa futura (para mais, idiota).
(...) A exposição, sob a forma de aldrabice publicitária, daquilo que aquela mulher terá, neste momento, de mais precioso, de mais íntimo e de mais frágil, é-me repugnante.
E ando perfeitamente abismado com a quantidade de planos, instituições e legislação existente. Não sei como isto não vai para a frente, sinceramente. Maldita corrupção!
(sondagem)
Paulo Portas ficou bem nos cartazes para a campanha eleitoral: a minha avó gosta muito.
17 de Janeiro de 2005
são campos abertos onde solidões se batem com galhardia.
O último metro continuo fascinado por estas imagens
de cor baça
por esta luz do longe
uma miragem distante possível pela mão do Homem
de um mundo que não lhe pertence
um mundo frio
de cor quente
será essa a contradição que me atrai?
Margens de Erro O objectivo deste blogue é simples. Achei que seria bom que existisse em Portugal uma fonte de informação sistemática sobre as sondagens que vão sendo publicadas. (...) É possível que tenha algumas coisas para dizer sobre essas sondagens. E essas coisas raramente são ditas (ou podem ser ditas) noutras fontes de informação que não um blogue. Logo, serão ditas e escritas aqui. É só isto. É um princípio.
16 de Janeiro de 2005
Mas, de facto, a notícia é perturbante: a iniquidade de quem exerce um cargo de particular responsabilidade, como é o de director nacional de uma polícia, ao mesmo tempo que aufere uma pensão de aposentação milionária, ainda por cima decorrente de uma incapacidade para o serviço do Estado relacionada com o foro psíquico, não pôde deixar de chocar quem leu a notícia.
Semente O que me deixa satisfeito. Porque é o povo a dar a informação. O que pode até levar a pensar: mas então para que precisamos de jornais/noticiários?
ContraFactos & Argumentos Não só o Público mas também o Correio da Manhã - que lê o Barnabé mas não sabe citar a fonte original... - falaram no caso do aposentado director em funções da PSP revelado no Random Precision.
Hoje, nos blogues, sabe-se o possível destaque da próxima segunda-feira do Público (com derivado na RTP sobre os nossos senadores) e que, neste texto em concreto, O Acidental ouviu ontem uma das Teorias do Nilton na Rádio Comercial. Ou serão só coincidências?
15 de Janeiro de 2005
Não temos a certeza. Tempo da terra.
Mas falou pelo caminho? Só logo à tarde se saberá.
Até agora tudo bem.
No Mundo
Foi só no final do ano passado que conheci A Mancha Humana. O autor já
era há muito procurado, mas é difícil quando se pretende perseguir os
contemporâneos do mundo e não descuramos os clássico eternos. Entre uns
e outros há também os espontâneos, os que acontecem, os que nos saltam
para ao mãos sem saber ler nem escrever. Enfim, entre tantos bons
pretextos para conhecer livros, muitos outros mais ficam para trás.
Abrupto JÁ LÁ ESTÁ
no centro de operações da ESA, só se ouvem murmúrios. Está tudo à espera. (Sigo em directo pela televisão da NASA.)
Complexidade e Contradição
Ao que parece, a luz reflectida pelas superfícies metálicas do edifício
tem provocado na vizinhança um aumento de temperatura considerável. Os
automobilistas também se queixam da luz excessiva. A conclusão é fácil:
o edifício de Gehry é demasiado brilhante. O que não deixa de ter a sua
graça.
Abrupto Há
quem roa as unhas. Há quem bata com os dedos. Há quem mexa e remexa no
lápis. Ouve-se falar em alemão. Toca um telefone. Esfregam-se as mãos,
Alguns andam de um lado para o outro. Começam a sentar-se, a atenção a
concentrar-se. Faltam sete minutos.
Classe Média
Há palavras que ainda devem ser escritas para dentro, sob pena de serem
servidas com demasiada brutalidade ou inépcia. Aparentemente, continuo
a precisar de estar sozinho, sem traições.
Abrupto Palmas. Começou a chegar. Viva!
Albergue dos Danados
Listar, fazer listas, é um exercício difícil, que obedece a uma
economia particular. O caso das listas de candidatura à Assembleia da
República permite ilustrar tal facto. Como não há lugares para todos os
interessados em assomar à honraria parlamentar, umas quantas criaturas
têm de ficar de fora da lista. Depois é que é o rateio eleitoral.
Apenas para confirmar a ilusão da soberania popular.
Abrupto Alguém diz "very good". Atenção aos ecrãs. Agitação na sala.
Food-i-do
JPP vibrou hoje a grande altura no seu Abrupto. E fez-nos vibrar
também. Diga lá se não foi o mesmo que estar num enorme estádio de
futebol a gritar "golos" e "uaus" e "ufas" e "zás!, já ganhámos!"
Abrupto Ufa! Agora pode-se descansar, até começarem a vir os dados científicos tratados e as fotografias.
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The
first black and white pictures of Titan have been released by the ESA.
Huygens has landed on a solid surface that is strewn with what look
like boulders but are apparently blocks of ice. One of the pictures
from the descent shows an area covered with what appear to be drainage
channels leading to a "sea". Quite what the liquid might be is yet to
be determined.
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Quelques photos étonnantes de la descente de la sonde Huygens dans
l'atmosphère de Titan, un des satellites de Saturne? Contre toute
attente, la sonde fonctionne encore sur le sol de cet astre !
Rappel: ceci se passe à plusieurs millions kilomètres de l'endroit où vous vous trouvez?
Não temos a certeza. Tempo da terra.
Mas falou pelo caminho? Só logo à tarde se saberá.
Até agora tudo bem.
No Mundo Foi só no final do ano passado que conheci A Mancha Humana. O autor já era há muito procurado, mas é difícil quando se pretende perseguir os contemporâneos do mundo e não descuramos os clássico eternos. Entre uns e outros há também os espontâneos, os que acontecem, os que nos saltam para ao mãos sem saber ler nem escrever. Enfim, entre tantos bons pretextos para conhecer livros, muitos outros mais ficam para trás.
Abrupto JÁ LÁ ESTÁ
no centro de operações da ESA, só se ouvem murmúrios. Está tudo à espera. (Sigo em directo pela televisão da NASA.)
Complexidade e Contradição Ao que parece, a luz reflectida pelas superfícies metálicas do edifício tem provocado na vizinhança um aumento de temperatura considerável. Os automobilistas também se queixam da luz excessiva. A conclusão é fácil: o edifício de Gehry é demasiado brilhante. O que não deixa de ter a sua graça.
Abrupto Há quem roa as unhas. Há quem bata com os dedos. Há quem mexa e remexa no lápis. Ouve-se falar em alemão. Toca um telefone. Esfregam-se as mãos, Alguns andam de um lado para o outro. Começam a sentar-se, a atenção a concentrar-se. Faltam sete minutos.
Classe Média Há palavras que ainda devem ser escritas para dentro, sob pena de serem servidas com demasiada brutalidade ou inépcia. Aparentemente, continuo a precisar de estar sozinho, sem traições.
Abrupto Palmas. Começou a chegar. Viva!
Albergue dos Danados Listar, fazer listas, é um exercício difícil, que obedece a uma economia particular. O caso das listas de candidatura à Assembleia da República permite ilustrar tal facto. Como não há lugares para todos os interessados em assomar à honraria parlamentar, umas quantas criaturas têm de ficar de fora da lista. Depois é que é o rateio eleitoral. Apenas para confirmar a ilusão da soberania popular.
Abrupto Alguém diz "very good". Atenção aos ecrãs. Agitação na sala.
Food-i-do JPP vibrou hoje a grande altura no seu Abrupto. E fez-nos vibrar também. Diga lá se não foi o mesmo que estar num enorme estádio de futebol a gritar "golos" e "uaus" e "ufas" e "zás!, já ganhámos!"
Abrupto Ufa! Agora pode-se descansar, até começarem a vir os dados científicos tratados e as fotografias.
The first black and white pictures of Titan have been released by the ESA. Huygens has landed on a solid surface that is strewn with what look like boulders but are apparently blocks of ice. One of the pictures from the descent shows an area covered with what appear to be drainage channels leading to a "sea". Quite what the liquid might be is yet to be determined.
Rappel: ceci se passe à plusieurs millions kilomètres de l'endroit où vous vous trouvez?
13 de Janeiro de 2005
Morais Sarmento é o nosso homem em São Tomé.
Primavera, Outono, Outono e Primavera.
Se Deus fosse perfeito e tivesse realmente criado o mundo, estas seriam as quatro estações do ano.
Homem das Neves (Sob a Estrela do Norte)
O que mais choca é o ostensivo abuso de poder. Escrúpulos democráticos é coisa que não existe neste Governo.
Big deal. O SS Titanic também tinha um.
12 de Janeiro de 2005
Para quem se habituou a viver, em permanência, na presença constante de informação actual, passar mais do que uma semana longe deste espaços redunda, no momento da retoma, numas duas ou três horas de alguma dificuldade.
8 de Janeiro de 2005
[Noticias Magazine 05/12/04, Ana Markl]
Eu sou tão conservador que a minha filha já nasceu de orelhas furadas.
Continua a ser uma minoria. A mesma.
E continuam a ficar muitos de fora.
O dever último dos jornalistas não é para com os órgãos para que trabalham. Não é para com as fontes que alimentam o seu noticiário. É, sempre, para com aqueles que vão ler o que escreve, que vão ouvir o que diz ou que vão ver o que transmite.
Por isso, de cada vez que possa haver um qualquer conflito de interesses, maior ou menor, algo semelhante a um ruído entre o mensageiro e o receptor, que possa perturbar a mensagem, é dever do jornalista: ou abstrair-se de comunicar; ou tornar clara, o mais clara possível, essa perturbação.
O hábito é tanto que na blogosfera, o que há um ano ou dois era normal, citar caiu em desuso. Ninguém o faz.
5 de Janeiro de 2005
Em casa, à noite, tenho lutado com "O Leitor" de Bernhard Schlink. Na minha cabeça misturam-se mil imagens, clichés, claro, que mais podiam ser? Leio, sublinho, relembro os outros livros (e, raios, não consigo esquecer o Austerlitz), os outros filmes. Não há redenção ou descanso.
Dando de barato que a educação e o bom senso poderão não ser igualmente exigíveis para todos, pergunto se não haverá critérios deontológicos para estas situações?
Nós, por cá, só passamos a achar cada vez mais normal o que é perfeitamente anormal.
E esses tais mirones do "vídeo amador" não vos deram tanto jeito, quando o que interessava era mais um plano da onda, mais uma panorâmica de moribundos agarrados a destroços, mais um monte de mortos frescos em exclusivo?
Mas nada disto nos devia causar surpresa. É sabido que, após uma desgraça destas, as aves necrófagas nunca tardam a chegar. Difícil é depois enxotá-las.
3 de Janeiro de 2005
A blogosfera confirmou-me algo, que se me parece tão claro quanto me pareceu então aterrador, hoje tomo-o como o melhor desafio que esta geração pode ter e a melhor coisa que me poderá acontecer. Ao ponto de pensar que poderá ser a minha salvação. Leia-se realização.
Os blogues estão a fazer furor. Vários jornais, revistas, tvs consideram o fenómeno como um dos factos marcantes do ano que passou.
Por cá, muitos fazem listas dos melhores de 2004. A minha lista é a que está ao lado (...). E bastaria dar uma volta, neste começo de ano, por aqueles links para perceber como muita coisa mudou com os blogues. Para mim, tornaram-se indispensáveis. Porque têm coisas que nunca poderiam estar noutro lado, num registo que não poderia estar noutro lado.
Tornei-me, pois, um grande consumidor de blogues (...). E, sim, acho que nos blogues portugueses há já massa crítica a justificar uma demorada espreitadela diária. Até já.
2 de Janeiro de 2005
Logo na despedida do ano velho, pé ainda levantado para entrar no novo, o desastre na Ásia vem recordar o vazio essencial das comemorações do 1º de Janeiro.
Não me refiro ao desastre em si, que, na sua bruteza própria do mundo natural, foi apenas aquilo que foi, nem mais nem menos.
O frio aperta. O sol brilha. Os montes têm o recorte habitual. À faca. Primeira série de colinas, segunda série de montes. Depois o mar. Uma sirene toca ao longe. Aqui é um som raríssimo no Inverno. Uma segunda sirene. Silêncio. O som de alguém que varre o chão. Alguma coisa de muito errado aconteceu. Ao longe.