19 de fevereiro de 2004

ABRUPTO Um buraco perfurado numa rocha marciana. Como seria o som? Nós temos lá olhos, mas não temos ouvidos, e Marte tem uma atmosfera ténue, mas existente. Logo, deve ouvir-se alguma coisa. Haverá eco? Haverá outros sons que ninguém previu? Rugidos do interior, silvos do vento, rochas a caírem. Sons de alegria ou tristeza? De medo ou de curiosidade? E a broca? Que enorme estranheza deve ter sido...

Avatares de um desejo Olho com ternura para as pessoas que definem a sua situação sentimental por alusão a uma metáfora marítima. Alguns auto-denominam-se pesarosamente encalhados. Outr@s declaram-se triunfalmente navegadores. Outr@s afirmam que encontraram o seu porto. (A paz que muitos encontram nestas metáforas é a prova que às vezes mais importante do que saber onde estar é saber estar onde se está.)

Mas, não duvidem, de onde eu vejo as metáforas diluem-se para outras realidades:
Tantas/os encalhadas/os num porto...
Tantas/as navegadores perdidos no mar aberto...

18 de fevereiro de 2004

Modus Vivendi Agora, arquivadas as contas com o passado, deixo a blogosfera, mas não os afectos que nasceram neste microclima.
flor de obsessão É melhor acabar.
OzOnO Sempre existiram fotógrafos que usaram a fotografia como uma forma de transcender a descrição. Em vez de olhar para a realidade exterior, resolveram fotografar os sonhos. Através de várias técnicas desde a fotomontagem até à exposição múltipla, viraram a câmara (e a capacidade de ver) para dentro, à procura das paisagens formadas pelas emoções e os sonhos.

10 de fevereiro de 2004

João Martins | Diário de Bordo Cada uma destas madrugadas, afasta-me do 'blogger' por uns tempos. Por medo de não ser capaz de deixar a plataforma ficar estável e quieta e cumprir, de facto, o seu objectivo: ser o suporte da minha disciplina mental, da minha necessidade de pensar escrevendo.
Quase sem excepções, o discurso curva-se sobre si próprio e acabo a discutir o acto de 'bloggar', num ciclo vicioso e viciante que já provou a sua perigosidade noutros contextos.

Talvez agora, escrito isto com as letras todas, possa encarar de novo a ideia simples de 'escrever'. Registar.

Quanto mais não seja, como remédio para a tendinite.
Belle de Jour Walking through a tiled corridor to the District line at Monument yesterday. A busker was there, playing Dylaneque riffs on a guitar and making up lyrics about the people walking past.

and I said, my friend, there will be a woman / and she will walk by you / and you will know her by her white suit and pink shoes / there will be a beautiful woman

I couldn't help but smile, looking down at my shoes. Dusty pink peep-toed courts. Very 40's or 70's, depending on how you work them.

and my friend, you will know her / you will know this woman by her smile

I kept walking, but laughing the whole way, and looked back to grin at him before turning the corner.

(via 1976design.com)

3 de fevereiro de 2004

Abrupto Acrescento a minha perplexidade perante a natural aceitação por todos, autoridades e população, de que um jogo de futebol seja tratado quase como uma operação militar, como aconteceu no Porto-Sporting. É suposto ser um espectáculo desportivo, de paz e amizade, não é?
O Manancial da Noite Esquecidos por todos numa Tokyo em tudo diferente do Universo que conhecem, dois estranhos encontram-se no reflexo um do outro.
Lost in Translation é uma história sobre solidão, irrepreensivelmente orquestrada por Sofia Coppola, que consegue criar momentos brilhantes de humor da maior simplicidade e inteligência, com a 'ajuda' preciosa de um Bill Murray irónico e dormente, perfeito para o papel.
Terras do Nunca Karga tu
Chamem-me bota de elástico... mas acho aquele anúncio de telemóveis com o slogan «Karga nisso» de um valentíssimo mau gosto.
Alta Fidelidade TOP 5 de músicas para acordar após 3 horas de sono.

Nota: como devem calcular, são três horas de sono ao cabo das quais TÊM de acordar. Não o fazem por opção. Eis, pois, o factor de exigência deste TOP.
em segundo lugar, apenas foram consideradas as primeiras músicas de álbuns de estúdio.

1 - Wake up - Mad Season no álbum Above (fantástica!)
2 - Song to the Syren - This Mortal Coil no álbum It'll end in tears
3 - Old Gold Shoe - Lambchop no álbum Nixon
4 - Your day will come - Cousteau no álbum Cousteau
5 - Sleep - Azure Ray no álbum Azure Ray

2 de fevereiro de 2004

Formato 1 Lembro-me de quando a formiga-de-langton procurou um momento de tranquila placidez e omnisciência Zen. Explodiu. Prefiro retirar-me junto da paz dos meus livros. Adeus
Ponto & Vírgula Ponto da situação.

Vou a Madrid e já venho.
Liberdade de Express? Marcelo Clausewitz de Sousa

O comentário político não é mais do que a continuação da política por outros meios.
azuldomar O verdadeiro amor é uma amizade que se incendeia.

J. Taylor.

1 de fevereiro de 2004

Modus Vivendi A propósito do filme Lost in translation, escreve João Lopes*:
"(...) Lost in translation pertence a toda uma tendência contemporânea do cinema - e, importa não o esquecer, também de algumas formas de ficção televisiva - em que a valorização das emoções humanas se constitui como um valor fundamental. Trata-se de filmar olhares que, como este, nos dizem apenas que o amor existe. E que um ser pertence a outro apenas... porque sim."

* O amor existe, in DN, ed. de 24 de Janeiro 2004.
ABsurdo(.) 2dois dias seguidos com 100 visitas ao blogue deixam-me um pouco desconfortável.
na verdade, há 7sete meses que ando a blogar para mim e pouco mais… e sinto-me bem com a média de 40 visitas, sabendo que metade são minhas e as outras divididas por 5 ou 6 pessoas amigas. é bom blogar assim: na intimidade, no recanto de um qualquer sótão.
Sous les pavés, la plage! Ladrão de imagens

Enquanto meus alunos respondem às perguntas da prova roubo-lhes em desenho os rostos concentrados e, naquelas horas, indefesos.
ABRUPTO Nenhuma sociedade sobreviveria sem a mentira, porque a mentira protege. Mas os homens estão cada vez mais a permitir a generalização de tecnologias da “verdade”, sem perceber a disrupção que elas provocam. Telemóveis com GPS, com câmaras que filmam em tempo real. Continua a ser possível mentir com todos esses mecanismos, mas torna-se tecnologicamente mais difícil. Haverá excluídos da mentira, prisioneiros da verdade, com uma vida social mais pobre?
Azul cobalto. O prazer é o eco do encontro ao outro.