17 de março de 2004

Voz do Deserto As inimizades entre as pessoas são também os seus abismos gastronómicos. Eu faço parte daquela raça que rejubila com talões de desconto do McDonald's. Sobre mim recairá o escândalo de muitos. A questão das carnes sacrificadas aos ídolos da primeira carta aos Coríntios revisitada. Sou dos que se limita a comer. E a não observar grande pecado na comida. Quando a nossa alma é orgulhosa até nos feijões encontramos demónios.
ABRUPTO À beira desta cratera, o 'Espírito' interroga-se. Dúvidas: vou passear pela margem, vou descer, vou andar devagar, vou ser prudente, vou ser obediente. Ou vou-me passar, imagino-me radical, um skate marciano e vou por aí abaixo a abrir para ganhar força e, na rampa do outro lado, dar um salto mortal, um volteio. Regresso depois à minha margem pacífica, e ligo de novo as comunicações. Quando eles virem a cratera fotografada de cima, a meia dúzia de metros do solo, quem se ri sou eu. Desligo.
Monólogo tenho pela 'américa' um fascínio absoluto. se calhar é coisa de provinciana, que nunca lá foi. talvez, mas a verdade é que a representação que tenho da 'américa', construída em cima dos produtos culturais que me chegam a toda a hora, enche-me as medidas. e depois, a tecnologia: o meu adorado computador, os filmes da pixar (e os outros), as sondas a marte, enfim... e nem vale a pena falar da minha área, a psicologia, que se quisermos ser justos, é uma ciência americaníssima (...). se soubesse o que sei hoje há dez anos atrás, estava lá agora. não era por mim, era pelos meus filhos
Modus Vivendi Sedna
(ou da expectativa)

A redefinição do espaço exterior, tão imprevisível como o fundo de cada um de nós.

16 de março de 2004

DESEJO CASAR Até sempre (...) Recordo agora os arautos da desgraça que num encontro que co-organizei em Outubro de 2003 na Sociedade de Geografia, sob o tema: “ blogues, moda efémera?” predisseram o declínio da blogosfera no início de 2004. Acertaram. No declínio, não na morte.
ABRUPTO EM DEMOCRACIA o povo é quem mais ordena. É tão simples como isto e, antes de ficar complicado, deve continuar assim simples.
Prazer_Inculto Os cinemas portugueses vão passar a disponibilizar os números reais de espectadores e as receitas de bilheteira de cada filme.
Estou ansioso para ver os resultados dos filmes portugueses pagos por nós e seleccionados no apoio por alguns curiosos do assunto.
Espero que o sistema informático comporte números negativos.

15 de março de 2004

Klepsydra "Os descobridores portugueses ainda não tiveram o reconhecimento e as celebrações que merecem no Ocidente de língua inglesa. (…) Os louros para as grandes obras de descoberta só podem ser ganhos pela posteridade. O povo português e a língua portuguesa desempenham um papel singular e eloquente no acender do espírito de descoberta pelo Mundo. Espero que este livro sirva para encorajar os leitores e os escritores portugueses e manter vivo esse espírito e, assim, recordar-nos de como todos ganhámos com essas aventuras."

Daniel J. Boorstin, Washington D. C., 1987, prefácio do livro “Os Descobridores”, Gradiva.

12 de março de 2004

Aviz ESPANHA, 2. Um texto de Josep Ramoneda no El Pais relembra uma frase de Amos Oz: «O terrorismo é como a heroína: as doses devem ser cada vez mais fortes, para que o efeito se mantenha.»
epiderme A Internet é a porta e a queda para uma dimensão onde a realidade pode ser um excesso ou um mero ingrediente. Pode até ser esquecida como a conhecemos. A melhor descrição desse mundo virtual não envolve computadores e data de 1886. O País das Maravilhas, a dimensão surrealista que Lewis Carroll ofereceu a Alice, é a melhor das comparações. No deslumbre, na estupidez, na imensidão, na surpresa, no descontrole, nas mensagens de erro. Nos outros.

11 de março de 2004

little black spot e depois acontece-me isto, de me tentar o bloguicídio. é um desejo drástico de mudança, presumo, o natural cansaço de ver sempre este nome neste exíguo quadro branco. não sei — e suspeito que não me interessa saber — para que serve um blog. pensá-lo, encontrar-lhe resposta, seria então matá-lo. sei apenas que nasce um blog um dia inesperado a partir de uma coisa qualquer sem significado, por motivo de um desgosto de amor, por motivo de uma noite demasiado longa. e isso já basta. mantém-se um blog enquanto faz sentido fazer dele alimento para uma sede qualquer que só cada um conhece.

(...) é que isto de ter um blog, afinal, é como estar no Hotel California: you can check out any time you like, but you can never leave.
as cinco Não sabia que havia de chorar ou ficar encantada. Ver trovoada em frente ao mar no 11 andar é indescritível. Assustador. (Não, não sou eu que moro lá)
Foram 15 minutos de chuva torrencial, repentina...Uma tempestade do nada. Depois foi hora de regressar a casa, de havaianas e água pelo joelho.
Sempre a viver.
Boicote ao Rock in Rio Lisboa Máximas e Aforismos I
Se os festivais de música fossem canais de televisão, o Rock in Rio seria o «Canção Nova».

10 de março de 2004

HIPATIA Sem saber explicar porquê, sempre gostei dos traços e das cores fortes da pintura de Van Gogh. Daí que me tenha impressionado especialmente estar a menos de um metro de telas suas, no lindíssimo Museu d' Orsay. Hoje fiquei a saber que o Hubble enviou para a terra uma imagem do universo com semelhanças à "Noite Estrelada" criada por Van Gogh perto do dia em resolveu partir. É assim: os génios veêm muito para além dos comuns mortais. Van Gogh preferiu viver no universo, e está a espreitar-nos através do Hubble. 
Ginger Ale Can you keep a secret? I'm trying to organize a prison break. We have to first get out of this blog, then the blogosphere, then the city, and then the country. Are you in or you out?
:... silhuetas ...: Através do regresso da Formiga, descobri este "my life is"... um blog que vai já para a coluna de links do lado esquerdo.
É algo que me acontece com frequência... dar comigo a pensar nas palavras, soltas ou combinadas, às vezes letra a letra, juntando-lhes o seu significado ou não... e, com isso, descobrir verdadeiros aeroportos de imaginação onde posso aterrar e descolar para viagens sucessivas.
Este blog "my life is" parece, por isso mesmo, feito para mim.

9 de março de 2004

reflexos de azul eléctrico No início estavam as imagens. Antes de existirem seres como homens, as árvores  reflectiam-se na superfície dos lagos, agarrando-se a quase nada para não deslizarem ribeiro abaixo. Também os sons se repercutiam nas paredes dos desfiladeiros, ou contra a parede da montanha ao longe. Sem fazerem sinal para ninguém, vinham em catadupa e desapareciam, mas sem perda. Pura dádiva no seu ir e vir. Tudo depende de tal passividade originária das imagens, que esperaram pacientemente pelos poetas para as fixarem noutras imagens feitas de palavras. Esquecido o início disse-se arrogantemente que no «princípio era o verbo». Comandos, mandos e mandamentos vêm por essa voz, imperativa, que divide e subdivide. Este não é o princípio das coisas, mas o fim da inocência.
opiniondesmaker Aqui
Entre o beijo e a respiração
Aqui 
Entre o acelerador e o travão
Aqui
Onde a Hillary anda de mão dada com a Mónica
Aqui 
Entre a monotonia da novidade e a beleza do hábito.
Aqui 
À saída da culpa e à entrada do delito 
Aqui
Onde se vai longe demais sem se ir a lado nenhum
A aba de Heisenberg Sinto-me como se estivesse a conhecer uma enorme cidade, viajando de metro. No início, retenho alguns monumentos, praças, ruas, mas não faço ideia como ir de um para outro lugar a pé. Aos poucos, à medida que vou passeando e conhecendo a cidade, dou conta que lugares que julgava serem muito distantes afinal estão próximos, por vezes ao virar da esquina. Acontece o mesmo com certos conceitos: por vezes descobrem-se novas ligações que mostram quão próximos estão...

8 de março de 2004

blete UM BRINDE!

Aos dias de pensamento limpo e cristalino, livres de obstáculos, cheios de decisões certas, de sorrisos quentes, de roupas macias, de toques suaves, de palavras bonitas sussurradas ao ouvido, de boas notícias. Aos dias de horizontes longínquos fantasticamente acessíveis!