7 de novembro de 2004

The Dying Animal Há ocasiões em que se deve olhar para o lado. Fingir que não existiram. Fingir que não se viu.

Não é possível ter pena de Fidel. Não depois dos fuzilados por tentarem fugir da ilha, não depois da corrupção, não depois dos quase 50 anos de absurda ditadura.
Mas também não é possível rir de um velho por ele cair. É descer onde se não deve descer. É ser grosseiro.
Para dizer a verdade, preferia não ter sabido.
Avenida Vastulec Um amigo meu que me está a ensinar a jogar xadrez como deve ser, criou um blog. Segundo ele, foi numa tarde em que não tinha mesmo nada para fazer. Ainda bem.Também já tive uma ou duas tardes assim. Sei do que falas. Ou três ou quatro...ok, a blogosfera é um bocado doentia.

5 de novembro de 2004

Serras Frases (V)

Onde há luz, há sombras.

(O vendedor de passados, José Eduardo Agualusa, D. Quixote)
A Tasca da Cultura Contudo vejo com naturalidade esse mapa vermelho no centro, azul nas costas. Vejo nele zonas diferentes, culturas diferentes, debaixo da mesma bandeira. É desse choque de culturas que se cataliza aquilo que faz a américa grande. Nós só importamos dela o que queremos. A própria imagem que fazemos do americano médio é toda ela um produto americano.
Sublinhar Eu adoro o Blogger de manhã. Os americanos dormem e nós escrevemos em paz e publicámos o blog inteiro sem problemas. Adoro.
Weblog em Portugal: Catarina Campos E ter um blog obriga a manter a escrita em dia, por assim dizer. Essa disciplina é muito importante para quem gosta de escrever. Quanto mais se lê, quanto mais se escreve, melhor se escreve: pode existir imaginação e criatividade, mas sem muito trabalho, não se vai a lado nenhum.

4 de novembro de 2004

...Blogo Existo John Kerry não é um personagem fascinante. Tão pouco é senhor de uma presença imponente.

É um homem cerebral, algo tímido, que não se sente à vontade em comícios e sessões de abraços e apertos de mãos. Habituou-se a cultivar um tom distante e patrício que, naturalmente, não gera empatia com o eleitor comum.

Mas fez uma campanha séria e corajosa, sem sombra de demagogia, em condições singularmente adversas. (...)

Perdeu. Dadas as circunstâncias, acredito que dificilmente poderia ter sido de outro modo, apesar do que agora se diz terem sido os erros da sua campanha.
Ruminações Digitais Nunca seremos bons gestores das expectativas alheias.
Terras do Nunca Hoje, dei uma volta pelos blogues do costume e descobri que há um novo herói da liberdade de expressão.
Fantástico!...
Que o poder perca o tino, parece-me normal. É da sua condição.
Mas o país começa verdadeiramente a naufragar quando aqueles de quem se espera mais sentido crítico começam a perder o mais elementar bom senso.

3 de novembro de 2004

Janela Indiscreta Nós vamos embora, no entanto os arquivos ficam disponíveis, pelo menos até as cores desmaiarem, e o musgo tomar conta das palavras.
Aviz TVE. A meio da madrugada, procurando emissões daqui e dali, dei com a TVE internacional. Um comentador referia-se a «el Bush» e ao «senador Kerry». Também foi por causa disso.
Sous les pavés, la plage! Janela fechada
Custa a crer, mas acabou um dos mais belíssimos e bem conseguidos blogues portugueses *. Foi ontem. Na hora de Inverno.
Tradução Simultânea Depois de inúmeros testemunhos anti-George W., um "artista plástico" afirma, dedo espetado no ar:«É preciso que nós, europeus - toda a Europa! - se oponha aos americanos!»
É por causa de atoardas como esta, que pululam por aí nas cabeças mais improváveis que - eu, que me distancio dos neo-cons da Admnistração, que muita trapalhada fizeram - acho que o resultado de hoje tem uma leve aura de justiça poética.
Tomar Partido BLOCO MUDA PROPAGANDA
Como eles mentem e ganham, o Bloco de Esquerda vai ter de mudar os cartazes.
Portugal dos Pequeninos A democracia americana manifestou-se uma vez mais na sua contradição, nos seus medos e na sua profunda grandeza. E escolheu.
Babugem "O maior problema é a forma. A facilidade e a rapidez sugerem espontaneidade, comunicação imediata, pura expressão; a composição pelo post e a ordenação cronológica precipitam o esquecimento ou mesmo o desaparecimento do que vai ficando para trás: datado, logo perdido. Como dar forma ao que, pelas próprias condições peculiares de produção e reprodução, se constitui avesso à ideia de forma? O problema é novo, a solução começa forçosamente pela recuperação do antigo. O modelo óbvio de configuração formal é o diário, íntimo ou intelectual, mundano ou cultural, tornando-se em sentido preciso um jornal: dia a dia, cada nova entrada sucedendo às anteriores, mas caducando-as."
(...)
Abel Barros Baptista in Ler Nº 64

1 de novembro de 2004

tomara-que-caia (...) vim para lisboa no primeiro ano da faculdade e praticamente deixei de os ver, encontrava alguns deles naqueles concertos óbvios.

o tempo passou.

7 anos depois, acho, tenho o privilégio de poder espreitar por estas vias para dentro das vidas dessas pessoas. fiquei amiga da mulher do amigo, volto a falar aos bocadinhos com a irmã dele e o amigo, esse, sinto-o sempre próximo e vivo e é óptimo. e depois vou conhecendo melhor o miguel que vai ver o tom waits a amsterdão, o marido da sara que me parece calmo e amigo e isso é tão fixe, até o tiago ramos está por aqui com a simpatia e aquela presença toda. :-)) e percorrendo os blogs desta gente vou compondo um puzzle que me diz muito. apesar de não o dizer muitas vezes.

(...) está lá tudo, está lá tudo o que já lá estava há tantos anos atrás. e isso é o melhor e continua a manter-me quente...
Fora do Mundo Algumas pessoas têm brincado com o Ricardo por causa do anúncio do Montepio. Eu próprio o atazanei um bocadito. Mas no gozo. Porém, parece que há quem o critique a sério. Quem esteja realmente chocado. Dizem que se «vendeu ao grande capital». Mas, se escavarmos bem, tenho a certeza de que também terá defeitos.
quase em português Paes do Amaral deve ter entendido como inevitável dar esta entrevista, depois do depoimento do Marcelo na AACS, mas pagou caro.
(...)

É frequente ver pessoas mentir na TV, mas é raro que, quando o fazem, a evidência da mentira impregna de forma tão intensa o próprio acto. Não quero excluir que a sua tosse devia-se mesmo a uma constipação, mas fui, efectivamente, a cereja em cima do bolo.
Nas fronteiras da dúvida Estive reunido com o Karl Shell. Estou quase a convencê-lo da bondade do meu modelo para explicar a propagação dos choques petrolíferos ao resto da economia. As minhas conclusões contradizem as minhas ideias de há uns meses. Karl Shell, adivinhando a minha desilusão, diz-me que isto é ciência. Temos de estar preparados para que as nossas ideias estejam erradas. "You are an imaginative scientist. That means that, in the short run, you'll be wrong most of the times."

O Karl e a Susan vão amanhã para a Florida. Têm lá casa e é lá que votam. Disse-lhe para pensar bem.