8 de janeiro de 2005

Barnabé Com a apresentação do relatório sobre a colocação de professores, já não tenho dúvidas: foi a Compta que meteu Pôncio Monteiro nas listas do PSD.
Atrium Apesar deste consistente crescimento da chamada publicação pessoal, importa reter dados que continuam - esses sim - a não sofrer grandes alterações desde que se fazem estudos deste género: os bloggers são, sobretudo, homens jovens, utilizadores de banda larga, com seis ou mais anos de interacção com a Net, financeiramente estáveis e detentores de formação superior.
Continua a ser uma minoria. A mesma.
E continuam a ficar muitos de fora.
Mau Tempo no Canil Ser jornalista é uma missão. Que tem como último dever o de informar as pessoas. Aquelas que não podem estar junto dos acontecimentos para formar a sua opinião. Aquelas que não têm acesso directo aos protagonistas ou aos factos e que, através dos jornalistas, sabem o que dizem, pensam, fazem, e assim formam o seu juízo.
O dever último dos jornalistas não é para com os órgãos para que trabalham. Não é para com as fontes que alimentam o seu noticiário. É, sempre, para com aqueles que vão ler o que escreve, que vão ouvir o que diz ou que vão ver o que transmite.
Por isso, de cada vez que possa haver um qualquer conflito de interesses, maior ou menor, algo semelhante a um ruído entre o mensageiro e o receptor, que possa perturbar a mensagem, é dever do jornalista: ou abstrair-se de comunicar; ou tornar clara, o mais clara possível, essa perturbação.
A [Minha] Jornada Só os jornalistas sabem a importância da internet para que as suas peças pareçam melhores do que são, sem citar onde foram buscar a informação. E desde que surgiu a blogosfera ainda mais - é só "camaradas" a picar informações, ideias, artigos, frases... tudo isto sem citar nada.
O hábito é tanto que na blogosfera, o que há um ano ou dois era normal, citar caiu em desuso. Ninguém o faz.

5 de janeiro de 2005

Antes de Tempo A Cassini-Huygens agora já é só Cassini. Perdeu o seu segundo nome. Ou melhor, separou-se dele. A sonda Huygens que, embora "adormecida", tinha feito companhia à Cassini, foi finalmente libertada e neste momento está na trajectória de Titan, uma das mais enigmáticas luas de Saturno. Melancólicamente a Cassini fotografa-a já a consideravel distancia. A sonda Huygens continua, no entanto, adormecida e assim continuará até entrar na atmosfera de Titan, no próximo dia 14 de Janeiro. Aí será acordada e durante 2 horas e meia "provará" todos os elementos dessa atmosfera até pousar na superfície de Titan.
Last Tapes Não, eu não consigo compreender o Holocausto. Nem com palavras, nem com raciocínios nem com o corpo, apesar de ser o corpo o que mais se aproxima, quer dizer, o único que podia. Às vezes sinto medo, ou estremeço, mas isso não é nada, estou longe, muito longe. Nada sei dessas mortes, nada sei do frio, da perplexidade e do horror. E nunca vou saber, creio. Sim, mesmo que estivesse lá agora, nunca saberia.
Em casa, à noite, tenho lutado com "O Leitor" de Bernhard Schlink. Na minha cabeça misturam-se mil imagens, clichés, claro, que mais podiam ser? Leio, sublinho, relembro os outros livros (e, raios, não consigo esquecer o Austerlitz), os outros filmes. Não há redenção ou descanso.
Mar Salgado A MULHER DO CAPATAZ: MM Guedes, com a confiança típica que sempre se denota em situações semelhantes à que disfruta na TVI, sempre que lhe cabe apresentar o Jornal Nacional é rara a ocasião em que não aproveita para incarnar o pulsar do bom povo telespectador, debitando "pérolas" dignas de um salão de cabeleireiro. Quando não ocorre nenhuma "pérola" a solução é recorrer à mão na anca e desancar quem estiver a jeito ou adoptar um tom reprovador para eventuais "culpados", mesmo que se trate de processos judiciais em curso. (...)
Dando de barato que a educação e o bom senso poderão não ser igualmente exigíveis para todos, pergunto se não haverá critérios deontológicos para estas situações?

O Acidental Hoje, o risco que supostamente deveria traçar um limite começou ser espezinhado com a exploração da miséria de crianças vitimadas de uma forma ou de outra. Deveria haver pudor, limites e sensibilidade. Há coisas que não podem ser mostradas, ditas ou explicadas. Hoje vai ser impossível assistir a um telejornal. E vai ser assim até que a tragédia deixe de dar audiências, os jornalistas se fartem e os editores os mandem de volta para casa.
Nós, por cá, só passamos a achar cada vez mais normal o que é perfeitamente anormal.
Blogue de Esquerda Que sois vós, além de mirones por procuração? Para que servem as vossas "reportagens", se não para transmitir mais um arrepio passageiro ao espectador, que logo se abeira do calorífero e abre uma Sagres, na sua versão muda do erudito "there but for the grace of God go I"?
E esses tais mirones do "vídeo amador" não vos deram tanto jeito, quando o que interessava era mais um plano da onda, mais uma panorâmica de moribundos agarrados a destroços, mais um monte de mortos frescos em exclusivo?
Mas nada disto nos devia causar surpresa. É sabido que, após uma desgraça destas, as aves necrófagas nunca tardam a chegar. Difícil é depois enxotá-las.
Quase em português O lado bom deste maremoto

é que não foi um feito do homem.

3 de janeiro de 2005

A barriga de um arquitecto O minimalismo é uma atracção quase inevitável para aqueles que trabalham a imagem nas suas várias formas. A certo ponto nasce a vontade quase irresistível de retirar formatações, as cores, os feitios e ver o que fica de substância. A simplicidade, deseja-se, nada tem que ver com simplismo. Retirar e reduzir são formas, afinal, de apurar, remover as costuras e ver a forma como ela é.
Abrupto Se nós fôssemos pessoas de medos, o medo estaria em toda esta imagem. Há ali uma dimensão que não é a nossa. Há ali um frio que não é o nosso. Há ali uma força que não é a nossa. Há ali uma perfeição que não é a nossa. Toda a estranheza do mundo está ali. Olhando bem, tudo nos é alheio, tudo é inumano e o inumano é o que mais tememos. Medo primeiro, medo ancestral, medo geneticamente inscrito, medo do que não sabemos, do que não controlamos.
Ponto Média O PONTO MEDIA comemorou ontem quatro anos de vida e apetece-me fazer uma experiência: quando virem este post, importam-se de me dizer de onde é que me estão a ler?
Em Busca da Límpida Medida O que me faltava e continua ainda a faltar é algo geracional e grande o suficiente para fazer vibrar a Alma e me fazer sentir que chegou o tempo. Nada de megalomanias apenas ter a sorte de viver um bom tempo e de perceber o seu espírito. Hoje, começo a pensar que tal será possível.

A blogosfera confirmou-me algo, que se me parece tão claro quanto me pareceu então aterrador, hoje tomo-o como o melhor desafio que esta geração pode ter e a melhor coisa que me poderá acontecer. Ao ponto de pensar que poderá ser a minha salvação. Leia-se realização.
Terras do Nunca Blogues do ano / Ano dos blogues
Os blogues estão a fazer furor. Vários jornais, revistas, tvs consideram o fenómeno como um dos factos marcantes do ano que passou.
Por cá, muitos fazem listas dos melhores de 2004. A minha lista é a que está ao lado (...). E bastaria dar uma volta, neste começo de ano, por aqueles links para perceber como muita coisa mudou com os blogues. Para mim, tornaram-se indispensáveis. Porque têm coisas que nunca poderiam estar noutro lado, num registo que não poderia estar noutro lado.
Tornei-me, pois, um grande consumidor de blogues (...). E, sim, acho que nos blogues portugueses há já massa crítica a justificar uma demorada espreitadela diária. Até já.

2 de janeiro de 2005

Estrela Cansada Agora que o ano termina é altura de lembrar que a Terra deu mais uma volta ao Sol. Que passou mais um ano em que a nossa compreensão do vasto universo que nos rodeia aumentou mais um pouco. Continuamos a fazer perguntas e continuamos explorar. O desejo de entender e de perceber continua por outro ano, por outra década, por outro século. É permanente.
The Dying Animal A comemoração do Ano Novo nunca me entusiasmou. Nunca entendi o sentido destes desejos sem substância, votos piedosos de inutilidade consciente. Ao contrário do Natal, que é celebração de uma esperança milenar para os crentes, e exercício real de estima familiar para os outros.

Logo na despedida do ano velho, pé ainda levantado para entrar no novo, o desastre na Ásia vem recordar o vazio essencial das comemorações do 1º de Janeiro.
Não me refiro ao desastre em si, que, na sua bruteza própria do mundo natural, foi apenas aquilo que foi, nem mais nem menos.
A destreza das dúvidas Foi da última vez que estive em Portugal que comecei este diário em linha. No Verão, quando Sampaio não convocou eleições, fiquei imensamente revoltado. Senti-me insultado. Lembro-me de sair de casa, de ir para a rua, falar ao telemóvel com o meu pai e de estar na estrada aos berros, insultando o Sampaio. Impotente a ver o país a afundar-se sem nada poder fazer. Depois de dois anos de sacrifícios, tudo ia ser deitado fora por uma vaidade pessoal. Nessa noite, só as declarações de Ana Gomes me deram alguma paz. (...) A minha margem de intervenção era pequena. Enviei um e-mail ao José Pacheco Pereira contando-lhe da minha revolta. No .Abrupto., postou metade do meu texto. Enviei também ao Vital Moreira, que fez o mesmo na .Causa Nossa.. Escolheram metades diferentes.
Abrupto PELA MANHÃ

O frio aperta. O sol brilha. Os montes têm o recorte habitual. À faca. Primeira série de colinas, segunda série de montes. Depois o mar. Uma sirene toca ao longe. Aqui é um som raríssimo no Inverno. Uma segunda sirene. Silêncio. O som de alguém que varre o chão. Alguma coisa de muito errado aconteceu. Ao longe.
Aviz Este ano merece ter fim.