4 de fevereiro de 2005
Blasfémias Foi o debate mais canhestro e medíocre a que assisti. Culpa do formato escolhido, próprio de um concurso ou de um talk-show. Alguém terá alguma coisa com isto?
Abrupto A dura realidade de dois partidos, cujas faces visíveis convergem na falta de carisma, ideias e capacidades. (José Barata)
3 de fevereiro de 2005
Fora do Mundo O espectador teve um ataque cardíaco no momento em que, no ecrã, uma rapariga (em risco de vida) era operada. Pararam a projecção. O homem foi assistido e levado de ambulância. Depois, com meia sala em pé, toda a gente ficou saio-não-saio, constrangida, atónita mas também com vontade de ver o filme até ao fim (faltavam dez minutos). De ver o filme por egoísmo, por autismo? De ver o filme porque «life goes on»? Sendo dos que ficaram na sala, tal como o autor deste mail, não estou nada certo que tenhamos feito bem.
A Memória Inventada Se a minha mãe não lesse o MI, diria que passo o Inverno em tronco nu e com as janelas abertas, tal é a potência do aquecimento. (...) Vaga de frio em Portugal? Mas eu sempre morri de frio em Portugal. Em Portugal, de Dezembro a Fevereiro, o único local onde se está bem é a rua.
Classe Média Não quero viver numa Lisboa sem horizonte. Quero-o escondido, mas próximo. Dissimulado na geometria das ruas, intermitente e anguloso. Quero continuar viver numa cidade onde rasgos de um céu que desfalece lentamente em direcção ao Tejo, nos esperam ao virar da esquina.
Veritas Filia Temporis Dito com todas as letras: o problema é a presunção que na cidade é preciso dividir o poder político com um clube de futebol, ou melhor com os seus dirigentes, e que estes têm o direito próprio de, pelo facto do clube ser vitorioso no futebol, mandar no Porto.
monólogo meu quem faz correr os boatos, sabe bem dos seus efeitos: o mal estar que provocam em tantas pessoas, pessoas como a minha avó, pessoas como os meus pais.
eu, imune à torpeza boateira, penso no pai a explicar aos filhos o que se diz por aí.
pobre país o nosso
eu, imune à torpeza boateira, penso no pai a explicar aos filhos o que se diz por aí.
pobre país o nosso
2 de fevereiro de 2005
The Dying Animal lopes, houdini lopes
Eu, de há uns tempos para cá, ando com premonições.
Agora é esta sensação opressiva de que o rapaz ainda vai dar a volta ao resultado.
Eu, de há uns tempos para cá, ando com premonições.
Agora é esta sensação opressiva de que o rapaz ainda vai dar a volta ao resultado.
Semiramis Há um blogue de um especialista em sondagens, onde este fez uma análise, bastante elaborada, sobre a razão pela qual as estimativas de resultados publicadas antes das eleições pelas diferentes empresas de sondagens tendem a subestimar a votação do CDS-PP. O palpite dele, alicerçado na comparação entre os tipos de amostragem das diferentes sondagens, em diversos actos eleitorais, é que "o eleitorado do CDS tende a ocultar o seu sentido de voto, mais do que o eleitorado dos restantes partidos". Esta conclusão-palpite dá que pensar.
Adufe Há poucos dias acenderam-se luzes no extremo Norte habitado do Canadá, em Israel, no Sul da Austrália, mais umas quantas na península arábica... Em Moçambique há um candeeiro (olá José Flávio), no Brasil (...) e nos Estados Unidos há vários (olá Nuno Guerreiro, olá João HJ, olá visitante de longa data que aqui chega regularmente do Worldbank)... Há duas semanas uma outra luz nos confins da Amazónia pôs-me a pensar num velho que lia romances de amor.
Há lá coisa mais estimulante para um mamífero curioso do que um mapa vagamente familiar cheio de cativantes ilustrações iluminadas por luzes tremeluzentes?
Há lá coisa mais estimulante para um mamífero curioso do que um mapa vagamente familiar cheio de cativantes ilustrações iluminadas por luzes tremeluzentes?
1 de fevereiro de 2005
Cibertúlia Santana não anda de transportes públicos. Se andasse, era capaz de dar outro crédito às sondagens.
Avatares de um desejo Também sei o quanto a nossa acção e o nosso desejo se dá sempre no seio de um conjunto estreito de possibilidades, historicamente constituídas. Nascemos sempre numa tribo que nos permite o sentido do mundo, fechando-o ao mesmo tempo. A isto se chama um constrangimento constitutivo. Nunca cedi à estética Kate Moss das magrezas, como sabeis, mas estou ciente que não escapo completamente a uma visão modelar da beleza - por exemplo, um corpo feminino depilado é uma imposição cultural que o meu desejo fracassa em subverter.
Tradução Simultânea O QUE ME ANDA A TIRAR O SONO As eleições. Mentira: o Open de Austrália. Os horários são infames, mas nem por isso resisto a ver como é que um jogo pode ser elevado a obra de arte. O ténis é o desporto individual mais completo, bonito e civilizado, porque, no seu melhor, combina tudo: técnica, capacidade física, inteligência e uma espantosa blindagem psicológica.
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