Xanel Cinco "Prós e Contras"
sobre o "novo" Código da Estrada: "O meu lobby é melhor que o teu."
31 de março de 2005
Classe Média Um blog pode facilmente ser uma pessoa. Pode, com igual facilidade, ser uma merda. Chato.
A [Minha] Jornada "Espero que a minha seja rápida e bem longe de lá"
A frase sobre a morte e os hospitais é de um médico, ex-director de urgência de um hospital central do Grande Porto.
A frase sobre a morte e os hospitais é de um médico, ex-director de urgência de um hospital central do Grande Porto.
29 de março de 2005
Avatares de um Desejo Há imensa gente que vê novelas. Há imensa gente que tem blogs. Mas, curiosamente, as únicas expressões culturais que se vêm por essa blogosfera afora esmiuçam livros, poesia, cinema, teatro, ópera. Como diria Adorno, só alta cultura. Será apenas porque as novelas se vêem mas não se entrenham na reflexividade e nas emoções? D
Voz do Deserto Comecei a ler o Goethe
A minha relação com a literatura é a do eterno pedido de desculpas pela falta de pontualidade.
A minha relação com a literatura é a do eterno pedido de desculpas pela falta de pontualidade.
A Memória Inventada Contrariamente ao que já li (e se calhar até escrevi), a qualidade literária dos livros é superior à dos melhores blogues. No blogue impera a escrita rápida, pouco trabalhada, trapalhona. Isso dá-lhe um certo encanto, mas um encanto que dispensa lombada. Há, depois, a falta de estrutura. Quase todos os blogues que conheço são demasiado desorganizados (este é um exemplo) e excessivamente vorazes. Nem o registo diário os reabilita.
A Noite Jimmy W. pensou um dia na possibilidade de se erguer na Internet uma plataforma de conhecimento inteiramente livre e em permanente construção. Mobilizou então um pelotão de gente e criou uma oficina de saberes, giratória e completamente viciante, chamada Wikipedia.
Miniscente Segredares de Páscoa
Uma bátega de chuva inundou o pátio durante dois minutos. Um caudal inesperado. Depois, num ápice, clareou o céu, refez-se o contraste da luz e eu juro que vi o mais pequeno dos gladíolos a sorrir.
Uma bátega de chuva inundou o pátio durante dois minutos. Um caudal inesperado. Depois, num ápice, clareou o céu, refez-se o contraste da luz e eu juro que vi o mais pequeno dos gladíolos a sorrir.
28 de março de 2005
Paranóias Avulsas Para os mais distraídos a blogosfera gira em torno de uns eleitos, de uns escolhidos, o que leva a pensar em quem é que os escolhe, quem é que torna certos blogs em blogs de culto.
Há várias hipóteses:
- porque quem o escreve era/é conhecido antes de o escrever
- porque o blog está muito bem escrito e tem conteúdos inteligentes
- porque há blogs que têm o que foi referido nas alíneas anteriores
- porque há pactos do género "eu falo de ti e tu falas de mim num tom elogioso"
- e porque há coisas que não se explicam
Há várias hipóteses:
- porque quem o escreve era/é conhecido antes de o escrever
- porque o blog está muito bem escrito e tem conteúdos inteligentes
- porque há blogs que têm o que foi referido nas alíneas anteriores
- porque há pactos do género "eu falo de ti e tu falas de mim num tom elogioso"
- e porque há coisas que não se explicam
Berra-boi Onde estavam as mulheres socialistas quando Ferro Rodrigues se demitiu? Onde estavam as mulheres socialistas durante as eleições para Secretário-geral? Onde estava a candidatura de Elisa Ferreira? E de Edite Estrela? Estavam todas atrás de três homens. Ou seja, estavam à boleia. E agora queriam ser recompensadas por isso? E onde estão as mulheres sociais-democratas, nas próximas eleições para presidente do Partido? Onde está a candidatura de Manuela Ferreira Leite?
Terras do Nunca Passa na televisão uma reportagem na terra onde nasceu um dos polícias que morreu na Amadora. Uma aldeia (beirã?), perdida algures no Portugal que definha. Pegar em alguém nascido e criado num lugar daqueles e atirá-lo para a Cova da Moura será assassínio premeditado?
25 de março de 2005
Monólogo actualização rápida
alheada da actualidade;
a braços com histórias de vida (estranhas) a que me compete dar forma;
filhos com avós por breves dias;
vontade de cortar as melenas;
sem ter percebido se "Closer" tinha a ver com amor ou com incontinência verbal (ou sexual?);
agradada com a bendita chuva
alheada da actualidade;
a braços com histórias de vida (estranhas) a que me compete dar forma;
filhos com avós por breves dias;
vontade de cortar as melenas;
sem ter percebido se "Closer" tinha a ver com amor ou com incontinência verbal (ou sexual?);
agradada com a bendita chuva
O último metro Habituo os ouvidos aos sons antigos, alguns mais velhos que eu; escuto com atenção o que dizem ser "as bases", o ponto de partida da música que hoje se ouve. De alguma da música que hoje se houve...
E é fascinante constatar, perceber, como em trinta e tal anos pouca coisa mudou, nalgumas vertentes; o quão actuais são certas sonoridades, e o quão fantásticas são determinadas músicas, imunes ao tempo, às gerações, às modas e manias.
É fundamental compreender o antes, para avaliar o agora. Até na música.
E é fascinante constatar, perceber, como em trinta e tal anos pouca coisa mudou, nalgumas vertentes; o quão actuais são certas sonoridades, e o quão fantásticas são determinadas músicas, imunes ao tempo, às gerações, às modas e manias.
É fundamental compreender o antes, para avaliar o agora. Até na música.
O País Relativo Dois anos depois, continuamos a acreditar naquilo que nos fez querer relativizar o país. Que a política tem uma vida e que há vida para além da política. Que há um caminho, que nem sempre é o mais fácil, entre os extremos - que, como a blogosfera prova, tantas vezes se atraem e se tocam apesar da sua aparente incomunicabilidade. Que temos, todos, um compromisso pessoal de que não abdicamos com uma certa política e com os modos de a fazer e viver. E que entre as piores das tentações encontra-se a miragem do absoluto. (...) Precisamos de um fim, que tem sido tantas vezes adiado. Até para pensar em tudo o que não escrevemos e em nome da energia dos recomeços.
24 de março de 2005
Glória Fácil Foi uma manhã atípica. O termómetro que dava cinco graus há meia-dúzia de dias, disparou para os trinta sem grande aviso e sem chuva para amortecer. Os miúdos espojam-se pelos bancos, tiram a roupa e os nacos de Tejo que aparecem da rua do Alecrim para baixo entontecem como se fosse a primeira vez. (...) The beautiful world à mão.
O Manancial da Noite Nova Iorque chega já amanhã. Vou precisar da noite de hoje para acreditar, que isto de interromper a normalidade de uma semana de trabalho com a excentricidade de uma capital longínqua não é fácil de interiorizar.
Um pouco mais de Sul Palavras, fortes, deslocam montanhas, mundos, gargantas, luas e grutas obscuras. Palavras de marfim, espuma, sangrentas, carmim... palavras, de mel, dentro das veias, palavras mágicas, que soem bem em inglês, português ou francês, sem sentido, belas, ritmadas, universais. Eis o propósito vão do poeta, a escolha das palavras que libertem o leitor na escolha dos sentidos do poema.
23 de março de 2005
Sobre o tempo que passa Qualquer universo fechado com a ilusão de ser aberto, como é o mundo da blogosfera, tem tendência para uma espécie de clausura autoreprodutiva, com a consequente criação de uma ditatorial "opinião comum dos doutores", onde não falta o inevitável sindicato de citações mútuas, com aprendizes, companheiros e mestres, numa intrincada hierarquia neofeudal, onde os donos do poder estabelecem as linhas justas do bem e do mal e todos se vão glosando e comentado, muito escolasticamente, com "gurus" e "vacas sagradas".
Fora do Mundo De vez em quando alguém diz que este ou aquele post «não se percebe». Não se percebe como? «É ambíguo», respondem. Mas o post, mesmo o post fracassado, ambiciona à literatura. E a literatura sem ambiguidade é apenas prosa literal. [P.M.]
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