17 de maio de 2005
Terras do Nunca: "A noite passada lá esteve ele [Almocreve das Petas] a folhear um catálogo de livros antigos, a copiar uma gravura, a topar a pandilha neo-liberal. É um dos mais noctívagos lugares da lusa blogosfera. Há dois anos a fazer das trevas luz."
16 de maio de 2005
B L O G U I C E S Ao contrário do que se possa pensar, não é fácil.
Para além de passar rapidamente, um dia na vida dum Blogger tem algumas contrariedades e toneladas de expectativas. De qualquer das formas é um dia que começa bastante cedo. Por vezes, cedo demais para quem se deitou tarde ou nem sequer o fez. Mas blogodependência é assim mesmo.
Para além de passar rapidamente, um dia na vida dum Blogger tem algumas contrariedades e toneladas de expectativas. De qualquer das formas é um dia que começa bastante cedo. Por vezes, cedo demais para quem se deitou tarde ou nem sequer o fez. Mas blogodependência é assim mesmo.
A Mão Invisível Os blogues são um mundo muito interessante e estimulante, no entanto, para quem tem um blogue no qual não escreve acerca da sua profissão, do qual não retira dividendos de qualquer tipo excepto a vontade de alterar a agenda e refutar muitos dos disparates ditos publicamente, chega sempre um momento de cansaço. Um ano, talvez dois e é preciso muita vontade para sacrificar a vida profissional, onde se faz dinheiro e carreira, e a vida social, onde tanto se desfruta, para dispender tempo numa base quase diária à frente de um computador com internet.
Million Dollar Kiss: Blog Oh Blog Os blogs não são importantes ou sérios. Não são um 'fenômeno', seria como chamar o celular de 'fenômeno'. É apenas tecnologia, coisas, stuff, andando pra frente, ou tentando, enquanto meu 'fenômeno' gasta a bateria e perde sinal - aqui também existem problemas.
A Barriga de um Arquitecto Quem somos nós na internet? Que sentido de comunidade existe? O segundo aniversário do Abrupto tem motivado algumas reflexões sobre a blogosfera portuguesa. Pergunto-me se própria palavra não é uma ilusão: “blogosfera”. A palavra constrói o conceito, mas o conceito por detrás da palavra é realidade ou distorção - a linguagem como meio para a construção de uma realidade socialmente instituída. Essa blogosfera existe? Não sei, e no entanto, ela move-se. Em que ficamos?
Terras do Nunca Dou, então, comigo a pensar porque escrevo eu um blogue. Que não é um diário, nem um sítio de análise política, nem um exercício de escrita (um objecto literário). Há muitos meses - quando todos andávamos a metablogar (coisa a que agora voltámos) - escrevi que isto é para mim, antes de mais, um acto de vagabundagem. Faço o que quero, quando quero, como quero. Sem compromissos. Esse talvez seja o maior prazer - escrever, dar-me ao trabalho de pensar para escrever, sem objectivo definido. E a minha única pretensão é essa.
15 de maio de 2005
A Memória Inventada Um campeonato de futebol é um conjunto de jogos chatos que se auto-organizam para salvar um deles do esquecimento colectivo.
14 de maio de 2005
Dois anos de Abrupto
Impensável O Abrupto... Tenho de confessar que, por vezes, je le trouve presque agaçant. Mas leio-o, não para saber de recados políticos subliminares - que nem entenderei - mas as outras coisas, os vulcões, a astronomia, os livros descobertos, as coisas simples que ele lá põe de manhã. E leio com gosto isso porque percebe a gente que ele gosta daquilo, das lavas, das órbitas distantes, dos livros descobertos em alfarrabistas com um entusiasmo infantil que o embaraça (e ele sabe disso e joga com isso inteligentemente, mesmo quando se perde, por vezes, em narcismos menos infantis, tentando com que tudo reverta a favor de uma casualidade bem intencionada). Ah, lê-se bem.
A Memória Inventada A crítica de Mexia resume-se à seguinte afirmação: "o Abrupto cria uma ficção do homem inteiramente público, do homem racional e desapaixonado, como se Pacheco não albergasse, como nós todos, traumas e rancores (visíveis a olho nu, de resto)". E então? Pessoalmente, aplaudo. Já não há pachorra para tanto estilo confessional. (...) Aqui na blogosfera, JPP pode ser "o Pacheco", mas convém ter presente que este Pacheco podia ser pai de 95% dos bloggers portugueses. Há uma incompatibilidade geracional difícil de ultrapassar. Acresce que Pacheco é uma figura pública de estilo ortodoxo, cerebral e frio. O que queria Mexia? Que JPP surgisse de repente em registo intimista e a exprimir dúvidas?
(o vento lá fora)* O efeito JPP alavancou, de forma abrupta, a mediatização dos blogues em Portugal. Em finais de 2003 chamei a atenção para o esperável efeito perverso de tal mediatização feita à custa da entrada na rede de figuras públicas (logo mediáticas). Ano e meio depois a tendência tornou-se mainstream e a genuflexão de contornos feudais uma irritante realidade.
Terras do Nunca Poder-se-ia dizer que há uma blogosfera portuguesa antes do Abrupto e outra depois. Mas isso seria redutor. Sem o Abrupto não haveria blogosfera. Existiriam uns blogues, que começariam e acabariam, uns com glória, outros sem. O Abrupto funciona como o polo aglutinador, mesmo daqueles que nunca por lá passaram, mesmo daqueles que fingem que nunca por lá passam.
Sob a estrela do norte O Abrupto, por vezes me entusiasma, outras me enfada, mas nunca dele prescindo.
Miniscente Para mim, o Abrupto não é um deus, mas é um óptimo blogue de visita diária. Nem sempre gosto do que lá vejo. Refiro-me a algumas escolhas estéticas, a reiterados objectos de estudo e a uma certa aridez rítmica que uma ou duas secções inspiram. Mas, por outro lado, o Abrupto é um blogue situado fora do que o senso comum designa por “politicamente correcto” e reflecte o ímpeto independente e livre que, nos tempos que correm, é raro entre nós. Em Portugal há muita gente “liberta”, mas pouca gente realmente livre e afirmativa como é o caso de JPP.
Atrium Há uns dias atrás o Público assinalava a passagem do segundo aniversário do Abrupto com um conjunto de trabalhos sobre o "impacto dos blogs no debate político". (...) o Público terá querido escrever sobre "o impacto dos blogs no debate político" mas escreveu - isso sim - sobre a presença dos políticos na blogosfera (...); o 'circuito fechado' em que aparentemente vivem alguns jornalistas - demonstrado pela relevância dada apenas aos políticos (profissionais ou semi-profissionais) que usam a blogosfera como uma outra plataforma - será, precisamente, um dos factores que potencia o sucesso do formato.
A Barriga de um Arquitecto Faz sentido para alguém que pode (e quer) romper constantemente as fronteiras da blogosfera para a atmosfera. Mas porque se invoca esta capacidade de que os blogues afectem o mundo lá fora como um requisito para a sua maioridade? Os blogues não são um canal para a mediatização; são apenas o nosso monólogo interno que o resto do mundo pode ouvir; uma subscrição para o fio da consciência de cada um. É por isso que o Abrupto é interessante: não por ter eco lá fora, mas porque nos permite olhar lá para dentro, para o interior da cabeça do Pacheco Pereira e tirar de lá o que lhe vai na alma.
Abrupto Já o disse e repito: o Abrupto é o “jornal” que, desde que me conheço, gostaria de ter tido, parte da minha voz. Não a minha voz, mas parte da minha voz. Feita do ruído do mundo, do meu ruído, da fala incessante, dos quadros, dos versos, da música, das palavras, que nos faz o que somos. O Abrupto é sobre isso, o Abrupto é isso.
Impensável O Abrupto... Tenho de confessar que, por vezes, je le trouve presque agaçant. Mas leio-o, não para saber de recados políticos subliminares - que nem entenderei - mas as outras coisas, os vulcões, a astronomia, os livros descobertos, as coisas simples que ele lá põe de manhã. E leio com gosto isso porque percebe a gente que ele gosta daquilo, das lavas, das órbitas distantes, dos livros descobertos em alfarrabistas com um entusiasmo infantil que o embaraça (e ele sabe disso e joga com isso inteligentemente, mesmo quando se perde, por vezes, em narcismos menos infantis, tentando com que tudo reverta a favor de uma casualidade bem intencionada). Ah, lê-se bem.
A Memória Inventada A crítica de Mexia resume-se à seguinte afirmação: "o Abrupto cria uma ficção do homem inteiramente público, do homem racional e desapaixonado, como se Pacheco não albergasse, como nós todos, traumas e rancores (visíveis a olho nu, de resto)". E então? Pessoalmente, aplaudo. Já não há pachorra para tanto estilo confessional. (...) Aqui na blogosfera, JPP pode ser "o Pacheco", mas convém ter presente que este Pacheco podia ser pai de 95% dos bloggers portugueses. Há uma incompatibilidade geracional difícil de ultrapassar. Acresce que Pacheco é uma figura pública de estilo ortodoxo, cerebral e frio. O que queria Mexia? Que JPP surgisse de repente em registo intimista e a exprimir dúvidas?
(o vento lá fora)* O efeito JPP alavancou, de forma abrupta, a mediatização dos blogues em Portugal. Em finais de 2003 chamei a atenção para o esperável efeito perverso de tal mediatização feita à custa da entrada na rede de figuras públicas (logo mediáticas). Ano e meio depois a tendência tornou-se mainstream e a genuflexão de contornos feudais uma irritante realidade.
Terras do Nunca Poder-se-ia dizer que há uma blogosfera portuguesa antes do Abrupto e outra depois. Mas isso seria redutor. Sem o Abrupto não haveria blogosfera. Existiriam uns blogues, que começariam e acabariam, uns com glória, outros sem. O Abrupto funciona como o polo aglutinador, mesmo daqueles que nunca por lá passaram, mesmo daqueles que fingem que nunca por lá passam.
Sob a estrela do norte O Abrupto, por vezes me entusiasma, outras me enfada, mas nunca dele prescindo.
Miniscente Para mim, o Abrupto não é um deus, mas é um óptimo blogue de visita diária. Nem sempre gosto do que lá vejo. Refiro-me a algumas escolhas estéticas, a reiterados objectos de estudo e a uma certa aridez rítmica que uma ou duas secções inspiram. Mas, por outro lado, o Abrupto é um blogue situado fora do que o senso comum designa por “politicamente correcto” e reflecte o ímpeto independente e livre que, nos tempos que correm, é raro entre nós. Em Portugal há muita gente “liberta”, mas pouca gente realmente livre e afirmativa como é o caso de JPP.
Atrium Há uns dias atrás o Público assinalava a passagem do segundo aniversário do Abrupto com um conjunto de trabalhos sobre o "impacto dos blogs no debate político". (...) o Público terá querido escrever sobre "o impacto dos blogs no debate político" mas escreveu - isso sim - sobre a presença dos políticos na blogosfera (...); o 'circuito fechado' em que aparentemente vivem alguns jornalistas - demonstrado pela relevância dada apenas aos políticos (profissionais ou semi-profissionais) que usam a blogosfera como uma outra plataforma - será, precisamente, um dos factores que potencia o sucesso do formato.
A Barriga de um Arquitecto Faz sentido para alguém que pode (e quer) romper constantemente as fronteiras da blogosfera para a atmosfera. Mas porque se invoca esta capacidade de que os blogues afectem o mundo lá fora como um requisito para a sua maioridade? Os blogues não são um canal para a mediatização; são apenas o nosso monólogo interno que o resto do mundo pode ouvir; uma subscrição para o fio da consciência de cada um. É por isso que o Abrupto é interessante: não por ter eco lá fora, mas porque nos permite olhar lá para dentro, para o interior da cabeça do Pacheco Pereira e tirar de lá o que lhe vai na alma.
Abrupto Já o disse e repito: o Abrupto é o “jornal” que, desde que me conheço, gostaria de ter tido, parte da minha voz. Não a minha voz, mas parte da minha voz. Feita do ruído do mundo, do meu ruído, da fala incessante, dos quadros, dos versos, da música, das palavras, que nos faz o que somos. O Abrupto é sobre isso, o Abrupto é isso.
Impensável O Abrupto... Tenho de confessar que, por vezes, je le trouve presque agaçant. Mas leio-o, não para saber de recados políticos subliminares - que nem entenderei - mas as outras coisas, os vulcões, a astronomia, os livros descobertos, as coisas simples que ele lá põe de manhã. E leio com gosto isso porque percebe a gente que ele gosta daquilo, das lavas, das órbitas distantes, dos livros descobertos em alfarrabistas com um entusiasmo infantil que o embaraça (e ele sabe disso e joga com isso inteligentemente, mesmo quando se perde, por vezes, em narcismos menos infantis, tentando com que tudo reverta a favor de uma casualidade bem intencionada). Ah, lê-se bem.
A Memória Inventada A crítica de Mexia resume-se à seguinte afirmação: "o Abrupto cria uma ficção do homem inteiramente público, do homem racional e desapaixonado, como se Pacheco não albergasse, como nós todos, traumas e rancores (visíveis a olho nu, de resto)". E então? Pessoalmente, aplaudo. Já não há pachorra para tanto estilo confessional. (...) Aqui na blogosfera, JPP pode ser "o Pacheco", mas convém ter presente que este Pacheco podia ser pai de 95% dos bloggers portugueses. Há uma incompatibilidade geracional difícil de ultrapassar. Acresce que Pacheco é uma figura pública de estilo ortodoxo, cerebral e frio. O que queria Mexia? Que JPP surgisse de repente em registo intimista e a exprimir dúvidas?
(o vento lá fora)* O efeito JPP alavancou, de forma abrupta, a mediatização dos blogues em Portugal. Em finais de 2003 chamei a atenção para o esperável efeito perverso de tal mediatização feita à custa da entrada na rede de figuras públicas (logo mediáticas). Ano e meio depois a tendência tornou-se mainstream e a genuflexão de contornos feudais uma irritante realidade.
Terras do Nunca Poder-se-ia dizer que há uma blogosfera portuguesa antes do Abrupto e outra depois. Mas isso seria redutor. Sem o Abrupto não haveria blogosfera. Existiriam uns blogues, que começariam e acabariam, uns com glória, outros sem. O Abrupto funciona como o polo aglutinador, mesmo daqueles que nunca por lá passaram, mesmo daqueles que fingem que nunca por lá passam.
Sob a estrela do norte O Abrupto, por vezes me entusiasma, outras me enfada, mas nunca dele prescindo.
Miniscente Para mim, o Abrupto não é um deus, mas é um óptimo blogue de visita diária. Nem sempre gosto do que lá vejo. Refiro-me a algumas escolhas estéticas, a reiterados objectos de estudo e a uma certa aridez rítmica que uma ou duas secções inspiram. Mas, por outro lado, o Abrupto é um blogue situado fora do que o senso comum designa por “politicamente correcto” e reflecte o ímpeto independente e livre que, nos tempos que correm, é raro entre nós. Em Portugal há muita gente “liberta”, mas pouca gente realmente livre e afirmativa como é o caso de JPP.
Atrium Há uns dias atrás o Público assinalava a passagem do segundo aniversário do Abrupto com um conjunto de trabalhos sobre o "impacto dos blogs no debate político". (...) o Público terá querido escrever sobre "o impacto dos blogs no debate político" mas escreveu - isso sim - sobre a presença dos políticos na blogosfera (...); o 'circuito fechado' em que aparentemente vivem alguns jornalistas - demonstrado pela relevância dada apenas aos políticos (profissionais ou semi-profissionais) que usam a blogosfera como uma outra plataforma - será, precisamente, um dos factores que potencia o sucesso do formato.
A Barriga de um Arquitecto Faz sentido para alguém que pode (e quer) romper constantemente as fronteiras da blogosfera para a atmosfera. Mas porque se invoca esta capacidade de que os blogues afectem o mundo lá fora como um requisito para a sua maioridade? Os blogues não são um canal para a mediatização; são apenas o nosso monólogo interno que o resto do mundo pode ouvir; uma subscrição para o fio da consciência de cada um. É por isso que o Abrupto é interessante: não por ter eco lá fora, mas porque nos permite olhar lá para dentro, para o interior da cabeça do Pacheco Pereira e tirar de lá o que lhe vai na alma.
Abrupto Já o disse e repito: o Abrupto é o “jornal” que, desde que me conheço, gostaria de ter tido, parte da minha voz. Não a minha voz, mas parte da minha voz. Feita do ruído do mundo, do meu ruído, da fala incessante, dos quadros, dos versos, da música, das palavras, que nos faz o que somos. O Abrupto é sobre isso, o Abrupto é isso.
13 de maio de 2005
Fora do Mundo Não é preciso ser crente (como eu sou) para dizer, com veemência, que o mais importante não se passa LÁ FORA (sic) mas cá dentro. Que as paixões, ironias, tragédias, indecisões e medos são o mais importante. O mais importante não é o espaço público habermasiano. É o que se passa cá dentro.
5 de maio de 2005
Subscrever:
Mensagens (Atom)