PONTE EUROPA: "Dois anos a fingir que ponderava o que todos sabiam que iria fazer, foi um exagero.
Bem-vindo à luta pela suprema magistratura da Nação."
PITAU RAIA: "Lá estava ele no palanque, com dez bandeiras nacionais atrás. Ar sério, pose concentrada, disponível para todas as perguntas. Disposto até aos atropelos dos fotógrafos sem perder o sorriso. Parecia uma figura de cera. (...)
Cavaco já não é um tecnocrata. Agora quer ser o professor que vai ajudar o país a entrar nos eixos. Como adversário, tem um homem vaidoso que vai perder as eleições porque acha que o seu umbigo histórico é, em si mesmo, razão mais do que suficiente para ganhar Belém outra vez. Acho triste que não se consiga gerar mais do que isto para o cargo mais prestigiado da República."
ESTARREJA LIGHT: "Ontem, Cavaco foi o homem providencial. O candidato inevitável, o candidato por quem toda a gente esperava. E as televisões deram uma ajuda preciosa ao homem providencial. Ampliaram a providência, deram-lhe uma atenção desmesurada para que ele pudesse brilhar no seu regresso à vida política activa. Durante dez anos este homem geriu as suas aparições públicas com precisão cirúrgica só aparecendo quando era preciso. Nunca se banalizou e soube gerir o silêncio em relação à candidatura a Belém. Ontem deixou cair o silêncio e disse ao que vinha. Mas já sabíamos ao que vinha. Não era preciso ele dizer. Vamos ver agora para a semana qual é o manifesto eleitoral que apresenta. Mas ontem foi igual a si próprio. O ar austero, a convicção de que pode ajudar a salvar o país. A ideia do político não profissional, do homem que está fora do sistema e que só volta para impedir o naufrágio. O homem do leme."
Mar Salgado: "CAVACO: Tem muitas características cinzentonas, saloias e desajeitadas que o tornam num pequeno ódio de estimação dos media iluminados e modernos. Mas, o que realmente o tornará insuportável será mesmo a competência e a seriedade."
O Acidental: "A melhor frase na apresentação de Cavaco Silva
'Não me candidato contra ninguém'. Ao contrário de todos os outros, que se candidatam contra ele. "
Bicho Carpinteiro: "A linguagem e o tom da campanha utilizados pela trupe Cavaquista, passam por recorrer à técnica constante do reminder: “há um problema no País – mas Cavaco é a solução”.
Todo o seu discurso é feito de palavras de acção “estabilidade”, “união”, “Portugal precisa de si”. Como diria Max Weber “a obediência é determinada pelos motivos do medo e da esperança”. "
Os Leões de Tolstoi: "Digo num parêntesis que gostava de compreender os mecanismos de formação da imagem dos políticos junto do povo, como se constrói um 'intocável'."
A Peste: "O modo como Cavaco tem gerido a sua campanha dá a entender o que já se adivinhava: num sistema partidário em que as coligações parecem impossíveis e é preferível deixar o adversário desgastar-se na opinião pública para poder reinar sozinho depois, a Esquerda fez a Cavaco todos os favores que podia ter feito. Numa corrida em que os atletas se empurram mutuamente antes de arrancarem, é o que começa mais tarde que corre menos cansado. Na minha opinião, um Cavaco presidente é, seguramente, uma injustiça; mas, neste momento, os quatro candidatos da Esquerda são uma tristeza."
Política Quotidiana: "Uma declaração muito curta, tudo muito baseado no 'cenário', mas tudo meticulosamente preparado...É a prova que a candidatura não é de agora e que leva um avanço (embora em privado) considerável em relação às outras candidaturas.
Sobre o discurso, nada de relevante a destacar. Foi inteligente ao ponto de não mencionar os outros candidatos e o facto de lançar a candidatura depois dos outros, tem a vantagem de aprender com os seus erros."
fuga para a vitória: "Comunidade espírita com Cavaco
«Ficámos à porta, mas daqui apoiamos Cavaco em espírito», título do Público."
Blogouve-se: "O que aconteceu ontem com Cavaco Silva foi uma coisa especial: por aquilo que percebi, o candidato presidencial respondeu a todas as perguntas e com uma disponibilidade notável.
Só espero que não seja um caso sem excepção, que - pelo contrário - isto seja para levar a sério e, principalmente, que outros políticos se inspirem no exemplo ontem dado. Para Jorge-sobre-isso-não-posso-falar-e-vocês-já-sabem-o-que-penso-Sampaio já basta."
4R - Quarta República: "É impressionante como num discurso tão sucinto Cavaco Silva consegue falar aos Portugueses e responder q. b. às especulações que um pouco de todo o lado alimentaram a expectativa da sua candidatura. Com frases muito simples, mas de grande intensidade política, Cavaco Silva disse ao que veio, porque veio, o que quer e o que não quer.
(...) Mais curiosa ainda a sensação com que se fica de estarmos perante um único candidato e quatro comentadores oposicionistas."