5 de fevereiro de 2006
perguntar não ofende
perguntar não ofende: "A palavra "obliterar" existe fora dos transportes públicos?"
4 de fevereiro de 2006
As Aranhas
As Aranhas: "Durante vários anos os REM não incluíam nas embalagens dos discos as letras das canções, ao contrário do que era quase uma norma instituída. Um dia perguntaram a Michael Stipe as razões dessa omissão: as pessoas, não percebendo todas as palavras, encontravam outras para as substituir, preenchendo os 'buracos' das canções com um sentido pessoal que podia não ter nada a ver com o que a letra exacta dizia. E mais, conhecia casos de gente que tinha ficado decepcionada quando tomava contacto com a versão correcta das lyrics de determinada canção: 'gostavam mais da canção tal como a imaginavam do que como ela, de facto, era'."
Os melhores recortes da semana
Ao longo da última semana fizemos aproximadamente 50 recortes das mais variadas fontes e assuntos, pelo que hoje aproveitamos para destacar os melhores e explicar por que nos interessaram (depois do salto).
Para nós, e apesar de datar de Novembro do ano passado, esta foi a imagem da semana. Foi, aliás, uma semana em que mais uma vez nos surpreendemos com a facilidade do nosso espanto perante fenómenos meteorológicos.
Invisiblia foi outro sítio que chamou a nossa atenção, pela técnica utilizada (e explicada em tutorial) para substituir pessoas por linhas, a fazer lembrar um célebre videoclip dos anos 80. Diz o autor: "Maybe the pictures illustrate the idea that we all want to remove ourselves from life, and replace ourselves with fictional, self-created versions of ourself. We want to fictionalise our own existence, and impose order and narrative where there is none."

Uma lista das 100 melhores frases iniciais de um romance. Mesmo na literatura, as primeiras impressões, neste caso as primeiras linhas, podem fazer a diferença entre o sucesso e o anonimato. Podem também aguçar a curiosidade sobre a história que se preparam para contar, como é o caso da 98ª abertura: High, high above the North Pole, on the first day of 1969, two professors of English Literature approached each other at a combined velocity of 1200 miles per hour. —David Lodge, Changing Places (1975)
Delicious days: a junção perfeita de culinária e fotografia num blog.
A Wikipédia, na sua missão de reunir todo o conhecimento do mundo, apela à imparcialidade dos seus colaboradores e a algo designado de "ponto de vista neutral". O Standpoint, pelo contrário, promove a maior diversidade possível de pontos de vista. Os visitantes são convidados a afirmar as suas convicções mais pessoais sobre todo e qualquer assunto, seja sobre aquela que pensam ser a melhor série de televisão de sempre ou a validade da teoria da evolução. É um sítio interessante sobretudo por isto, pela forma como põe lado a lado o mais profundo e o mais trivial daquilo que define quem somos e no que acreditamos. Fica-se com a sensação de que os dois pólos estão de algum modo relacionados. De resto, partilhamos esta convicção.
Por fim, uma galeria de fotografias de paredes com mensagens, ou melhor, um sítio que colecciona mensagens de inspiração ou sabedoria urbana deixadas em paredes de todo o mundo. São mensagens que saltam à vista e inesperadamente iluminadas.



Ao longo da última semana fizemos aproximadamente 50 recortes das mais variadas fontes e assuntos, pelo que hoje aproveitamos para destacar os melhores e explicar por que nos interessaram (depois do salto).
Para nós, e apesar de datar de Novembro do ano passado, esta foi a imagem da semana. Foi, aliás, uma semana em que mais uma vez nos surpreendemos com a facilidade do nosso espanto perante fenómenos meteorológicos.
Invisiblia foi outro sítio que chamou a nossa atenção, pela técnica utilizada (e explicada em tutorial) para substituir pessoas por linhas, a fazer lembrar um célebre videoclip dos anos 80. Diz o autor: "Maybe the pictures illustrate the idea that we all want to remove ourselves from life, and replace ourselves with fictional, self-created versions of ourself. We want to fictionalise our own existence, and impose order and narrative where there is none."

Uma lista das 100 melhores frases iniciais de um romance. Mesmo na literatura, as primeiras impressões, neste caso as primeiras linhas, podem fazer a diferença entre o sucesso e o anonimato. Podem também aguçar a curiosidade sobre a história que se preparam para contar, como é o caso da 98ª abertura: High, high above the North Pole, on the first day of 1969, two professors of English Literature approached each other at a combined velocity of 1200 miles per hour. —David Lodge, Changing Places (1975)
Delicious days: a junção perfeita de culinária e fotografia num blog.
A Wikipédia, na sua missão de reunir todo o conhecimento do mundo, apela à imparcialidade dos seus colaboradores e a algo designado de "ponto de vista neutral". O Standpoint, pelo contrário, promove a maior diversidade possível de pontos de vista. Os visitantes são convidados a afirmar as suas convicções mais pessoais sobre todo e qualquer assunto, seja sobre aquela que pensam ser a melhor série de televisão de sempre ou a validade da teoria da evolução. É um sítio interessante sobretudo por isto, pela forma como põe lado a lado o mais profundo e o mais trivial daquilo que define quem somos e no que acreditamos. Fica-se com a sensação de que os dois pólos estão de algum modo relacionados. De resto, partilhamos esta convicção.
Por fim, uma galeria de fotografias de paredes com mensagens, ou melhor, um sítio que colecciona mensagens de inspiração ou sabedoria urbana deixadas em paredes de todo o mundo. São mensagens que saltam à vista e inesperadamente iluminadas.



3 de fevereiro de 2006
Linha dos Nodos
Linha dos Nodos: "O encerramento das instalações da UE em Gaza é só mais um sinal preocupante da intolerância dos islamistas radicais no que toca a questões religiosas e da sua incompreensão do que é realmente a liberdade de imprensa. Não entrará nas cabeças das luminárias que emitem estas sentenças que um estado onde existe verdadeira liberdade de imprensa não é responsável por aquilo que os media publicam e emitem?"
Esse Cavalheiro
Esse Cavalheiro: "Não se pode, nem deve, nem cabe exercer o direito à liberdade de expressão através de rabiscos desenhados, porque podem afectar a coexistência pacífica entre dois mundos. Quando se trata de algum Islão atrasado toda a operação é delicada, todo o cuidado é pouco. Também se procede de igual forma com os moribundos."
Miss Pearls
Miss Pearls: "Isto dos blogs é um bocadinho como esta imagem: ignoram-se uns traços para sublinhar outros. Com as cores que queremos e com as sombras que ocultamos."
2 de fevereiro de 2006
Tempo dos Assassinos
Tempo dos Assassinos: "Tanta agitação com a chegada dos mediáticos à blogosfera. E eu que pensava que a principal vantagem desta era, precisamente, ecoar a voz dos que não engrossam as colunas dos meios de comunicação social."
Hotel Sossego
Hotel Sossego: "A Google, ao aceitar censurar a versão chinesa do seu motor de busca para conseguir conquistar o mercado chinês com o beneplácito do governo local, mostra bem onde acaba a sua responsabilidade social: onde começa a miragem do lucro. Nesse aspecto não é uma empresa nada original."
Estranho Amor
Estranho Amor: "Que legitimidade tive eu de ter estudado e saído à noite com aquelas pessoas? Interferido nas bocas novas, dito as verdades da altura e prometido mundos sem fundo? E a responsabilidade de convencer alguém do que vejo?"
ENGRENAGEM - Media e Tecnologia: blog sobre jornalismo, citizen journalism, blogosfera e novas tecnologias
ENGRENAGEM: "Perante uma plateia de alunos do secundário e de jornalistas, Bill Gates disse hoje, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, algumas coisas dignas de nota:
O dinheiro não é o mais importante quando se escolhe uma profissão."
O dinheiro não é o mais importante quando se escolhe uma profissão."
1 de fevereiro de 2006
She Bangs the Drums
She Bangs the Drums: "Não compreendo polémicas entre bloggers. Não consigo acompanhá-las. Aborrecem-me de morte. Dá-me um trabalho tremendo seguir links que se referem a posts de posts que se referem a links. Normalmente são posts enormes, cujo conteúdo ou argumento se resume numa frase. Muitas vezes parece-me uma luta de galos intelectuais que, no fundo, não serve para nada."
O Telescópio: A profissionalização da Blogoesfera (II)
O Telescópio: "Assim, começamos a assistir a uma certa profissionalização da blogoesfera. Os melhores blogues buscam os melhores bloggers e a lógica do amiguismo (...) começa a ser substituída por uma lógica de capacidade e talento. Se há muita gente que consegue manter blogues unipessoais ou bi-pessoais de bastante qualidade (...), também é verdade que, hoje e cada vez mais, os melhores bloggers começam a concentrar-se nas multinacionais blogoesféricas, aumentando assim ainda mais o seu [das multinacionais] poder de atracção."
Quot capita, tot sensus
Com um atraso significativo, publicamos o habitual reader's digest do Posto de Escuta, desta feita sobre as eleições presidenciais. Como nota de rodapé, entre o último dia de campanha (20 de Janeiro) e o rescaldo das eleições (23 de Janeiro) foram publicados nos blogs mais de 1800 artigos com referências às presidenciais. Esta é apenas uma pequena amostra dos artigos publicados na noite de Domingo, dia 22 (depois do salto).
ABRUPTO: "COMEÇOU
como num preâmbulo, um introito, um momento de acalmia antes da tempestade. Já se sabe quase tudo, mas espera-se."
Blasfémias: "Ovídea
Será o nome da primeira-dama se Jerónimo ganhar."
Blasfémias: "Projecção antecipada
Ricardo Costa na SIC: 'Vamos passar à sede do Partido Socialista onde José Sócrates está de muletas, e se calhar vai ficar mais uns tempos'"
Blogue dos Marretas: "MOMENTO PAPARAZZI DA NOITE
A câmara da SIC apontada para o interior da casa de Cavaco Silva."
ABRUPTO: "20:01 (JPP)
QUOD ERAT DEMONSTRANDUM
o latim dá muita força."
Blasfémias: "Rui Olveira e Costa
dá 50.1% a Cavaco.
Isto vai ser decidido por um Estádio do Algarve."
ABRUPTO: "OS 50,1% SERÃO MAIS DUROS
de obter do que parecia nas sondagens. Mas são os necessários."
Causa Nossa: "A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (...). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia."
Blogame mucho: "Nada me move contra Cavaco Silva, excepto como presidente de todos os portugueses - aliás auto-proclamado, agora que já tratou de assassinar a maioria. Que seria mais confortável se, durante a campanha, não tivesse dado que pensar a alguns portugueses, que quase embarcaram neste embuste de ter um presidente que se recolhe ao casulo sempre que se atemoriza e que, na prática, só pratica o monólogo. Seriam se calhar mais, se houvesse mais tempo. Foi, de facto, 'por décimas'."
Blogue dos Marretas: "PERGUNTA DA NOITE
O que vai fazer Manuel Alegre com um milhão de votos?"
Estado Civil: "Um milhão de votos premiaram o pior dos seis candidatos, o mais impreparado e o menos alicerçado num projecto coerente. Alegre avançou por orgulho ferido e pouco mais. Demonstrou uma aflitiva falta de conhecimento de todas as matérias. Nem sequer sabia ao certo como tinha votado certas leis. E fez uma campanha que reuniu o pior da direita (o tradicionalismo bacoco) e o pior da esquerda (a retórica grandiloquente)."
O Insurgente: "Bloco de Esquerda: 3 leituras possíveis dos resultados
1) Louçã vale menos do que o partido.
2) Joana Amaral Dias vale cerca de 1%.
3) O Bloco de Esquerda está em quebra."
A Origem das Espécies: "Uma pequena frase de Alegre, que vai ouvir-se no PS: «Ficou a lição.»"
Blasfémias: "MANOBRA VINGATIVA
Alegre, o segundo vencedor da noite, está a falar e Sócrates 'interrompe-o' e faz a sua alocução ao mesmo tempo. Caninamente, as televisões seguem o primeiro-ministro formalmente derrotado."
Reciclemos: "Um não lê jornais, o outro não vê televisão"
ABNEGADO: "A noite televisiva das presidenciais foi cansativa.
Novo-riquismo a rodos nos cenários da SIC e da RTP, inacreditável número de “convidados” - alguns dos quais não chegaram a fazer qualquer intervenção.
Acompanhando a TVI ficou uma sensação de amadorismo, ouvindo-se com frequência as conversas de bastidores dos repórteres, troca de nomes, desnorte."
Blogame mucho: "Em perfeito contraste, Mário Soares foi iluminado por uma qualquer inspiração redentora. Limpou, diligentemente, a mancha quase desonrosa da campanha iníqua e desastrada. Perdeu e saiu pela porta da frente, sábio, ao tornar invisível a sua derrota pessoal e ao deixá-la inteira e, afinal, merecida, ao perdido Sócrates e ao PS."
Pólis: "A frase da noite
«Só é vencido quem desiste de lutar»…"
A Origem das Espécies: "Os que durante um mês e meio anunciaram a tragédia, o desastre, a catástrofe, o golpe de estado, miséria no lar, sangue na estrada, reviravoltas e tristezas, vão agora tirar o cavalinho da chuva e fazer marcha-atrás, como se não tivesse acontecido nada. Como se esperava. Mas há uma vantagem no nosso tempo -- tudo isso está registado. Não conseguirão esconder que transformaram a campanha eleitoral numa guerra de carácter, pessoal, sem «fair-play democrático» (a expressão é de Soares ao reconhecer a derrota), tentando ganhar pelo medo, pela queixinha ignóbil e pela arrogância."
portugal contemporâneo: "A entrada, de novo, de Cavaco Silva no jogo político retirará ao personagem a dimensão sebastianista com que alguma direita foi alimentando o mito. Com a sua ida para Belém, a direita ficará mais uma vez desprovida da sua única referência mítica, referências sem as quais dificilmente consegue ter vida própria. Cavaco passou, desde ontem, de expectativa a responsável e não irá queimar o seu capital político em jogadas de bastidores. Fará aquilo que lhe compete: acompanhará o governo no melhor e no pior. Os sistemas de governo semipresidencialistas têm destas coisas: são, como os casamentos, supostamente para toda a vida."
portugal dos pequeninos: "A sua eleição tem também um significado pedagógico importante. Cavaco sofreu uma derrota e não desistiu. Esperou metodicamente por esta vitória. É curioso que tenha sido um homem da não esquerda a dar este exemplo de paciência democrática. Por outro lado, pôs-se um termo à falaciosa e fantasiosa ideia de que determinadas funções de Estado têm donos. Não têm. Têm eleitos. Finalmente, houve muita gente, muitos preconceitos e muitas vaidades derrotados nesta breve noite eleitoral. A eles iremos depois. Só uma nota final relativamente 'às décimas'. Numa eleição presidencial, perde-se ou ganha-se absolutamente. Cavaco ganhou absolutamente. Todos os outros cinco perderam absolutamente."
Com um atraso significativo, publicamos o habitual reader's digest do Posto de Escuta, desta feita sobre as eleições presidenciais. Como nota de rodapé, entre o último dia de campanha (20 de Janeiro) e o rescaldo das eleições (23 de Janeiro) foram publicados nos blogs mais de 1800 artigos com referências às presidenciais. Esta é apenas uma pequena amostra dos artigos publicados na noite de Domingo, dia 22 (depois do salto).
ABRUPTO: "COMEÇOU
como num preâmbulo, um introito, um momento de acalmia antes da tempestade. Já se sabe quase tudo, mas espera-se."
Blasfémias: "Ovídea
Será o nome da primeira-dama se Jerónimo ganhar."
Blasfémias: "Projecção antecipada
Ricardo Costa na SIC: 'Vamos passar à sede do Partido Socialista onde José Sócrates está de muletas, e se calhar vai ficar mais uns tempos'"
Blogue dos Marretas: "MOMENTO PAPARAZZI DA NOITE
A câmara da SIC apontada para o interior da casa de Cavaco Silva."
ABRUPTO: "20:01 (JPP)
QUOD ERAT DEMONSTRANDUM
o latim dá muita força."
Blasfémias: "Rui Olveira e Costa
dá 50.1% a Cavaco.
Isto vai ser decidido por um Estádio do Algarve."
ABRUPTO: "OS 50,1% SERÃO MAIS DUROS
de obter do que parecia nas sondagens. Mas são os necessários."
Causa Nossa: "A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (...). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia."
Blogame mucho: "Nada me move contra Cavaco Silva, excepto como presidente de todos os portugueses - aliás auto-proclamado, agora que já tratou de assassinar a maioria. Que seria mais confortável se, durante a campanha, não tivesse dado que pensar a alguns portugueses, que quase embarcaram neste embuste de ter um presidente que se recolhe ao casulo sempre que se atemoriza e que, na prática, só pratica o monólogo. Seriam se calhar mais, se houvesse mais tempo. Foi, de facto, 'por décimas'."
Blogue dos Marretas: "PERGUNTA DA NOITE
O que vai fazer Manuel Alegre com um milhão de votos?"
Estado Civil: "Um milhão de votos premiaram o pior dos seis candidatos, o mais impreparado e o menos alicerçado num projecto coerente. Alegre avançou por orgulho ferido e pouco mais. Demonstrou uma aflitiva falta de conhecimento de todas as matérias. Nem sequer sabia ao certo como tinha votado certas leis. E fez uma campanha que reuniu o pior da direita (o tradicionalismo bacoco) e o pior da esquerda (a retórica grandiloquente)."
O Insurgente: "Bloco de Esquerda: 3 leituras possíveis dos resultados
1) Louçã vale menos do que o partido.
2) Joana Amaral Dias vale cerca de 1%.
3) O Bloco de Esquerda está em quebra."
A Origem das Espécies: "Uma pequena frase de Alegre, que vai ouvir-se no PS: «Ficou a lição.»"
Blasfémias: "MANOBRA VINGATIVA
Alegre, o segundo vencedor da noite, está a falar e Sócrates 'interrompe-o' e faz a sua alocução ao mesmo tempo. Caninamente, as televisões seguem o primeiro-ministro formalmente derrotado."
Reciclemos: "Um não lê jornais, o outro não vê televisão"
ABNEGADO: "A noite televisiva das presidenciais foi cansativa.
Novo-riquismo a rodos nos cenários da SIC e da RTP, inacreditável número de “convidados” - alguns dos quais não chegaram a fazer qualquer intervenção.
Acompanhando a TVI ficou uma sensação de amadorismo, ouvindo-se com frequência as conversas de bastidores dos repórteres, troca de nomes, desnorte."
Blogame mucho: "Em perfeito contraste, Mário Soares foi iluminado por uma qualquer inspiração redentora. Limpou, diligentemente, a mancha quase desonrosa da campanha iníqua e desastrada. Perdeu e saiu pela porta da frente, sábio, ao tornar invisível a sua derrota pessoal e ao deixá-la inteira e, afinal, merecida, ao perdido Sócrates e ao PS."
Pólis: "A frase da noite
«Só é vencido quem desiste de lutar»…"
A Origem das Espécies: "Os que durante um mês e meio anunciaram a tragédia, o desastre, a catástrofe, o golpe de estado, miséria no lar, sangue na estrada, reviravoltas e tristezas, vão agora tirar o cavalinho da chuva e fazer marcha-atrás, como se não tivesse acontecido nada. Como se esperava. Mas há uma vantagem no nosso tempo -- tudo isso está registado. Não conseguirão esconder que transformaram a campanha eleitoral numa guerra de carácter, pessoal, sem «fair-play democrático» (a expressão é de Soares ao reconhecer a derrota), tentando ganhar pelo medo, pela queixinha ignóbil e pela arrogância."
portugal contemporâneo: "A entrada, de novo, de Cavaco Silva no jogo político retirará ao personagem a dimensão sebastianista com que alguma direita foi alimentando o mito. Com a sua ida para Belém, a direita ficará mais uma vez desprovida da sua única referência mítica, referências sem as quais dificilmente consegue ter vida própria. Cavaco passou, desde ontem, de expectativa a responsável e não irá queimar o seu capital político em jogadas de bastidores. Fará aquilo que lhe compete: acompanhará o governo no melhor e no pior. Os sistemas de governo semipresidencialistas têm destas coisas: são, como os casamentos, supostamente para toda a vida."
portugal dos pequeninos: "A sua eleição tem também um significado pedagógico importante. Cavaco sofreu uma derrota e não desistiu. Esperou metodicamente por esta vitória. É curioso que tenha sido um homem da não esquerda a dar este exemplo de paciência democrática. Por outro lado, pôs-se um termo à falaciosa e fantasiosa ideia de que determinadas funções de Estado têm donos. Não têm. Têm eleitos. Finalmente, houve muita gente, muitos preconceitos e muitas vaidades derrotados nesta breve noite eleitoral. A eles iremos depois. Só uma nota final relativamente 'às décimas'. Numa eleição presidencial, perde-se ou ganha-se absolutamente. Cavaco ganhou absolutamente. Todos os outros cinco perderam absolutamente."
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