22 de fevereiro de 2006

Não é o tema mais interessante ou pertinente, mas qualquer pretexto serve para mexer no Photoshop e no Excel. Esta semana, colocamos em foco as audiências e a popularidade dos blogs.
A discussão, no Verão passado, sobre as estatísticas e a influência dos blogs, accionada pelo artigo no Expresso, "Blogosfera: popularização em curso", de Paulo Querido, teve o Blogómetro como pano de fundo, que ficou conhecido como o «top de popularidade da blogosfera portuguesa». O Blogómetro recolhe e ordena numa tabela os dados relativos à média diária de visitas de aproximadamente dois milhares de blogs portugueses que têm o Sitemeter instalado, um dos serviços mais populares de contagem de visitas.
Uma das objecções levantadas ao artigo do Expresso esteve relacionada com o método utilizado para determinar o blog mais lido da blogosfera. Não é essa a questão que aqui vai ser tratada, uma vez que não dispomos dos dados nem dos procedimentos exactos adoptados para reproduzir o cálculo feito por Paulo Querido, mas a discussão em torno do artigo levantou outra questão igualmente interessante. O que deve ser mais importante para determinar a influência ou popularidade de um blog: a média diária de visitas ou o número de ligações recebidas? A audiência ou a citação?
Continua depois do salto.
Na discussão que se seguiu à publicação do seu artigo, Paulo Querido apresentou bons argumentos para defender que as audiências são o instrumento mais fiável de medição da popularidade ou leitura de blogs. Paulo Querido contesta a utilização do Technorati como instrumento de medição de influência, na medida em que este apenas devolve o total acumulado de hiperligações feitas ao longo do tempo a um blog. «O Technorati é "cego", entre outros factores, ao tempo: um link feito para saudar o Abrupto há dois anos permanece na contabilidade – ainda que o autor tenha morrido, deixado aquele blogue ou simplesmente deixado de ler o Abrupto.» (link)
Um artigo recentemente publicado na revista New York, intitulado Blogs to Riches, oferece uma perspectiva semelhante do fenómeno: «First-movers get a crucial leg up in this kind of power-law system. This is certainly true of the blogosphere. If you look at the list of the most-linked-to blogs on the top 100 as ranked by Technorati—a company that scans the blogosphere every day—many of those at the top were first-movers, the pioneers in their fields. With 19,764 inbound links, the No. 1 site is Boing Boing, a tech blog devoted to geek news and nerd trivia; it has been online for five years, making it a grandfather in the field.
In scientific terms, this pattern is called “homeostasis”—the tendency of networked systems to become self-reinforcing. "It’s the same thing you see in economies—the rich-get-richer problem," Shirky notes.»
O “factor-vaidade” é outra das fragilidades apontadas. «O Technorati não nos esclarece sobre quantos dos links directos ao Abrupto resultam da moda (…). Assim, o sistema das referências cruzadas tende para cristalizar e valorizar os mais antigos. Acresce que o Technorati também não nos esclarece sobre os reais motivos que levam algumas (…) pessoas a ligar um post de JPP na esperança de lhe atrair o olhar ao respectivo blogue e obter a sinecura de uma citação que nesse dia fará disparar as modestas audiências.»
Paulo Querido não despreza o valor da citação, mas na sua opinião não existem actualmente mecanismos para determinar com segurança o seu valor exacto.
A citação é a moeda de troca da blogosfera, à semelhança do que acontece no meio académico (onde um autor ou obra pode ser repetidamente citada ou cair na obscuridade) e jornalístico (a importância de uma estória também se mede pelos artigos subsequentes a que dá azo noutros órgãos de informação), entre outros inúmeros sistemas sociais. Volto a recorrer ao artigo da New York para fazer luz sobre a importância da citação na blogosfera: «Because they are the most important and visible measure of a site’s popularity. Links are the chief way that visitors find new blogs in the first place. Bloggers almost never advertise their sites; they don’t post billboards or run blinking trailers on top of cabs. No, they rely purely on word of mouth.»
A citação constitui assim um eco de interesse por parte de outro blog, seja um eco de desacordo ou afinidade.
O Technorati, um motor de pesquisa que devolve o número de referências feitas a um endereço no universo mundial dos blogs, parece ser a escolha mais óbvia para proceder à quantificação dessa “rede de citações” da qual cada blog faz parte.
O pressuposto é de que o número de citações ou hiperligações constitui um indicador válido da popularidade desse blog. Nesse sentido, um blog muito influente será capaz de despertar feedback de outros blogs, à semelhança do que acontece na publicidade. Nos blogs, o número de visitas está para as citações, como as exposições ou impressões estão para os hits na publicidade. Um placar a anunciar um produto pode ser visto por muitas pessoas, mas o valor crucial é o número de pessoas que em resultado dessa exposição irá eventualmente comprá-lo. Aproveitando a analogia para os blogs, o que está em causa é a capacidade de um blog para gerar interesse, debate, até mesmo conflito, através da citação.
O problema, todavia, com esta valorização das citações sobre as visitas, está na constatação de que, regra geral, a citação e o número de visitas estão inextrincavelmente relacionados. Salvo raras excepções, um blog muito citado não recebe poucas visitas, e vice-versa.
Uma comparação da média diária de visitas dos blogs no Top10 do Blogómetro com a quantidade de hiperligações que receberam desde sempre no Technorati, reforça a ideia de que as duas variáveis trabalham melhor em conjunto do que isoladamente. A comparação revela que alguns dos blogs mais visitados são também aqueles que recebem menos referências.
(clicar para ampliar)
A explicação para este fenómeno é óbvia, como refere a New York, a propósito do Fleshbot (um blog sobre sexo): «A link is, in essence, a vote of confidence that a fan leaves inscribed in cyberspace: Check this site out! It’s cool! What’s more, Internet studies have found that inbound links are an 80 percent–accurate predictor of traffic. The more links point to you, the more readers you have. (Well, almost. But the exceptions tend to prove the rule: Fleshbot, for example. The sex blog has 300,000 page views per day but relatively few inbound links. Not many readers are willing to proclaim their porn habits with links, understandably.)
Na opinião do autor do Estranho Estrangeiro, «a blogosfera portuguesa começa a ser invadida pela lascívia bruta – ao contrário dos relatos obsceno/refinados do Pipi –, o que traduz uma massificação da blogosfera, outrora “abruptizada”, ou elitista. A influência pública de um desses albergues de salacidade é nula, assim como a sua credibilidade. Reconhecendo o espaço de todos, não posso doar credibilidade intelectual a quem se limita a exibir erotismo ou pornografia. (...) Se a blogosfera espelha, de algum modo, a conjuntura nacional, é a vacuidade do sexo e do futebol que predomina, e inclemente, conquista mais terreno» (link).
(clicar para ampliar)
Outra experiência interessante consiste em colocar lado a lado o Top10 do Blogómetro e o Top10 do Technorati. Em contraste com o Top10 do Blogómetro, o Technorati oferece uma representação da blogosfera na qual nos podemos reconhecer facilmente (quem não visitou já o Abrupto, conhece o Causa Nossa e evita abrir os Marretas no emprego?...), isto apesar de não deixar de ser uma imagem da blogosfera diferida no tempo. Neste sentido, Paulo Querido tem razão quando aponta o factor tempo como uma das principais fragilidades do Technorati.
O lançamento do Google Blog Search, em Setembro de 2005, podia contornar este problema, dado que permite a pesquisa por intervalos de tempo, mas o Google Blog Search debate-se com uma fragilidade ainda maior, relacionada com o número substancial de blogs que deixa de fora dos seus resultados, por motivos técnicos. Ainda assim, os resultados obtidos no GBS reflectem em termos relativos a tendência registada no Technorati. Os blogs pornográficos tendem a receber menos ligações que os outros blogs, em termos absolutos e num intervalo específico de tempo (1 a 14 de Fevereiro).
O caso dos Blogs do Sapo é particularmente flagrante, por se tratar da maior comunidade de blogs portugueses (já ascende a quase um milhão o número de artigos publicados na plataforma). À semelhança dos blogs eróticos e pornográficos, os Blogs do Sapo também são altamente penalizados nos motores de pesquisa dedicados aos blogs.
Embora esta ausência dos motores de busca se deva em grande parte a motivos técnicos, da responsabilidade do Sapo.pt, não deixa de ser extremamente raro um blog ali alojado cruzar-se na tal rede de citações. Quer o distrito vermelho, quer o distrito verde (!) da blogosfera praticamente não existem na “rede de citações”. Em termos reais, a influência destes sítios na blogosfera é diminuta, senão mesmo inexistente. Como nota de rodapé, refira-se que o próprio Blogs do Sapo retirou da sua página inicial a ligação para o "top" dos blogs mais visitados na plataforma.
Em qualquer dos casos, voltamos à pergunta inicial. O que deve contar mais? A média diária de 9789 visitas do Aqui é só gatas ou as 63 ligações que o Abrupto recebeu só nos últimos 14 dias, segundo o Google Blog Search?
A resposta a esta pergunta parece depender, em grande parte, da representação que cada um faz da blogosfera, da sua porta de entrada nos blogs, dos seus locais de passagem predilectos e do tipo de navegação que faz. Idealmente, a solução passa pelo cruzamento dos dados referentes às visitas e ligações recebidas, de modo a calcular um coeficiente de audiência e influência ou popularidade. Estando na posse dos dados e tendo as tabelas de Excel construídas, não pudemos deixar de fazer o exercício matemático. A tabela resultante, no entanto, apresenta demasiadas inconsistências para enumerá-las a todas. Para além do factor tempo (a média diária de visitas é incompatível com o total de ligações acumulado ao longo do tempo), o maior problema deste coeficiente está relacionado com a sobrevalorização das ligações sobre as visitas, e a penalização de blogs com valores elevados em ambas as variáveis.
O que parece certo, no entanto, é o crescimento da audiência da blogosfera, patente no número de blogs que actualmente recebe em média mais de 1000 visitas por dia, em comparação com o que sucedia em Fevereiro de 2005 (clicar na tabela para ampliar). O incremento registado no número de visitas sugere que o número de leitores na blogosfera continua a aumentar. Paulo Gorjão, autor do Bloguítica, parece ter razão ao afirmar que «a blogosfera funciona de acordo com as regras de um jogo de soma relativa. Novos players implicam novos leitores -- i.e. um bolo maior -- e fatias mais gordas para (quase) todos. (…) Quanto muito a questão é outra: é preferível estar no Top 10 com uma média semanal de mil leitores por dia, ou estar abaixo do Top 10 e ter seis mil leitores diários?».
Adendas:
[1] Todas as tabelas dizem respeito a blogs que constam do Blogómetro. Naturalmente, podem existir outros blogs portugueses com quantidades maiores de ligações e/ou visitas que, por algum motivo (podem não ter o Sitemeter instalado ou ser recenseados pelo Blogómetro, entre outros), ficaram de fora.
21 de fevereiro de 2006
Cibertúlia
Os Cavaleiros Camponeses no Ano 1000 no Lago de Paladru
Que é ter uma colecção de panos da loiça feitos a partir de primeiras páginas do 24 Horas. Alimento-o há um bom par de anos. Tenho a certeza que daria uma cozinha alegre, bonita. Mas só por acaso é que estou a dizer isto hoje. Juro. Seja eu fulminada por uma pilha de CDs (podem ser de Gil Evans) caída subitamente do céu se não é por acaso. É verdade. Não tenho nada na manga. Só mesmo este sonho singelo, doméstico, inofensivo, puro."
Estranho Amor
um voo cego a nada
Ela:
- Olha o Orgulho e Preconceito. Já há em dvd.
Ele:
- Não deve ser o mesmo.
Ela:
- Mas é o mesmo nome.
Ele:
- Este deve ser o um e o outro deve ser o dois. E este é com a Jane Austen, e o outro não era com a Jane Austen."
french kissin'
19 de fevereiro de 2006
Jornalismo e Comunicação
18 de fevereiro de 2006
ABRUPTO
nelson d'aires
«Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural
DEUSA DO LAR
17 de fevereiro de 2006
Uma música, cinco ecos da blogosfera.
Faking the books (excerto), Lali Puna
1. Listas: "Its a wintry album of cold, quirky Radiohead-tronica."
2. Omissão Impossível: "“Faking the Books”, o terceiro álbum dos Lali Puna foi lançado em 2004. O electro-pop dos Lali Puna, bem peculiar e com certas doses de experimentalíssimo, com destaque para a suave voz de Valerie Trebeljahr, vem ganhando admiradores."
3. universos desfeitos [arquivo do Google]: "Faking the Books (...) retoma as experiências no domínio de uma electrónica repleta de melancolia como suporte privilegiado para a voz frágil e delicada de Valerie Trebeljahr. Não obstante, ao clima atmosférico dos registos precedentes, este Faking the Books envereda por uma espécie de pop-rock com o ruído a espreitar permanentemente por trás dos arranjos electrónicos. Cria-se, assim, uma interessante conjugação de elementos sonoros que consegue, a espaços, algumas melodias assaz cativantes. Não tem nada de genial, nem precisa. É despretensioso quanto baste e esse é o seu melhor argumento."
4. Some Candy Breakfast: "Faking The Books es un disco para amaneceres y madrugadas, cromatismo azuloso y ensueño... momentos tibios pero no calurosos, momentos de peleas con las sabanas y una cuasi lucidez placentera. Las melodias se sienten suaves como flotando pero cada riff te sostiene para que no te vayas muy alto. Un trabajo terrenal pero que al mismo tiempo mira hacia las nubes y de vez en cuando mas allá (Alienation por ejemplo preguntandonos Is the truth you see left celluloid? ) hacia las estrellas."
5. RTP [arquivo do Google]: "Se já falei aqui de chocolates, “Faking the Books” será assim um desses bem cremosos, para se saborear de forma delicada e com o tempo suficiente para se ir derretendo na boca. (...) Pode não sobreviver (porque não é, de facto) como um álbum de referência. Pode até nem vir nas listas de álbuns do ano. Mas ouvi-lo produzirá sempre esse viciozinho de se querer partir e comer só mais um cubinho... até ao fim."
melancómico
O Governo português lançou uma OTA sobre a sociedade portuguesa."

Há alturas em que preferimos ficar atrás da câmara, até porque não produzimos quase nada de original neste blog, mas esta simpática referência no Charquinho e o generoso destaque no Bomba Inteligente consegue roubar um sorriso a qualquer um. Obrigado.
Mr. Oizo
underworld
Projector Lunar
o último metro
os ventos, sopram a 1800 km/h."
Miniscente
A Origem das Espécies
16 de fevereiro de 2006

1. Overheard in New York (versão de NI da Orelha Pública do Galarzas)
2. Bluejake (o melhor fotoblog da cidade)
3. NewYorkMark (o «humor fino e inteligente» de um verdadeiro habitante de NI)
4. Zach Klein (geração X de NI)
5. Gothamist (diário sobre a cidade)
A Memória Inventada
monólogo da isabel
Ma-Schamba
Jornalismo e Comunicação
15 de fevereiro de 2006
Albergue dos danados
14 de fevereiro de 2006
(recolha feita a partir do Blogs em .pt)
LJCC: "Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Ao principio era uma necessidade. Faltava isso em nos. Um espaço para discutir as nossas ideias, dar ideias, partilhar em geral um pouco de tudo de nos....com os outros.
Depois chegou a rotina, os posts todos os dias, a leitura matinal entre uma meia de leite caseira duas fatias de torrada e a espera para o frio da manha.
Mas o ontem ja passou com a pressa do tempo, e o hoje parou. Ja discutimos isto antes. Discutimos entre nos. Decidimos esperar.
Mas chegou a altura de como os Americanos dos filmes de Hollywood de 'pull the plug' no Ljcc. Ja ninguém aqui vem, e desejamos que este primeiro passo do universo JCC no mundo dos weblogs guarde para sempre o seu brilho."
Leituras cruzadas: "Quarta-feira, Julho 16, 2003
teste"
insanidade mentol: "Tuesday, July 01, 2003
O blog que possuo está a tornar-se naquilo que precisamente condeno. Algo efémero, localizado, sem qualquer tipo de conteúdos que eu considere minimamente razoáveis para durar ou sequer responder a qualquer tipo de problemas. No início era engraçado pois não havia muitos blogs e era novidade, mas agora não é mais que um entre muitos. A questão das visitas é preponderante, mas não por causa de outros blogs. Tenho recebido centenas e centenas de visitas diárias devido a vários factores, sem que o que escrevo mereça, de todo, essa afluência. Por ora acho que terminarei o blog. Mas irei criar outro brevemente com uma equipa maior e mais elaborado, que valha realmente o esforço de conceber."
Imaginem que: "Quarta-feira, Julho 02, 2003
PS. Este blog não vai encerrar, vai ser restruturado e virá com força e novo sangue de gente nova. "
Fora da Lei: "Terça-feira, Dezembro 07, 2004
Ferido de morte, talvez nado-morto
Este blogue chega ao fim sem nunca ter realmente começado. Obrigado pela atenção."
Joao Barbosa: "SITE INDISPONÍVEL TEMPORARIAMENTE"
Direito Público: "Segunda-feira, Junho 23, 2003
Com a criação deste blog deseja-se criar um espaço onde se discutam aberta e livremente temas de Direito Constitucional e Administrativo.
Espera-se que toda a comunidade jurídica participe discutindo estes assuntos de tão grande interesse !"
::: Diários de Madrid :::: "30.9.05
Is anybody out there?..."
De Esquerda: "Monday, November 22, 2004
Nem sequer recordo o ultimo post que aqui fiz, o que traduz a realidade do nosso blog e de muitos outros. Recordo, no entanto, que apos a entrada dos politicos e dos jornalistas profissionais na blogsfera, ter dito ao Manuel que a blogsfera tinha entrado em fase terminal. Pelo menos a blogsfera que nos entusiasmou e que nos fez querer partilhar aquilo que exprimiamos em privado. O De Esquerda chega ao fim, e o De Direita tambem. E caso para dizer que o Flecha Vermelha chegou a estacao."
da provincia: "Quarta-feira, Outubro 15, 2003
(continua)"
Clouds Taste Metallic: "Tuesday, June 29, 2004
o tempo está doente."
Casa onde não há pão...: "Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Pérolas dos noticiários
De acordo com acordo com o noticiário da SIC de hoje, um homem em Valongo 'Matou a mulher e em seguida suicidou-se'.
Explicou o apresentador, depois de proferida a manchete, que ocorrera o facto perante os filhos do casal, que o fulano fugiu em seguida e matou-se e, finalmente, que a mulher se encontrar em estado de coma."
caderno A6: "Quarta-feira, Setembro 10, 2003
A pergunta que se coloca agora, é se o silêncio dos órgãos de comunicação social se revela suficiente para calar ou anular quaisquer consequências que poderião advir deste fenómeno. Se sim, está feita a prova dos nove do real poder dos blogs. Se não, veremos, mas para o bem e para o mal, de certeza que alguma coisa inesperada surgirá."
Caixinha de Pandora: "4.25.2005
roubaram o meu blofg"
*asteriscos: "Tuesday, February 10, 2004
acho que vou abandonar o blog.
talvez nao, que vou ter net em casa. assim talvez o use um bocadinho mais.
nao sei... mas alguem ainda vem aqui?"
A Net Morreu (Ou Quase): "Ok, a Net não morreu, mas este Blog é dedicado aos sites nacionais que desapareceram sem deixar traço."
apatia: "Quarta-feira, Outubro 06, 2004
Graças a este espaço conheci pessoas (bem, só me lembro de uma, mas basta ela para justificar o dito), troquei ideias, mais ou menos interessantes, mais ou menos amigáveis. Obrigado a quem passava por cá regularmente. Espanto-me com isso, mas c'est fini.
Um dia tenho uma ideia (coisa que tem faltado) e abro outro blogue. Porque eu gosto disto. Só não o sei como fazer. Por enquanto.
Até já."
A Espada Relativa: "Domingo, Setembro 12, 2004
Quando este blog foi criado queriamos fazer dele um espaço plural de ideias e conceitos e mesmo de vidas. Como por tempo que considero excessivo este blog se mantêm um solilóquio, este blog está suspenso. Até que ganhe de novo sentido."
a buzina do meu carro é ridícula: "11.6.2003
Tift Merritt - Bramble Rose
As canções tristes começam sempre nos semáforos. Nós tombamos a cabeça."
Absurdo Testamento: "Monday, August 25, 2003
menos um"
13 de fevereiro de 2006
a mulher que ia contra as portas' Journal
Blogouve-se: os postais de um ouvinte (por coincidência, jornalista) com opinião: Quando quatro jornalistas se juntam a escrever
A Memória Inventada
Palhaço: Torneio Freitas do Amaral (2)
CHARQUINHO
Quatro Caminhos
12 de fevereiro de 2006
11 de fevereiro de 2006
Salto
A imagem mais marcante desta semana, na nossa opinião, é da autoria do Fotoben, e foi tirada no Vale de Barcarena (Oeiras) durante o pôr-do-sol. Também gostámos desta fotografia da Serra da Estrela.
Pedro Rolo Duarte revisita a blogosfera num artigo de opinião no Diário de Notícias.
A obra Tower Legends, de 1932, por Bertha Palmer Lane e agora disponível na íntegra na internet, sobre as lendas e os mitos associados ao longo da história às alturas das torres.
Since ancient times, towers have made a poetic appeal. Towers of many kinds, in all ages and in all countries, have met varying needs. There have been watchtowers, lighthouse towers, cathedral towers, clock towers, bell towers, towers to commemorate victory, towers to guide the air-men, towers to receive radio messages, towers to honor the living, towers to celebrate the dead. Whether low towers or lofty towers, all have significance.
Um possível atlas do Universo, que coloca em perspectiva a imensidão das distâncias que nos afastam e aproximam.
Igualmente, uma perspectiva aérea fascinante da Cidade do México.
No Posto de Escuta, 5 factos sobre o Abrupto, que fez uso de um pequeno mas útil programa de análise de documentos de texto.
What if é a questão que abre o artigo de opinião assinado por Tom Zeller Jr, no New York Times, sobre os leões da internet transformados em tigres de papel na China (registo gratuito necessário).
Os Portões de Gates, um artigo de opinião assinado por Lourenço Medeiros, editor de Novas Tecnologias da SIC, no qual relata os esforços da Microsoft para controlar até ao milímetro a cobertura mediática da visita de Bill Gates a Portugal, incluindo o recurso à censura:
Todo o Fórum da Microsoft em Portugal tinha a informação extremamente controlada. Lá dentro havia sessões só para participantes (é normal) e sessões plenárias a que uns, poucos, jornalistas convidados pela empresa podiam assistir. Até aqui tudo bem. Mas todo o material vídeo e fotográfico era controlado. Dois fotógrafos e uma equipa de vídeo garantiam as imagens que depois eram distribuídas aos jornais e televisões.
A versão oficial da Microsoft afirma que isto é feito por questões de privacidade. Claro que também é para evitar que saia alguma imagem desagradável. O que não esperava é que a própria conferência de imprensa fosse censurada.
Um blog com uma ideia subjacente original: seguir durante um ano as 365 sugestões bem-humoradas para mudar de vida do livro This Book Will Change Your Life. Cada entrada inclui a sugestão do livro para cada dia e o que o autor deste blog fez para cumpri-la.
Uma forma diferente de dispor livros numa livraria, por cores... No fundo da página encontra-se uma ligação para um artigo sobre a livraria em causa.
Por último, a nossa ligação preferida da semana, que proporciona uma viagem por vários países através do som, da chuva, dos sinos das igrejas, de crianças a brincar na rua, etc. No Quiet American.
DOTeCOMe...o Blog
Esta autêntica avalanche de informação digitalizada está a converter-se, pela sua própria dimensão, num factor estruturador da actividade económica e não só.
Ela explica o sucesso explosivo do Google (que no fundo apenas vende 'atenção' dos internautas para determinados conteúdos) e agora também as pretensões dos proprietários das redes de banda larga (que no fundo vendem apenas facilidade de acesso). "
a-metamorfose: A blogosfera portuguesa voltou a ter dimensão fractal
10 de fevereiro de 2006
Uma música e cinco ecos da blogosfera, para ler e ouvir.
«Chicago» (excerto), de Sufjan Stevens
1. A premissa de Sufjan é simples: conhecer os estados norte americanos, assimilar os mais pequenos pormenores e converter toda a informação recolhida no terreno em palavras e música a condizer. Sufjan é um song writer caixeiro-viajante que assimila tudo o que vê e sente, seja cultura urbana -e todos os seus aspectos mais decadentes- como consegue vibrar com a mais parola simplicidade da vida no campo, ele ama, canta, chora, pensa, abstrai-se e sonha... in RBS
2. O segundo da série que vai dedicar a cada um dos Estados Norte-Americanos e o mais mostrado até agora, ou não fosse o feliz recipiente de pérolas adoráveis como Chicago ou Come on feel the Illinoise. Imagino agora o que seria fazer algo parecido em Portugal. Já estou a ver, títulos como Vem sentir o Algarve, Os trabalhadores da Beira Baixa ou Bezouros de Trás os Montes. in As Aventuras da Menina-Mulher
3. Compreendi agora que, tal como livros e pessoas, por vezes são eles que nos encontram.
Ouvi-a na Radar e desde os primeiros acordes decidi que tinha de a encontrar, de tão apegado. No imediato (dias) PROCUREI-A, falhando totalmente quer pelo nome, quer pelo progenitor quer ainda por possíveis enquadramentos de género.
Esqueci-a, como se esquece por vezes aquilo que vai só na voracidade do desejo.
Conduzia para o Algarve, escutando uns cd's especialmente gravados para a ocasião, seleccionados a partir das habituais listas dos melhores discos de 2005. Então, no meio da escuridão do alentejo, ela encontrou-me.
Ouvi-a de novo.
As músicas também nos encontram quando menos esperamos.
"Chicago", de Sufjan Stevens - "Illinoise" (2005) in Corpo e Alma
4. Depois de viciada em Anthony & the Johnsons e em Arcade Fire, agora não consigo parar de ouvir Sufjan Stevens. Chicago é, sem dúvida, uma das minhas favoritas. in Mi mamá me mima
5. È bom ver chegar e partir as pesssoas e ficar. Também é bom ver ficar as pessoas e partir.
È bom ouvir Sufjan Stevens – “Chicago”- enquanto as pessoas vão e vêem. È bom ter tempo.
È bom saber que podemos partir em qualquer altura ou ficar. È bom ficar. Também é bom partir. in Será que os pássaros pensam enquanto voam?
(continua)
Linha dos Nodos
Arquivo Fantasma
perguntar não ofende
O Espectro
rititi
Homem a Dias
Klepsýdra
9 de fevereiro de 2006
Mau Tempo no Canil
Notas Várias
monólogo da isabel
1. O Abrupto é feito de aproximadamente 838.026 palavras, das quais 67.020 são vocábulos únicos (como referência, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea contém 270.000 vocábulos).
2. "De" é a palavra mais utilizada, 28.619 vezes para ser preciso. Portugal é o substantivo próprio mais frequente (647 ocorrências) e política é o mais comum substantivo abstracto (629).
3. Em quase três anos, o Abrupto publicou mais de 4400 entradas, o que dá uma média de 4.3 artigos por dia.
4. Por cada hiperligação que faz, o Abrupto recebe 1107 hiperligações de volta, de acordo com o cálculo do Blogshares.
5. Segundo a Bravenet, o Abrupto recebeu 2 milhões de visitas desde Junho de 2003, a maior parte das quais à segunda-feira.
A lista de cinco assuntos ou objectos desta semana merece uma explicação mais alongada. Encontrado através do Lifehacker, o TextStat é uma ferramenta de análise de documentos de texto (Word, ficheiros em HTML, etc) que produz uma lista de palavras ordenadas pela sua frequência e concordâncias, independentemente da língua em que o texto foi escrito. Para além do número de ocorrências de uma palavra em particular, também se pode ficar a saber do contexto em que ocorre e exportar essa informação para Excel, entre outras alternativas.
Para o nosso primeiro teste, fizemos questão de utilizar um corpus de análise suficientemente vasto que permitisse extrair resultados minimamente representativos do seu contexto, autor e meio de comunicação. É aí que entra o blog de José Pacheco Pereira, e em particular as suas 36 páginas de texto, equivalentes a aproximadamente 1265 páginas A4. O potencial desta pequena aplicação (o ficheiro de instalação tem menos de 3 MB) desenvolvida e distribuída gratuitamente pelo Departamento de Linguística da Universidade de Berlim é vasto, nem que seja para saciar alguma curiosidade frívola. De que outro modo poderíamos ficar a saber que certamente é o advérbio mais utilizado por JPP?
6. No último ano, o maior pico de visitas do Abrupto registou-se nas primeiras semanas de Fevereiro de 2005.
7. De manhã, às 10 horas, é a altura mais habitual para a publicação de um artigo no Abrupto.
8. O não ganha ao sim (9314 contra 307).
9. Blogue é referido mais vezes do que blog.
10. Soares é referido mais vezes do que Cavaco e PSD mais vezes do que PS.
11. Uma pesquisa no Google por blog Abrupto devolve 193 mil resultados.
12. 150 é o número de INTENDÊNCIAS feitas até hoje no Abrupto.
13. JPP já esteve 9 vezes de CORRIDA e 13 DE REGRESSO.
14. A duração das visitas ao Abrupto é maior ao fim-de-semana.
15. Os LEITORES já fizeram o Abrupto 343 vezes.
16. O Espírito prevalece sobre a Oportunidade.
17. JPP prefere a Montanha à Praia, mas por pouco (57 vs 40).
18. Certamente é o advérbio mais utilizado no Abrupto (100 vezes). Exactamente é o segundo mais utilizado (94).
19. O Abrupto é citado ou referido 177 vezes no Posto de Escuta (188 a contar com este artigo).
20. JPP conjugou duas vezes o verbo hesitar na primeira pessoa do singular. Hesito também é a última palavra da lista de 67 mil outras utilizadas.
Aspirina B
O Espectro
8 de fevereiro de 2006
Num texto de opinião no Diário de Notícias de hoje, intitulado «Mais vale tarde...», Pedro Rolo Duarte retracta-se em relação à sua crónica «A blague dos blogues», publicada em Junho de 2003 no extinto DNa, e à sua afirmação de que a escrita em blogs por pessoas com acesso aos jornais e à opinião pública era «um exercício de vaidade pura».
Dois anos depois (e muita pancada levada em tudo o que era blogue nacional, como se tivesse criticado o meio em si, o que obviamente não sucedeu...), no momento em que vejo Vasco Pulido Valente chegar à blogoesfera, não resta palavra sobre palavra desse meu texto. Engoli-as todas, uma a uma, humildemente. Confesso que há sempre um bom bocado do meu dia que é passado a saltitar de blogue em blogue, lendo o que pensam aqueles que respeito ou admiro, ou descobrindo talentos desconhecidos. Tenho a minha lista de favoritos. E já tive, heresia das heresias, a tentação de criar o meu próprio blogue...
Embora seja necessário manter a questão em perspectiva, em função da sua real importância e daquilo que era, afinal, uma opinião legítima, e que foi em muitos casos treslida, não deixa de ser preciso coragem para admitir que se estava errado (esteja ou não realmente).
(via Engrenagem)
A Memória Inventada
JURAMENTO SEM BANDEIRA
Jornalismo e Comunicação
A propósito: quantos portugueses saberão o que são 'cartoons'?"
7 de fevereiro de 2006
Jam Session
Um café, uma barbearia, outra barbearia, outro café. Velhotes a jogar às cartas, velhotes ao sol sem fazer nada, velhotes a falar alto e bom som do Benfica. Malta nova, aos grupos de três ou quatro, espalhados pela rua, a controlarem quem passa.
'Continua, olha em frente, mostra confiança'. Acelero o passo e avanço.
Passo por uma casa em ruínas, vem música alta lá de dentro. 'Ui, tanta gente aqui à porta. E ali naquela esquina? Aqueles tipos deram dinheiro àquele outro? Humm... será que...'
De que é que estava à espera? Tento ignorar, e continuo. Là está o meu destino, afinal parece que vai correr tudo bem. Uma última curva e... já está.
Afinal não custou nada. De certeza que à volta vai ser melhor."
a.estrada:
O anúncio ontem da venda do Weblog.com.pt ao portal aeiou.pt assinala uma nova etapa na evolução do primeiro e mais reconhecido serviço português de alojamento de blogs. A mudança de mãos da plataforma também constitui um marco pessoal para o seu fundador e único responsável. Em comunicado, publicado na plataforma, Paulo Querido explicou que a venda ao aeiou.pt garante ao serviço “a estrutura profissional que faltava”, numa altura em que a sua capacidade de resposta se tornara insuficiente face às exigências de uma comunidade com mais de dois mil utilizadores e a crescer.
Sobre o futuro, Paulo Querido deposita confiança na capacidade da AEIOU para “fidelizar comunidades respeitando-as”, e para manter o espírito comunitário do Weblog.com.pt. “Nunca me passou pela cabeça vender o weblog.com.pt a empresa na qual não confiasse”, garante.
Há algumas semanas, tive a oportunidade de realizar uma entrevista por escrito a Paulo Querido, sobre a sua experiência pessoal enquanto fundador e administrador do Weblog.com.pt, e outros projectos pelos quais é o único responsável, como a Blogopédia, uma enciclopédia sobre blogs e autores portugueses, e o Do Melhor, uma versão portuguesa do Digg.com, um sítio que agrega notícias e conteúdos com base na votação dos seus utilizadores, e no qual Querido diz ver uma nova forma de jornalismo social.
É essa entrevista, realizada antes da venda do Weblog.com.pt, que publicamos hoje no Posto de Escuta, depois do salto.
Entrevista
Pedro Neves: Começando pelo início, como é que surgiu a ideia de criar o Weblog.com.pt?
Paulo Querido: Não foi exactamente uma ideia que surgiu, não no sentido em que nascem os projectos a partir de uma ideia. Em 2003 aceitei escrever um livro sobre blogs (publicado pelo Centro Atlântico), a meias com o meu amigo Luís Ene, que é o grande responsável por eu ter aderido à blogosfera. Para preparar o livro, instalei um
editor de blogs, para ver como funcionava. Registei um domínio a pensar em ter lá o meu blog e os dos amigos, que estavam num domínio pouco conveniente. O weblog.com.pt nasceu desta forma despretensiosa, não foi pensado nem projectado de início como um alojamento profissional.
PN: Implementou a ideia e inaugurou o Weblog.com.pt em 10 de Junho de 2003. A data pode ter sido uma feliz coincidência, mas desde o início tem enfatizado o carácter nacional do portal. Qual é a importância de ter uma plataforma de blogs portuguesa, dada a natureza individualista de cada blog?
PQ: A data tem algo de especial, sim. Corresponde a um período da minha vida em que, por terapia, trabalhava 15 horas de domingo a segunda, feriados incluídos: no dia 5 de Junho separei-me (isto faz parte da história oficial do weblog.com.pt, mas nunca fora contado) e durante esse tempo mais não fiz do que trabalhar no código. No dia 10 abri o serviço porque foi nesse dia que o último "script" ficou pronto. Colei-me ao carácter nacional aproveitando a data mas somente com o intuito de relevar dois aspectos: a existência de uma alternativa em Português (o Blogger na altura não tinha o editor traduzido) e em Portugal, e o tráfego conta como nacional.
PN: Quão difícil foi criar de raiz um serviço de alojamento? Quais foram as principais “dores de crescimento” do portal?
PQ: As questões editoriais quase não se colocaram. Nestes quase três anos de vida fui obrigado a apagar um único blog, que violou as regras exibindo pornografia "hardcore" com anúncios a comércio sexual (tendo eu inclusive devolvido o dinheiro da
trimestralidade). Já tive contactos com a investigação judicial em duas ocasiões por causa dos conteúdos de dois blogs diferentes, não sei em que pé estão as investigações nem se há ou não matéria criminal. Tive um amigo e um familiar que ajudaram na animação da plataforma no início – aliás, entendo que sucesso do weblog.com.pt, que é hoje um local de eleição (por alguma razão as pessoas pagam para ter lá blogs, quando os podem ter grátis lá e noutros locais), se deve em grande parte ao carinho do Luís Ene e da minha irmã Guida.
As questões técnicas foram para mim fonte de alegria e prazer, e também de alguma tensão. Resolvê-las deu-me alento, fez-me aprender, recolhi um invejável traquejo sobre os bastidores da tecnologia que têm um impacto directo na minha actividade profissional: como jornalista estou melhor preparado para as temáticas que envolvem as tecnologias e informação – diria que estou razoavelmente preparado para enfrentar qualquer desafio jornalístico (e não só) que me coloquem nesta área.
PN: Em retrospectiva, tinha noção do investimento pessoal que teria de fazer?
PQ: É certo que sou temerário e aventureiro no sentido de abraçar projectos ousados
(tenho um longo passado), mas mesmo assim se tivesse um vislumbre do que me esperava, duvido que me tivesse metido nisto. Não estou arrependido, porque não sou pessoa de chorar sobre leite derramado – mas é evidente que perdi mais do que ganhei. Além de inimigos, ganhei apenas gozo pessoal. A admiração de alguns pelo meu esforço merece aqui ser ressalvada: estou-lhe muito grato e permitiram-me superar momentos particularmente difíceis. Mas não alimento ilusões.
PN: Até que ponto é que a plataforma depende do Paulo Querido? Já teve alguma oferta de “aquisição” ou compra do Weblog.com.pt?
PQ: A dependência já foi total, hoje é-o menos. A "máquina" pode continuar sem mim, basta que eu passe o testemunho e o mapa. Tarefa de uma semana e meia dúzia de reuniões.
Em finais de 2003 tive uma proposta de fusão. O weblog.com.pt teria acabado como marca e eu ficava com uma avença mensal para aturar bandos de crianças com LOLs e demais gatafunharia. Estive mesmo mesmo a aceitar, mas a tempo recuperei a lucidez e emendei a mão.
PN: Como é que um jornalista faz a transição entre observador não-participante e figura incontornável da blogosfera? Debateu-se com essa questão?
PQ: A questão é uma falsa questão por uma razão simples: eu não sou um figura incontornável da blogosfera, isso é um mito. O meu blog nunca foi citado na Imprensa e não faz parte do top 25 do Blogómetro ou do Technorati. Figura incontornável da blogosfera foi o Pipi, foi Pacheco Pereira e hoje não consigo nomear nenhum. Provavelmente já não há – o que, na minha modesta opinião, é saudável, diria mesmo óptimo.
Esta é a primeira vez que me entrevistam por causa dos meus putativos dotes como "blogger". Fui entrevistado recentemente, mas por dois livros que escrevi. As demais intervenções nada têm a ver com a "figura incontornável", mas com o jornalista especializado.
Mas é verdade que sou um empreendedor e até certo ponto activista, pois desenvolvi vários empreendimentos na Internet, alguns ligados ao jornalismo e outros não, acarinho outros sem dar a cara.
Não é novidade para mim, nem sou o primeiro jornalista que é observador e agente em determinados campos. Calculo que tenha sido muito mais difícil para camaradas meus ligados a partidos políticos, amigos de dirigentes de marcas de automóveis, ou familiares de ministros e gente das principais empresas. Para esses, sim, é difícil. Para mim, não. E há um código deontológico que nos ajuda.
PN: Que opinião tem acerca do seu papel no desenvolvimento da blogosfera portuguesa?
PQ: Até ontem eu responderia ter uma única certeza, a de que não ficarei por aqui. Hoje, já não sei. A vida é muito contingente. Talvez não volte a fazer nada "online". Talvez me dedique em exclusivo à escrita. Talvez prefira voltar a ter tempos livres.
Quanto à minha opinião sobre o meu papel, é fraca: fiz pouco onde podia ter feito muito mais e melhor.
PN: Relativamente à Blogopédia, será que faz falta uma enciclopédia sobre os blogs portugueses e os autores que os assinam? Sente que existe relutância por parte da maioria dos autores em prescindir do anonimato?
PQ: Pessoalmente, penso que faz. A blogosfera precisa de instrumentos que permitam credibilizar os seus membros. Não é por acaso que os citados pela Imprensa são sempre
os mesmos: é porque são os conhecidos, os que têm um currículo. Mas a comunidade parece ter um entendimento diferente do meu.
O anonimato é uma falsa questão e tem sido instrumentalizada por autores tidos por responsáveis. O direito ao anonimato em nada colide com o direito ao bom nome ou ao mero conhecimento informativo.
PN: O Paulo anunciou a chegada do DoMelhor como a chegada do jornalismo participativo português. Em que sentido é que a selecção de artigos ou ligações de interesse por um grupo de pessoas é jornalismo?
PQ: Num sentido restrito. Quando opinamos sobre a vida pública, quando tomamos uma posição política, estamos a ser políticos? Não o somos, temos é uma acção que faz parte da política. Da mesma forma, seleccionar notícias é uma das acções praticadas por um jornalista, que tem diversas "tesouras", ou crivos, à sua disposição para dirigir a escolha; um grupo de pessoas relativamente heterogéneo é uma "tesoura" no mínimo curiosa e, embora nenhuma das pessoas seja jornalista por via dessa escolha, o resultado da acção colectiva é ainda assim uma acção jornalística. Até no sentido em que intermedeia a realidade - na essência o jornalismo é uma intermediação entre o público e a realidade.
Apesar disto reconheço que talvez se usem com excesso de entusiasmo expressões como "citizen journalism" e jornalismo participativo, nem sempre aplicáveis ao que se está a descrever. Enfim, a rapidez a que tudo se processa nos tempos que correm é grande inimiga de acertos nas etiquetas.
PN: Em termos pessoais e profissionais, o que é que considera que ganhou nestes últimos dois anos com o Weblog.com.pt?
PQ: Em termos pessoais, um esgotamento. Hoje mal posso ler um blog. Em termos profissionais, uma maior capacidade de discernir o que aí vem e de avaliar o que estamos a produzir, hoje, na sociedade em rede. Sei responder com teoria, números, factos e aferições a pertinentes questões: quem dá e quem tira na blogosfera, as audiências da blogosfera, qual o impacto individual de cada blog, as idiossincrasias dos autores, as razões dos autores e, "last but not the least", quanto vale a blogosfera (e sim, estou a falar de dinheiro). Estas informações não estão no Google nem no Technorati nem no Blogpulse – nem nos três somados. Mas são importantes. Profissionalmente, sei as respostas. Foi o que ganhei.
6 de fevereiro de 2006
Vício de forma
George Steiner conta na sua autobiografia que, um dia, ouviu do pai, um homem de negócios bem sucedido: «tudo o que faço é para que tu nunca precises de saber o que é uma letra de câmbio». E não precisou."
5 de fevereiro de 2006
Oblivio: Stories and such by Michael Barrish
These days I feel stuck in how I think, stuck in the life defined and delimited by my thoughts. It seems the best prisons rarely require bars and walls."
INDÚSTRIAS CULTURAIS
perguntar não ofende
4 de fevereiro de 2006
As Aranhas
Ao longo da última semana fizemos aproximadamente 50 recortes das mais variadas fontes e assuntos, pelo que hoje aproveitamos para destacar os melhores e explicar por que nos interessaram (depois do salto).
Para nós, e apesar de datar de Novembro do ano passado, esta foi a imagem da semana. Foi, aliás, uma semana em que mais uma vez nos surpreendemos com a facilidade do nosso espanto perante fenómenos meteorológicos.
Invisiblia foi outro sítio que chamou a nossa atenção, pela técnica utilizada (e explicada em tutorial) para substituir pessoas por linhas, a fazer lembrar um célebre videoclip dos anos 80. Diz o autor: "Maybe the pictures illustrate the idea that we all want to remove ourselves from life, and replace ourselves with fictional, self-created versions of ourself. We want to fictionalise our own existence, and impose order and narrative where there is none."

Uma lista das 100 melhores frases iniciais de um romance. Mesmo na literatura, as primeiras impressões, neste caso as primeiras linhas, podem fazer a diferença entre o sucesso e o anonimato. Podem também aguçar a curiosidade sobre a história que se preparam para contar, como é o caso da 98ª abertura: High, high above the North Pole, on the first day of 1969, two professors of English Literature approached each other at a combined velocity of 1200 miles per hour. —David Lodge, Changing Places (1975)
Delicious days: a junção perfeita de culinária e fotografia num blog.
A Wikipédia, na sua missão de reunir todo o conhecimento do mundo, apela à imparcialidade dos seus colaboradores e a algo designado de "ponto de vista neutral". O Standpoint, pelo contrário, promove a maior diversidade possível de pontos de vista. Os visitantes são convidados a afirmar as suas convicções mais pessoais sobre todo e qualquer assunto, seja sobre aquela que pensam ser a melhor série de televisão de sempre ou a validade da teoria da evolução. É um sítio interessante sobretudo por isto, pela forma como põe lado a lado o mais profundo e o mais trivial daquilo que define quem somos e no que acreditamos. Fica-se com a sensação de que os dois pólos estão de algum modo relacionados. De resto, partilhamos esta convicção.
Por fim, uma galeria de fotografias de paredes com mensagens, ou melhor, um sítio que colecciona mensagens de inspiração ou sabedoria urbana deixadas em paredes de todo o mundo. São mensagens que saltam à vista e inesperadamente iluminadas.



3 de fevereiro de 2006
Linha dos Nodos
Esse Cavalheiro
Miss Pearls
2 de fevereiro de 2006
Tempo dos Assassinos
Hotel Sossego
Estranho Amor
ENGRENAGEM - Media e Tecnologia: blog sobre jornalismo, citizen journalism, blogosfera e novas tecnologias
O dinheiro não é o mais importante quando se escolhe uma profissão."


