22 de fevereiro de 2006

trato-me por tu

trato-me por tu: "O que faz um homem voltar a uma terra onde o esperam 15 anos de prisão?"

Insónia

Insónia: "A importanticidade agora é tanta que já arranjaram um oposto para a blogosfera, é a atmosfera. A atmosfera? Será delírio meu? E há quem se dê ao trabalho de formular leis, ainda que irónicas, sobre o fenómeno. Há quem se dê ao trabalho de pensar isto como se isto desse que pensar. Haja tino! Tanta coisa importante a acontecer no mundo e discute-se o brinquedo?"

Quatro Caminhos

Produção em série

Quatro Caminhos: "Que Fazer Ao Que Nos Contam?"

monólogo da isabel

monólogo da isabel: "o fim de semana não foi fácil"


Não é o tema mais interessante ou pertinente, mas qualquer pretexto serve para mexer no Photoshop e no Excel. Esta semana, colocamos em foco as audiências e a popularidade dos blogs.

A discussão, no Verão passado, sobre as estatísticas e a influência dos blogs, accionada pelo artigo no Expresso, "Blogosfera: popularização em curso", de Paulo Querido, teve o Blogómetro como pano de fundo, que ficou conhecido como o «top de popularidade da blogosfera portuguesa». O Blogómetro recolhe e ordena numa tabela os dados relativos à média diária de visitas de aproximadamente dois milhares de blogs portugueses que têm o Sitemeter instalado, um dos serviços mais populares de contagem de visitas.

Uma das objecções levantadas ao artigo do Expresso esteve relacionada com o método utilizado para determinar o blog mais lido da blogosfera. Não é essa a questão que aqui vai ser tratada, uma vez que não dispomos dos dados nem dos procedimentos exactos adoptados para reproduzir o cálculo feito por Paulo Querido, mas a discussão em torno do artigo levantou outra questão igualmente interessante. O que deve ser mais importante para determinar a influência ou popularidade de um blog: a média diária de visitas ou o número de ligações recebidas? A audiência ou a citação?

Continua depois do salto.




Na discussão que se seguiu à publicação do seu artigo, Paulo Querido apresentou bons argumentos para defender que as audiências são o instrumento mais fiável de medição da popularidade ou leitura de blogs. Paulo Querido contesta a utilização do Technorati como instrumento de medição de influência, na medida em que este apenas devolve o total acumulado de hiperligações feitas ao longo do tempo a um blog. «O Technorati é "cego", entre outros factores, ao tempo: um link feito para saudar o Abrupto há dois anos permanece na contabilidade – ainda que o autor tenha morrido, deixado aquele blogue ou simplesmente deixado de ler o Abrupto.» (link)

Um artigo recentemente publicado na revista New York, intitulado Blogs to Riches, oferece uma perspectiva semelhante do fenómeno: «First-movers get a crucial leg up in this kind of power-law system. This is certainly true of the blogosphere. If you look at the list of the most-linked-to blogs on the top 100 as ranked by Technorati—a company that scans the blogosphere every day—many of those at the top were first-movers, the pioneers in their fields. With 19,764 inbound links, the No. 1 site is Boing Boing, a tech blog devoted to geek news and nerd trivia; it has been online for five years, making it a grandfather in the field.

In scientific terms, this pattern is called “homeostasis”—the tendency of networked systems to become self-reinforcing. "It’s the same thing you see in economies—the rich-get-richer problem," Shirky notes.»


O “factor-vaidade” é outra das fragilidades apontadas. «O Technorati não nos esclarece sobre quantos dos links directos ao Abrupto resultam da moda (…). Assim, o sistema das referências cruzadas tende para cristalizar e valorizar os mais antigos. Acresce que o Technorati também não nos esclarece sobre os reais motivos que levam algumas (…) pessoas a ligar um post de JPP na esperança de lhe atrair o olhar ao respectivo blogue e obter a sinecura de uma citação que nesse dia fará disparar as modestas audiências.»

Paulo Querido não despreza o valor da citação, mas na sua opinião não existem actualmente mecanismos para determinar com segurança o seu valor exacto.

A citação é a moeda de troca da blogosfera, à semelhança do que acontece no meio académico (onde um autor ou obra pode ser repetidamente citada ou cair na obscuridade) e jornalístico (a importância de uma estória também se mede pelos artigos subsequentes a que dá azo noutros órgãos de informação), entre outros inúmeros sistemas sociais. Volto a recorrer ao artigo da New York para fazer luz sobre a importância da citação na blogosfera: «Because they are the most important and visible measure of a site’s popularity. Links are the chief way that visitors find new blogs in the first place. Bloggers almost never advertise their sites; they don’t post billboards or run blinking trailers on top of cabs. No, they rely purely on word of mouth.»

A citação constitui assim um eco de interesse por parte de outro blog, seja um eco de desacordo ou afinidade.

O Technorati, um motor de pesquisa que devolve o número de referências feitas a um endereço no universo mundial dos blogs, parece ser a escolha mais óbvia para proceder à quantificação dessa “rede de citações” da qual cada blog faz parte.

O pressuposto é de que o número de citações ou hiperligações constitui um indicador válido da popularidade desse blog. Nesse sentido, um blog muito influente será capaz de despertar feedback de outros blogs, à semelhança do que acontece na publicidade. Nos blogs, o número de visitas está para as citações, como as exposições ou impressões estão para os hits na publicidade. Um placar a anunciar um produto pode ser visto por muitas pessoas, mas o valor crucial é o número de pessoas que em resultado dessa exposição irá eventualmente comprá-lo. Aproveitando a analogia para os blogs, o que está em causa é a capacidade de um blog para gerar interesse, debate, até mesmo conflito, através da citação.

O problema, todavia, com esta valorização das citações sobre as visitas, está na constatação de que, regra geral, a citação e o número de visitas estão inextrincavelmente relacionados. Salvo raras excepções, um blog muito citado não recebe poucas visitas, e vice-versa.

Uma comparação da média diária de visitas dos blogs no Top10 do Blogómetro com a quantidade de hiperligações que receberam desde sempre no Technorati, reforça a ideia de que as duas variáveis trabalham melhor em conjunto do que isoladamente. A comparação revela que alguns dos blogs mais visitados são também aqueles que recebem menos referências.



(clicar para ampliar)

A explicação para este fenómeno é óbvia, como refere a New York, a propósito do Fleshbot (um blog sobre sexo): «A link is, in essence, a vote of confidence that a fan leaves inscribed in cyberspace: Check this site out! It’s cool! What’s more, Internet studies have found that inbound links are an 80 percent–accurate predictor of traffic. The more links point to you, the more readers you have. (Well, almost. But the exceptions tend to prove the rule: Fleshbot, for example. The sex blog has 300,000 page views per day but relatively few inbound links. Not many readers are willing to proclaim their porn habits with links, understandably.)

Na opinião do autor do Estranho Estrangeiro, «a blogosfera portuguesa começa a ser invadida pela lascívia bruta – ao contrário dos relatos obsceno/refinados do Pipi –, o que traduz uma massificação da blogosfera, outrora “abruptizada”, ou elitista. A influência pública de um desses albergues de salacidade é nula, assim como a sua credibilidade. Reconhecendo o espaço de todos, não posso doar credibilidade intelectual a quem se limita a exibir erotismo ou pornografia. (...) Se a blogosfera espelha, de algum modo, a conjuntura nacional, é a vacuidade do sexo e do futebol que predomina, e inclemente, conquista mais terreno» (link).



(clicar para ampliar)

Outra experiência interessante consiste em colocar lado a lado o Top10 do Blogómetro e o Top10 do Technorati. Em contraste com o Top10 do Blogómetro, o Technorati oferece uma representação da blogosfera na qual nos podemos reconhecer facilmente (quem não visitou já o Abrupto, conhece o Causa Nossa e evita abrir os Marretas no emprego?...), isto apesar de não deixar de ser uma imagem da blogosfera diferida no tempo. Neste sentido, Paulo Querido tem razão quando aponta o factor tempo como uma das principais fragilidades do Technorati.

O lançamento do Google Blog Search, em Setembro de 2005, podia contornar este problema, dado que permite a pesquisa por intervalos de tempo, mas o Google Blog Search debate-se com uma fragilidade ainda maior, relacionada com o número substancial de blogs que deixa de fora dos seus resultados, por motivos técnicos. Ainda assim, os resultados obtidos no GBS reflectem em termos relativos a tendência registada no Technorati. Os blogs pornográficos tendem a receber menos ligações que os outros blogs, em termos absolutos e num intervalo específico de tempo (1 a 14 de Fevereiro).


O caso dos Blogs do Sapo é particularmente flagrante, por se tratar da maior comunidade de blogs portugueses (já ascende a quase um milhão o número de artigos publicados na plataforma). À semelhança dos blogs eróticos e pornográficos, os Blogs do Sapo também são altamente penalizados nos motores de pesquisa dedicados aos blogs. Embora esta ausência dos motores de busca se deva em grande parte a motivos técnicos, da responsabilidade do Sapo.pt, não deixa de ser extremamente raro um blog ali alojado cruzar-se na tal rede de citações. Quer o distrito vermelho, quer o distrito verde (!) da blogosfera praticamente não existem na “rede de citações”. Em termos reais, a influência destes sítios na blogosfera é diminuta, senão mesmo inexistente. Como nota de rodapé, refira-se que o próprio Blogs do Sapo retirou da sua página inicial a ligação para o "top" dos blogs mais visitados na plataforma.

Em qualquer dos casos, voltamos à pergunta inicial. O que deve contar mais? A média diária de 9789 visitas do Aqui é só gatas ou as 63 ligações que o Abrupto recebeu só nos últimos 14 dias, segundo o Google Blog Search?

A resposta a esta pergunta parece depender, em grande parte, da representação que cada um faz da blogosfera, da sua porta de entrada nos blogs, dos seus locais de passagem predilectos e do tipo de navegação que faz. Idealmente, a solução passa pelo cruzamento dos dados referentes às visitas e ligações recebidas, de modo a calcular um coeficiente de audiência e influência ou popularidade. Estando na posse dos dados e tendo as tabelas de Excel construídas, não pudemos deixar de fazer o exercício matemático. A tabela resultante, no entanto, apresenta demasiadas inconsistências para enumerá-las a todas. Para além do factor tempo (a média diária de visitas é incompatível com o total de ligações acumulado ao longo do tempo), o maior problema deste coeficiente está relacionado com a sobrevalorização das ligações sobre as visitas, e a penalização de blogs com valores elevados em ambas as variáveis.

O que parece certo, no entanto, é o crescimento da audiência da blogosfera, patente no número de blogs que actualmente recebe em média mais de 1000 visitas por dia, em comparação com o que sucedia em Fevereiro de 2005 (clicar na tabela para ampliar). O incremento registado no número de visitas sugere que o número de leitores na blogosfera continua a aumentar. Paulo Gorjão, autor do Bloguítica, parece ter razão ao afirmar que «a blogosfera funciona de acordo com as regras de um jogo de soma relativa. Novos players implicam novos leitores -- i.e. um bolo maior -- e fatias mais gordas para (quase) todos. (…) Quanto muito a questão é outra: é preferível estar no Top 10 com uma média semanal de mil leitores por dia, ou estar abaixo do Top 10 e ter seis mil leitores diários?».

Adendas:

[1] Todas as tabelas dizem respeito a blogs que constam do Blogómetro. Naturalmente, podem existir outros blogs portugueses com quantidades maiores de ligações e/ou visitas que, por algum motivo (podem não ter o Sitemeter instalado ou ser recenseados pelo Blogómetro, entre outros), ficaram de fora.

21 de fevereiro de 2006

Cibertúlia

Cibertúlia: "Os posts são promíscuos. Todos os dias estão enrolados com um novo assunto."

Os Cavaleiros Camponeses no Ano 1000 no Lago de Paladru

Os Cavaleiros Camponeses no Ano 1000 no Lago de Paladru: "Tenho um sonho

Que é ter uma colecção de panos da loiça feitos a partir de primeiras páginas do 24 Horas. Alimento-o há um bom par de anos. Tenho a certeza que daria uma cozinha alegre, bonita. Mas só por acaso é que estou a dizer isto hoje. Juro. Seja eu fulminada por uma pilha de CDs (podem ser de Gil Evans) caída subitamente do céu se não é por acaso. É verdade. Não tenho nada na manga. Só mesmo este sonho singelo, doméstico, inofensivo, puro."

Estranho Amor

Estranho Amor: "Os nossos dias deviam ter legendas ou mesmo voz off como as séries fraquinhas. Palavras que dissessem coisas longe da verdade como as filhas de um mau tradutor. Ou vozes demasiado graves para serem a da nossa inconsciência. No fundo devia haver qualquer coisa que se assemelhasse a um amigo adolescente em que nada lhe cabe na boca. Daqueles que nos desmascaram todas as fraquezas a quem devem."

um voo cego a nada

um voo cego a nada: "Ouvido de passagem, no corredor dos dvd’s da grande superfície.
Ela:
- Olha o Orgulho e Preconceito. Já há em dvd.
Ele:
- Não deve ser o mesmo.
Ela:
- Mas é o mesmo nome.
Ele:
- Este deve ser o um e o outro deve ser o dois. E este é com a Jane Austen, e o outro não era com a Jane Austen."

french kissin'

french kissin': "Estou a deixar de ler blogues com música. Dos que disparam automaticamente e mesmo dos outros. Nas últimas semanas, o Explorer e o Mozilla bloqueiam sistematicamente quando tento aceder a esses blogues. (...) Aliás, na quase totalidade dos casos, as escolhas musicais são de uma banalidade confrangedora. Eu, que gosto de música, detesto cada vez mais os centros comerciais e locais conexos onde me impõe fundos musicais. Porque haveria de o tolerar nos blogues? "

19 de fevereiro de 2006

Jornalismo e Comunicação

Jornalismo e Comunicação: "Começa a tornar-se insuportável o silêncio em torno do que se passou, na semana passada, com a Polícia Judiciária no jornal '24 Horas', já considerado dos casos mais graves do pós-25 de Abril."

18 de fevereiro de 2006

ABRUPTO

ABRUPTO: "O mundo do trabalho, a não ser em determinadas funções profissionais do jornalismo ou da academia, ou nalguns blogues de mulheres, com o trabalho feminino doméstico, praticamente não aparece na blogosfera. Isso tem a ver muito com a composição social da blogosfera, traduzida também no mundo simbólico dos autores de blogues. É como no cinema, parece que ninguém trabalha."

nelson d'aires

nelson d'aires: "km 31 é um projecto pessoal que consiste fotografar todos os dias dos meus 31 anos (feitos a 30 de Janeiro) e depois escolher duas fotografias (díptico) como arquivo de cada dia."

«Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural

«Geração Rasca: "Eu, cujos argumentos de Esteves Cardoso perfilho, pus-me a desejar que Agostinho da Silva tivesse razão. Que o futuro assistisse à libertação do poeta inato que cada um de nós é, que deixássemos de ter de ganhar a vida, que gratuitamente nos deram, e que Portugal se reencontrasse. À minha frente estava um jovem muito velho e um velho muito jovem. Rendi-me: não há nada de mais triste do que um jovem muito velho. Que foi como eu me senti depois de ouvir Agostinho da Silva."

DEUSA DO LAR

DEUSA DO LAR: "Está quase a chegar o dia em que me vangloriarei do número de visitas deste site."

17 de fevereiro de 2006

malfadado

malfadado: "Ninguém percebia ao certo o que se passava com ele. Ora mais triste, melancólico, taciturno, sorumbático, macambúzio ... cada dia aparecia com um ânimo diferente que a todos baralhava o rigor do diagnóstico."
Ecos da blogosfera (2)

Uma música, cinco ecos da blogosfera.

Faking the books (excerto), Lali Puna

1. Listas: "Its a wintry album of cold, quirky Radiohead-tronica."

2. Omissão Impossível: "“Faking the Books”, o terceiro álbum dos Lali Puna foi lançado em 2004. O electro-pop dos Lali Puna, bem peculiar e com certas doses de experimentalíssimo, com destaque para a suave voz de Valerie Trebeljahr, vem ganhando admiradores."

3. universos desfeitos [arquivo do Google]: "Faking the Books (...) retoma as experiências no domínio de uma electrónica repleta de melancolia como suporte privilegiado para a voz frágil e delicada de Valerie Trebeljahr. Não obstante, ao clima atmosférico dos registos precedentes, este Faking the Books envereda por uma espécie de pop-rock com o ruído a espreitar permanentemente por trás dos arranjos electrónicos. Cria-se, assim, uma interessante conjugação de elementos sonoros que consegue, a espaços, algumas melodias assaz cativantes. Não tem nada de genial, nem precisa. É despretensioso quanto baste e esse é o seu melhor argumento."

4. Some Candy Breakfast: "Faking The Books es un disco para amaneceres y madrugadas, cromatismo azuloso y ensueño... momentos tibios pero no calurosos, momentos de peleas con las sabanas y una cuasi lucidez placentera. Las melodias se sienten suaves como flotando pero cada riff te sostiene para que no te vayas muy alto. Un trabajo terrenal pero que al mismo tiempo mira hacia las nubes y de vez en cuando mas allá (Alienation por ejemplo preguntandonos Is the truth you see left celluloid? ) hacia las estrellas."

5. RTP [arquivo do Google]: "Se já falei aqui de chocolates, “Faking the Books” será assim um desses bem cremosos, para se saborear de forma delicada e com o tempo suficiente para se ir derretendo na boca. (...) Pode não sobreviver (porque não é, de facto) como um álbum de referência. Pode até nem vir nas listas de álbuns do ano. Mas ouvi-lo produzirá sempre esse viciozinho de se querer partir e comer só mais um cubinho... até ao fim."

melancómico

melancómico: "Não esquecer
O Governo português lançou uma OTA sobre a sociedade portuguesa."
À solta no Flickr (2)



Há alturas em que preferimos ficar atrás da câmara, até porque não produzimos quase nada de original neste blog, mas esta simpática referência no Charquinho e o generoso destaque no Bomba Inteligente consegue roubar um sorriso a qualquer um. Obrigado.

Mr. Oizo

underworld

underworld: "Não passo de uma romântica, disfarçada de punk, bem entendido, mas ainda assim uma porcaria de uma romântica. Digo que não há futuro mas imagino que uma quantidade de coisas espantosas podem acontecer. Coisas como por exemplo voltar a ser imortal ou andar de vestido azul claro."