31 de maio de 2006
Cibertúlia
JoaoLuc
30 de maio de 2006
instante fatal
No papel a publicação de uma notícia é um fim, na net é o início de uma discussão e desenvolvimento onde o usuário também participa."
DESEJO CASAR
agrafo ponto net [blog: terra habitada]
tristes tópicos: Lisboa é uma espécie de tubo de ensaio para estetas
A canícula tem resultados práticos óbvios: mulheres cada vez mais despidas pelas ruas de Lisboa e homens cada vez mais obcecados com a perfeição."
bomba inteligente: 05/01/2006 - 05/31/2006
28 de maio de 2006
Some Like It Hot
Comer gelados coloridos
Olhar para um mar azul
Cantar no meio da rua
Receber flores
Rir sem motivo
Megulhar nuns olhos cor de mar
Fazer anos
Sumo de morango"
Aspirina B
NU SINGULAR
À espera, numa farmácia.
Senhoras idosas com todas as maleitas do mundo.
O tempo demorado como na província.
Quase desesperado, ponho-me a ler a publicidade.
'Lip Balm'.
- E hoje o que necessitam os seus lábios?
- Sei lá! Dos seus!"
27 de maio de 2006
Em Busca da Límpida Medida
A Cidade Vaga
She Bangs the Drums
23 de maio de 2006
sapatos pretos: Estarei a sonhar
ou estou mesmo a ouvir o Manuel Maria Carrilho a explicar mais uma vez em directo a sua derrota no Prós & Contras? Ainda se converte num Case Study. Falta saber é de quê..."
vício de forma: Prós e Contras
Pantalassa: Prós e Contras
O Amigo do Povo: Carrilho escreveu um livro…
Google Reader
'M.M.Carrilho - Ó Ricardo Costa, você é o rosto da vergonha!!
Ricardo Costa - Que quer...e você é o rosto da derrota eleitoral!'
Ah! matadores!!"
Google Reader
22 de maio de 2006
read me very carefully, i shall write this only once
Cibertúlia
O mesmo casal francês que jantava a meu lado, no sábado no Largo do Carmo, passeava-se hoje pelo El Corte Inglés."
dias felizes
21 de maio de 2006
avatares de um desejo
o franco atirador
Tirar os sapatos. Esticar os dedos dos pés. Fazer uma limpeza na barra dos links. Mudar o template. Tentar esquecer como ficaram horríveis os posts velhos depois de mudar o template. Pensar se vou continuar a mostrar quadros antigos. Decidir que não. Pensar que vou ter de instalar outra vez o Sitemeter. Pensar que ainda é muito cedo."
18 de maio de 2006
Miss Pearls
Eternuridade
tristes tópicos
Se Scolari se atrever a pedir aos portugueses para, além de pendurarem as bandeiras nacionais em todas as varandas, gaiolas e postigos de Portugal, usarem também o inenarrável chanato verde-e-vermelho que vem com o kit da selecção, aí juro que emigro."
17 de maio de 2006
french kissin'
O Jornal de Notícias entrevistou o ministro Manuel Pinho e, matreiro, perguntou:
- Chega estoirado ao fim do dia?
Resposta:
- Nem sequer tenho tempo para pensar se estou cansado.
Infelizmente, o jornal não seguiu os bons exemplos e perdeu a oportunidade para mais uma bela (e fidedigna...) manchete da história do jornalismo português: Manuel Pinho sem tempo para pensar."
Cibertúlia
por uns momentos (a cantar 'Happy birthday, mr. President'), e ouçam até à exaustão o primeiro tema deste álbum: 'Summertime' na voz de... Scarlett Johansson! Arrepiem-se. (OK, é só um excerto, mas arrepiem-se.)"
O Mundo Perfeito
Crónicas das horas perdidas
16 de maio de 2006
coisas
15 de maio de 2006
Descafeinado Cheio
JPCoutinhoCOM - O Sítio
noite americana
Um momento.
Irène Jacob está, como se sabe, em Lisboa.
Terá dormido bem?
Isso é a única coisa que me preocupa."
14 de maio de 2006
A Causa Foi Modificada
A Memória Inventada
- Pá, contigo vou até ao fim do mundo. That´s not the point. When? How? For how long?
- Acho que nao fui claro: this would be forever babe, you, me, 4 six-guns and 1/2 of the bolivian army. You can pick, Newman or Redford, I don't mind."
educação sentimental
13 de maio de 2006
Quase em silêncio
powered by ODEO
Excertos (2m30s) de alguns dos podcasts de língua portuguesa mais populares, de acordo com o TOP10 do Lusocast. Nuno Markl, as divagações de uma adolescente brasileira, música independente, comédia alternativa, Nuno Markl, programas da rádio, um «espaço para atrasados» e Nuno Markl dominam actualmente o mundo dos lusocasts.
lugar comum
Uma frase, que é o título de uma obra de um artista, Matt Mullican, que já desafiou o abjecto na raia da demência, o desastre interior. Anda por aí. Andamos por aí. Anda-me."
12 de maio de 2006
Google Reader
Untitled Document
Monstruosidades do Tempo e da Fortuna
Para ser escritor a sério falta-me apenas, o meu primeiro falhanço comercial!"
7000 Nomes
Não me refiro a comprar , deitar fora os suplementos sem interesse , desfolhar lendo as letras gordas e no final gastar uns segundos com a programação do AXN , o estado do tempo e a classificação do campeonato nacional . Eu quero saber é, como se pode , dia após dia , mergulhar na pasmaceira informativa, sem novidades, nem esperança. É fácil inventar os títulos dos jornais do próximo ano e acertar na maioria . É sempre a gasolina , o Irão e o Iraque , o treinador do Benfica , as eleições , a fome no Sudão ou em Mozambique, as restrições económicas e o aumento dos impostos ... é sempre o ministro que sai , a ameaça de escândalo sexual que não dá em nada e o arrastar das sessões no caso Casa Pia .
Porque hei-de continuar a comprar jornais, cuja única interacção comigo, se resume aos dedos um pouco sujos no final , quando esses jornais não conseguem manter-me entretido, durante mais de 4 estações de metropolitano?"
Blasfémias
11 de maio de 2006
10 de maio de 2006
Estrela Cansada
Blogame mucho
Os tempos do estoicismo ainda se mantêm, mas já se sente ali, em quase todos os que restam, o inevitável medo grande - o grande medo! - de fugir para a frente. Hão-de acabar todos por preferir recuar, por fugir para trás, por tomar Prozac e um calmante ligeiro, por morrer por dentro, para não terem de se fenecer nessa garrotagem de terem chatices com essa excelente geração - de grande utilidade - do controle de qualidade"
portugal dos pequeninos
Albergue dos danados
9 de maio de 2006
Million Dollar Kiss
A Cidade Vaga
8 de maio de 2006
Retórica e Persuasão
vidro duplo
«O seu colo do útero é lindo.»
(não-autobiográfico)"
BLOGUITICA
Os Leões de Tolstoi
Blasfémias
Debandada de Díli.
Como se chega a este ponto? Que motivos levam a isto? O que é que se passa?
Mesmo com todos os contactos que os jornalistas portugueses certamente por lá mantêm, não há em nenhum meio de comunicação uma explicação clara para estes eventos."
7 de maio de 2006
6 de maio de 2006
No terceiro aniversário do Abrupto, recuperamos um recente artigo-fetiche dos nossos arquivos, 5 factos sobre o Abrupto (na verdade, são 20). Existe pouco que se possa dizer acerca do Abrupto que já não tenha sido dito (e citado aqui) nestes últimos três anos, mas vêm à memória estas palavras de JMF, no Terras do Nunca, sobre o funcionamento do Abrupto «como um pólo aglutinador, mesmo daqueles que nunca por lá passaram, mesmo daqueles que fingem que nunca por lá passam». No nosso caso, basta dizer que é o blog que mais visitamos e o que mais vezes citámos neste blog.
Adiando a reflexão, para passar directamente à citação, deixamos algumas frases soltas da intervenção de José Pacheco Pereira, na Livraria Almedina, em Dezembro, num dos únicos encontros de bloggers em que pudemos estar presentes (escusado será referir que a emoção do dia foi ver a Carla Hilário Quevedo em pessoa). Foi uma rara oportunidade para ouvir o autor que diz estar "virado para o mundo exterior" falar sobre o mundo dos blogues e o seu próprio lugar nele.
Os soundbytes da intervenção de JPP, depois do salto.
Não sinto nenhuma obrigação de cumprir qualquer agenda.
O programa do Abrupto tem-se mantido igual desde o início e é aquele no qual eu me reconheceria com 14, 15 anos.
O Abrupto depende de uma agenda que é eminentemente não-política.
O Abrupto tem um arranjo deliberadamente simples e despojado, que desde o primeiro dia só sofreu duas alterações. (...) O estilo traduz uma identidade do autor e também do leitor (que reagiria às mudanças).
Não tem notas sobre estados de alma, porque ninguém tem nada a ver com isso. No máximo, pode se dizer que revela aspectos sobre o autor através do discurso de outras coisas.
É um blog voltado para o exterior e não para o mundo dos blogues, e esta é uma opção deliberada.
Recebo uma média de 140 e-mails por dia.
Não me interessa muito o "discurso interior". É uma auto-referência que não me atrai. O Abrupto é um blog "solitário".
Leio muitos blogues, mas o que está lá fora é mais interessante. Tenho curiosidade pelo mundo, pela Astronomia (que sofre de reducionismo dos jornalistas).
Interessa-me saber qual é a resposta do Abrupto. Não "leio" as audiências.
Sobre o "Pobre País", pensei "estou a pôr isto e estou a ver que é adeus ao emprego". Decidi no mesmo momento colocar.
Tento diminuir a agenda política no Abrupto, porque para isso já tenho outros instrumentos. Não quero que a política seja a linha dominante de um blogue que corresponde mais a um projecto pessoal e muito antigo de vida.
Sou sensível à opinião dos meus leitores.
O Abrupto é um blog de grande coerência, feito das coisas de que eu gosto e que são sempre biográficas. É por isso que criou leitores fiéis.
Tenho mais visitantes dos EUA do que da Europa. Recebo inclusivamente visitas do Teerão, e que não são por engano.
Manter um blogue tem sido uma experiência interessante e fascinante. Enquanto tiver cabeça, tempo e possibilidade, vai haver Abrupto.
Quando comecei [o nome Abrupto] pareceu-me certo, eficaz e isso mais a frase de Sá de Miranda foram coisas que eu já tinha guardadas comigo há muito tempo.
Não tenho qualquer sentido de obrigação em actualizar o blogue. Não tem regras. Apenas esforço-me para que os Early Morning não apareçam à tarde. Apesar disso, há sempre as corruptelas ocasionais.
A agenda dos blogues não se sobrepõe à agenda dos jornais. Os blogues são um instrumento sobretudo para outro tipo de coisas, como os diários.
A leitura temporal dos blogues é o elemento predominante e condicionante da escrita. Empurra o passado para baixo.
A blogosfera tem algumas vantagens em relação aos média. Tem tempo, memória e pode ter especialização.
Os jornais não são blogues e os blogues não são jornais, mas há um terreno comunicacional comum que pode complementar um e outro (a memória, efabulação, etc).
O meu espaço de comentário na SIC era uma aproximação da agenda do Abrupto. (...) Era a sombra do Marcelo, com a diferença que não consigo falar de um livro sem o ler.
Qualquer crítica feita no Abrupto é imediatamente respondida. Há sempre uma resposta. Há aqui um instrtumento de poder, porque uma carta publicada no Abrupto é garantia de acção. É por isso que tenho muita prudência [na selecção dos comentários dos leitores].
Sou um bruto afectivo.
Irrita-me a crítica que sou um autor mediático. É uma sina.
O azedume nos blogues é o azedume da vida mal-vivida.
O que é efectivamente novo é o alargamento do espaço público a novas formas de intersubjectividade, de criação estética e o tipo de relações que essas fórmulas têm com o mundo lá fora.
Ter um blog é uma experiência de liberdade idêntica a um jornal clandestino. Os blogues vieram permitir novos tipos de interacção com coisas muito antigas.
As literacias são a chave da riqueza do futuro e não o acesso às tecnologias.
Não tenho nenhuma intenção de o acabar [o Abrupto].
A Origem das Espécies
Os Leões de Tolstoi
Se imigrantes e trabalhadores com destino à estação terminal da Linha Gaivota (porquê o nome de ave para um troço subterrâneo?, porquê?) passassem a conduzir Touaregs e séries 7; se os condutores destes brinquedos passassem a frequentar a Linha de Sintra... Eu gostava de ver."
5 de maio de 2006
avatares de um desejo
Um bom título para falar de blogs que nos fazem falta. Imagino que já alguém se deve ter lembrado desta síntese entre as espécies mitológicas da biologia evolutiva e a substanciação html de uma ausência. "
DESEJO CASAR
BLOGUITICA
Mas o alargamento da audiência (e o tipo de audiência que este blogue possui) trouxe consigo efeitos secundários: o blogue é hoje menos espontâneo, pouco intimista e menos interactivo.
As audiências, inevitavelmente, condicionam a escrita. A visibilidade leva a que o autor se proteja, se torne mais calculista naquilo que escreve. Em suma, as audiências tornam-nos menos «livres». Eu, pelo menos, sinto-me menos livre e mais vigiado."
4 de maio de 2006
A sua primeira citação neste blog data de Agosto de 2003, e é um daqueles (poucos) blogs em que tenho de refrear a vontade de citar ou destacar cada nova entrada. É um blog despojado, intermitente, reservado, complicado e raro. Num registo
despretensioso, Isabel Tilly (psicóloga, 35 anos) oferece uma reflexão sincera e desapaixonada sobre as pequenas e grandes coisas do seu dia-a-dia, as tensões da vida na cidade, as exigências do trabalho e a experiência de criar uma família. Os "acontecimentos significativos" do dia-a-dia de Isabel Tilly ganham, de algum modo, um significado mais lato e especial para quem, como eu, acompanha o Monólogo. Para minha grande satisfação, a Isabel acedeu há alguns meses a uma breve entrevista por escrito sobre a motivação e a
experiência de escrever um blog como o Monólogo. É essa entrevista que temos o prazer e a honra de publicar hoje no Posto de Escuta, depois do habitual salto.
Como é que entrou em contacto com a blogosfera?
Foi através do blog da Rosa Pomar. Aliás, ainda hoje, o blog da Rosa continua a ser o meu predilecto e o primeiro que procuro no dia a dia. Ao início (em meados de 2002) fiquei fascinada com o tipo de registo: a cronologia das entradas, as fotos, os links, a possibilidade de alterar o template, os arquivos, gostei de tudo.
A ideia de escrever um blog surgiu espontaneamente ou foi algo que amadureceu à medida que ia lendo/conhecendo mais blogs?
Foi num impulso. Fui à página do blogger e preenchi os campos, isto em 2002. O “monólogo” surgiu depois (2003) quando já dominava as ferramentas básicas para mexer no template e podia dar-lhe um aspecto que eu achava que tinha mais a ver comigo. O carácter do blog foi sempre o mesmo, isto é, um diário pessoal...
A descrição do Monólogo resume a essência do blog, mas falta saber o porquê. Por que razão (ou razões) decidiu assinalar «os acontecimentos significativos do [seu] dia a dia»?
Pode achar estranho mas foi pela organização. Eu sempre tive diários, cadernos, apontamentos variados sobre coisas que eu achava importantes no dia a dia, só que como sou muito desorganizada tenho tudo disperso e mal organizado. Ora no blog, eu não preciso preocupar-me com isso, fica lá tudo, nos arquivos (e de vez em quando faço uns pdf’s que se me apetecer poderei imprimir). Claro que esta necessidade de organizar tem a ver com a memória, que é uma coisa que está sempre presente, isto de organizar a memória (dos dias).
E porquê num blogue, isto é, em público? Referiu várias vezes que não sabia muito bem a razão para o ter tornado público. Já descobriu a resposta?
Acho que é o fascínio pelo resultado. Gosto genuinamente de abrir o browser e ir ao meu cantinho. As reticências que muitas vezes me coloquei sobre o porquê de ser público ou sobre as impressões que posso causar a quem me visita (já me chamaram
exibicionista e outras coisas que detestei) tem mais a ver com a ideia que a exposição de emoções e vivências pessoais (do quotidiano) são uma coisa que inferioriza. Se analisar outros blogs, blogs que se tornaram influentes seja no campo politico ou na análise de assuntos “sérios”, raramente há referências a emoções ou afectividades. Ora, desde o início do blog, que tenho fases em que essa distinção me incomoda. Se um amigo me diz “não te devias expor assim” fico incomodada. Noutras fases, perceber que criei algumas (poucas) cumplicidades (amizades mesmo), dá-me um enorme prazer e esqueço as reticências...
Que influência é que o facto de ser público tem na sua escrita (ao saber que existe uma audiência que permanece invisível)?
O que acontece é que sendo um diário público não é um diário intimo. Há assuntos que, por ser como sou, jamais falarei.
Do meu trabalho, por exemplo, porque há a questão da ética profissional a que me sinto obrigada, também não falo.
Não sei bem como mas, implicitamente, defini para mim o que pode ser visível, um gatekeeping, que tem muito a ver com aquilo que eu considero dizível ou indizível.
Confessional, intimista, pessoal, … Se a cada um destes (ou outros) adjectivos corresponder um grau de exposição, de que maneira classificaria o Monólogo?
Pessoal, às vezes quase confessional, muito dependente do meu estado de espírito, como aconteceu recentemente em que, às tantas, senti necessidade de falar (esqueço-me que é escrever) sobre a morte do meu pai.
Quem são os destinatários do Monólogo? Uma característica distinta do Monólogo é que se refere a outras pessoas indirectamente, sempre por iniciais e por fotografias onde não é visível o rosto. É um mecanismo de salvaguarda, mas também não será que a Isabel elegeu como principais referentes/destinatários do Monólogo as pessoas que a rodeiam, e que saberão melhor que ninguém preencher esses “espaços em branco” (como peças em falta num puzzle)?
Acho que quem preenche os espaços em branco sou eu própria. E aí vem novamente a minha fixação na memória. Muitas entradas (ou posts) são pistas. O que lá está não
interessa, são atalhos muito simples que remetem para coisas que são importantes para mim (não vou dar exemplos). As iniciais são quase sempre dos meus filhos ou do meu marido. Cá por casa ligam pouco ao blog, vêem-no como o passatempo da mãe. A minha filha, (tem 10 anos) pede-me (às vezes) para ver o blog porque coloco muitos desenhos ou fotos tiradas por ela.
As pessoas que me visitam, algumas será por cumplicidade, a maioria vem ao engano...por causa do google que aponta tudo o que seja pesquisa em “monologo” para o blog.
No Monólogo, o que é um “acontecimento significativo”?
É aquele que é significativo para mim. Falei de uma reunião de pais numa entrada (ou post) recente, pode não parecer importante, mas se o referi foi porque lhe atribuo importância. Mais significado do que transparece na entrada, como o egocentrismo do professor, ou a sua inabilidade em conduzir a reunião, ou o desespero e acanhamento dos pais cujos filhos têm 5 ou 6 negativas, ou a sensação que é estar sentada no sítio onde a minha filha se senta e a leve memória do tempo em que eu me sentava num sítio parecido, etc, Naquele dia, ir à reunião de pais foi, de facto, um acontecimento marcante.
“A Isabel do Monólogo usa um blogue como uma espécie de MyLifeBits”, disse José Pacheco Pereira, no Abrupto. Concorda com a analogia feita ao MyLifeBits?
Acho que o JPP tem muita curiosidade intelectual acerca do que é este “meio”. Tudo na nossa vida parece ser passível de ser registado digitalmente e interligado formando um grande filme contínuo da vida aberto aos outros, o que é uma perspectiva tão nova como assustadora. Talvez o meu blog tenha parecido a JPP um embrião do que aí vem. E há questão da memória, de que falei algumas vezes no blog e que me parece está na génese do mylifebits.
Como é que encara e reage ao interesse de outros pelo seu monólogo, com surpresa, estranheza,
apreensão…?
Como reajo ao interesse dos outros? É difícil responder. Com o tempo conheci pessoas, ou melhor, blogs de pessoas de quem gosto muito e cujo feedback encaro como cumplicidades semelhantes às que os amigos nos dão. É o caso da Fer e da Alê. Outros feedbacks são mais complicados. Por exemplo quando alguém de Seia (onde cresci) me diz que leu o meu blog não consigo deixar de me sentir alguma estranheza. Fico sempre a pensar “mas leu o quê? percepcionou o quê?”. Acho que não me libertei completamente da ideia que a exposição de vivências pessoais inferioriza. E se isso não é um problema com os desconhecidos, com os conhecidos afecta, mas só ligeiramente... Com os desconhecidos incomodam-me enviesamentos grosseiros na leitura. Se um desconhecido comenta que devo ser uma pessoa muito solitária, obviamente não gosto, acho que não tem razão, mas francamente também não me apetece responder-lhe.
E hoje, continua a sentir que manter um blog é um exercício “problemático” de escrita/partilha, ou com o tempo foi criando defesas?
Muito pouco problemático. Se tenho tempo e vontade actualizo, se não tenho, actualizo uns dias depois. Mas criei algumas resistências, como lhe chama, que definiram aquilo que eu acho dizível. Por exemplo, se estou a ouvir uma canção na rádio que me irrita por ser tão básica (nem no meu tempo dos escuteiros havia canções tão simplórias), podia ir ao blog dizer que odeio esta canção e que acho que quem ouve isto é surdo. Não vou. São gostos e francamente falar de gostos não me interessa nada.
“Os blogues não são um canal para a mediatização; são apenas o nosso monólogo interno que o resto do mundo pode ouvir; uma subscrição para o fio da consciência de cada um.” É uma frase recente do autor do blog “Barriga de um arquitecto”. Até que ponto se reconhece nesta frase? Seria esta uma possível forma de “explicar” o atractivo de fazer um blogue?
Incrível essa frase...é de facto isso.
Pedro Neves






