31 de maio de 2006

Cibertúlia

Cibertúlia: "A rápida subida da temperatura destes dias poderá ser a causa da concentração, em poucos dias, de borboletas castanhas da espécie «mariposa gamma», gigantes e que me invadiram a casa. Esta notícia prova que não é a (minha) habitual acumulação de jornais..."

malfadado

malfadado: "Compro o Público todos os dias. Quando esgota, trago o DN, que só costumo ler à 6ª. Mas o que eu nunca dispenso, confesso o pecadilho, é uma mirada curiosa na primeira página do 24 Horas logo que chego ao quiosque."

JoaoLuc

JoaoLuc: "Serei daqueles que não terá qualquer problema em apoiar o México contra a selecção portuguesa. Sei que encontraria num ápice os companheiros ideais para festejar e para muito mais. Mas no tsunami de condicionamento em que vivemos, afirma-lo seria uma espécie de heresia, punível certamente com a fogueira de um tribunal em que os jurados seriam nomeados pelo BES, pela SIC, pela Galp, pelos industriais de Paços de Ferreira e por outro foçangueiro qualquer que se meta ao barulho para ganhar uns cobres."

30 de maio de 2006

instante fatal

instante fatal: "O online é um suporte que permite experimentalismo, laboratório, já que o público internatuta é mais aberto, mais cultura sms, mais interactivo.

No papel a publicação de uma notícia é um fim, na net é o início de uma discussão e desenvolvimento onde o usuário também participa."

DESEJO CASAR

DESEJO CASAR: "NYC remains the same wicked city, home, the best place in this tiny world."

agrafo ponto net [blog: terra habitada]

agrafo: "Apareceu-me cá em casa há uns dias, lavada em lágrimas, a cache do teu velho browser. Serei directo: contou-me tudo. E, tal como me contou a mim, imagino que há-de ter contado a toda a gente. Disse-me que estava desfeita, que não conseguia aceitar o facto de praticamente só utilizares o novo browser, que a tinhas esquecido e que não queria desvanecer-se sem que toda a gente ficasse a saber o que te tinha aturado desde a última limpeza. Sabes como a cache de um browser consegue ser uma cabra ressabiada quando não lhe prestamos a devida atenção."

tristes tópicos: Lisboa é uma espécie de tubo de ensaio para estetas

tristes tópicos: "Lisboa é uma espécie de tubo de ensaio para estetas
A canícula tem resultados práticos óbvios: mulheres cada vez mais despidas pelas ruas de Lisboa e homens cada vez mais obcecados com a perfeição."

bomba inteligente: 05/01/2006 - 05/31/2006

bomba inteligente: "O exercício do autodeslinque é amplamente subestimado."

29 de maio de 2006

O mapa genético do Posto de Escuta

via Websites as graphs

28 de maio de 2006

Some Like It Hot

Some Like It Hot: "Andar ao sol
Comer gelados coloridos
Olhar para um mar azul
Cantar no meio da rua
Receber flores
Rir sem motivo
Megulhar nuns olhos cor de mar
Fazer anos
Sumo de morango"

Aspirina B

Aspirina B: "Uma noite quente, de céu claro, com milhões em quintais recém-regados, apontando telescópios para astros que nunca despontarão. Uma noite abafada, húmida, em que tudo nos parece justo, correcto, no sítio mais próprio. O calor que denuncia a iminência das grandes catástrofes geológicas. A calmaria que sugere o fim de todas as tribulações."

NU SINGULAR

NU SINGULAR: "devaneio balsâmico
À espera, numa farmácia.
Senhoras idosas com todas as maleitas do mundo.
O tempo demorado como na província.
Quase desesperado, ponho-me a ler a publicidade.
'Lip Balm'.
- E hoje o que necessitam os seus lábios?
- Sei lá! Dos seus!"

ABRUPTO

ABRUPTO: "Ah! minha bela Futebolândia! Segue o exemplo do Montenegro e torna-te independente. Leva a televisão, a rádio e os jornais... Já tens bandeira e hino e a UE dar-te-á seguramente guarida. Deixa o silêncio por cá. Vá, rápido!"

27 de maio de 2006

Em Busca da Límpida Medida

Em Busca da Límpida Medida: "Posso dizer-vos que a última semana de Maio de 2006 ganhou já o estatuto de pior semana da minha vida. E..."

Cibertúlia

Cibertúlia: "Hot spot

A feira do livro continua a ser o meu local favorito para reencontros."

A Cidade Vaga

A Cidade Vaga: "Hoje comprei um livro que já tinha. O esquecimento é o lugar das felicidades momentâneas."

She Bangs the Drums

She Bangs the Drums: "Descobri uma banda ainda mais cínica que os Pulp, ainda mais melodramática que os Magnetic Fields e tão desajeitados como os Pop dell' Arte. Talvez não seja nada disto. Talvez seja só uma espécie de estranho fenómeno inglês, comparável a nada."

Sociedade Anónima

Sociedade Anónima: "Afinal quem é o tal Rui Costa???"

23 de maio de 2006

sapatos pretos: Estarei a sonhar

sapatos pretos: "Estarei a sonhar
ou estou mesmo a ouvir o Manuel Maria Carrilho a explicar mais uma vez em directo a sua derrota no Prós & Contras? Ainda se converte num Case Study. Falta saber é de quê..."

vício de forma: Prós e Contras

vício de forma: "Nos últimos anos não me lembro de um debate de televisão como este. E foi um debate a sério, com tudo o que os debates a sério têm, bons e maus argumentos, picardias, provocações, respostas prontas, demagogia, momentos de exaltação e de autocontrolo, mexidas no passado, acusações, roupa suja, tudo. "

Pantalassa: Prós e Contras

Pantalassa: "O debate de hoje foi uma vergonha, não pelo programa em si, de que aliás não sou grande fã, mas sobretudo pela forma habitualmente petulante e enraivecida, de um ódio mal disfarçado com o que não lhe dá jeito, com que Carrilho dispara em todas as direcções."

O Amigo do Povo: Carrilho escreveu um livro…

O Amigo do Povo: "Ricardo Costa foi algumas vezes infantil, Carrilho naturalmente arrogante e mal educado, embora a imagem final que fica é a de um homem a cavalo entre o cinismo e a ingenuidade. Rangel foi pouco mais do que uma cabeça de vento incapaz de desenvolver um argumento ou de apresentar uma ideia para além da sua ingente preocupação com o estado a que terá chegado o jornalismo português – presumindo que alguma vez foi globalmente bom e sério e que Rangel não tem quaisquer responsabilidades no estado em que a actividade jornalística se encontra."

Google Reader

Blasfémias: "O diálogo da noite (quer dizer...da tourada) foi....

'M.M.Carrilho - Ó Ricardo Costa, você é o rosto da vergonha!!

Ricardo Costa - Que quer...e você é o rosto da derrota eleitoral!'

Ah! matadores!!"

Google Reader

french kissin': "José Pacheco Pereira e Manuel Maria Carrilho terão tendência para concordar - no fundo, eles pensam o mesmo sobre os muitos vícios e as poucas virtudes do sistema mediático. Divergem apenas no instrumental. E divergem porque, apenas e só, o que interessa a um não interessa exactamente ao outro, no mesmo momento."

22 de maio de 2006


National flag

read me very carefully, i shall write this only once

read me very carefully, i shall write this only once: "no computador sobre a singer que herdei sem que ninguém tenha morrido, sou costureira. dou ao pé com música e imperfeição, coso verbos e preposições, descoso adjectivos, remendo textos de retalhos, a tentar que trapos se pareçam, se não com alta costura, pelo menos com pronto-a-vestir."

Cibertúlia

Cibertúlia: "A evolução de um país

O mesmo casal francês que jantava a meu lado, no sábado no Largo do Carmo, passeava-se hoje pelo El Corte Inglés."

dias felizes

dias felizes: "Todavia, é demasiado cedo para cantarmos vitória. Ninguém sabe o que, neste preciso momento, Whitman poderá estar a tramar."

cocanha

cocanha: "Num país de lustrosos saltitantes, sempre prontos para os salamaleques ao Poder e por arrecadar à custa dele, quem é que não sente necessidade de um bom bobo-da-corte?"

21 de maio de 2006

ESPLANAR

ESPLANAR: "Numa nota mais paroquial, adivinhe-se qual, é bom saber que ainda há finais felizes."

avatares de um desejo

avatares de um desejo: "Numa esquina da cidade do Porto uma rapariga recebe uma sms e detém a marcha. Ao ler o ecrã do telemóvel a transeunte sorri efusiva, cora, quase chorando, e reninicia-se no caminho com a felicidade estampada no bolinar das ancas. Não sei que combinação de palavras produziu tal efeito, em todo o caso aqui ficam os meus parabéns ao autor da sms pela sua capacidade de agir sobre o real. Seriam umas 20:15 h e ela caminhava para os lados do Campo Alegre. Tirei o telemóvel do bolso e tentei fazer algo parecido. Não sei com que sucesso."

o franco atirador

o franco atirador: "Tarefas para quem regressa a casa.
Tirar os sapatos. Esticar os dedos dos pés. Fazer uma limpeza na barra dos links. Mudar o template. Tentar esquecer como ficaram horríveis os posts velhos depois de mudar o template. Pensar se vou continuar a mostrar quadros antigos. Decidir que não. Pensar que vou ter de instalar outra vez o Sitemeter. Pensar que ainda é muito cedo."

trato-me por tu

trato-me por tu: "Ainda um dia havemos de nos encontrar."

18 de maio de 2006

Miss Pearls

Miss Pearls: "Pela Paz na terra e aos homens de boa vontade! Futebol a fechar o telejornal? Não chegou já o jogo? O comando? Tragam-me o comando! Maria Madalena grávida quando Cristo foi crucificado? A minhas gotas! Onde estão as minhas gotas?"

somatos

somatos: "as portas fascinam-me."

Eternuridade

Eternuridade: "Alguma coisa acontece quando as nossas sombras ficam maiores do que nós. Mas na maior parte da vezes é apenas o sol que se levanta ou então se põe."

tristes tópicos

tristes tópicos: "Patriotismo tem limites
Se Scolari se atrever a pedir aos portugueses para, além de pendurarem as bandeiras nacionais em todas as varandas, gaiolas e postigos de Portugal, usarem também o inenarrável chanato verde-e-vermelho que vem com o kit da selecção, aí juro que emigro."

no prato com…

no prato com…: "Mas não se esqueçam: Polvo Frito é do melhor!"

17 de maio de 2006

french kissin'

french kissin': "A manchete falhada
O Jornal de Notícias entrevistou o ministro Manuel Pinho e, matreiro, perguntou:
- Chega estoirado ao fim do dia?
Resposta:
- Nem sequer tenho tempo para pensar se estou cansado.

Infelizmente, o jornal não seguiu os bons exemplos e perdeu a oportunidade para mais uma bela (e fidedigna...) manchete da história do jornalismo português: Manuel Pinho sem tempo para pensar."

Cibertúlia

Cibertúlia: "Esqueçam Marilyn...
por uns momentos (a cantar 'Happy birthday, mr. President'), e ouçam até à exaustão o primeiro tema deste álbum: 'Summertime' na voz de... Scarlett Johansson! Arrepiem-se. (OK, é só um excerto, mas arrepiem-se.)"

O Mundo Perfeito

O Mundo Perfeito: "Mas um anjo, a noite passada, revelou-me, em sonhos, ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que vir eu a entrar, um dia, no reino desses céus."

Crónicas das horas perdidas

Crónicas das horas perdidas: "Estúpida estúpida estúpida, quem te manda baldares-te às aulas das 8 da manhã, monga, idiota, mentecapta?!"

rititi

rititi: "... acrescentem se faz favor que já não nos apetece falar mal de ninguém."

A Pipoca Mais Doce

A Pipoca Mais Doce: "Expliquem-me e sejam convincentes!!"

16 de maio de 2006


Door to nowhere

coisas

coisas: "o problema de portugal - gosto de textos que começam por 'o problema disto; o problema daquilo', como se houvesse só um. falando de portugal é particularmente ridículo, surreal e errado, porque como se sabe portugal é em si mesmo um problema. mas dizia: o problema de portugal é, simplesmente, a falta de prioridades. mesmo num blog, falar de manuel maria carrilho é inaceitável. quer-me parecer que qualquer outro assunto merece mais atenção."

15 de maio de 2006

Descafeinado Cheio

Descafeinado Cheio: "Sao ate bocados da própria vida comum a todos. Mas isso talvez só se entenda na perfeiçao depois de uma certa idade. Ou nunca."

JPCoutinhoCOM - O Sítio

JPCoutinhoCOM - O Sítio: "- Sou um homem de gostos simples. Os meus colegas de ofício, tudo gente letrada e literata, sonham ganhar o Nobel, ser publicados em 15 línguas, assombrar a Academia e a Feira do Livro de Frankfurt. Eu não. E vou contar um segredo aos leitores. Cheguem perto. Mais perto. "

noite americana

noite americana: "Maternidades que fecham, o relatório da OCDE, aquela cena dos selos, os círculos uninominais, etc.
Um momento.
Irène Jacob está, como se sabe, em Lisboa.
Terá dormido bem?
Isso é a única coisa que me preocupa."

As Aranhas: Welcome

As Aranhas: "Não entro no 'tiro ao Carrilho'."

Desesperada Esperança

Desesperada Esperança: "A TVI tortura-me às quintas-feiras."

Complexidade e Contradição

Complexidade e Contradição: "Odeio o Estado."

vício de forma:

vício de forma: "Suspeito que coisas destas acontecem a qualquer pessoa."

14 de maio de 2006

A Causa Foi Modificada

A Causa Foi Modificada: "Acreditem em mim: perde-se muito mais tempo a ler textos pequenos que textos grandes. "

Estado Civil

Estado Civil: "Guichet
- Estado civil?
- Blogspot.com."

A Memória Inventada

A Memória Inventada: "- Do you want to join me for a Butch Cassidy/Sundance Kid excursion to Bolivia?
- Pá, contigo vou até ao fim do mundo. That´s not the point. When? How? For how long?
- Acho que nao fui claro: this would be forever babe, you, me, 4 six-guns and 1/2 of the bolivian army. You can pick, Newman or Redford, I don't mind."

educação sentimental

educação sentimental: "E depois, e depois, e depois. Eis a tua verdade: as únicas noites de cama vazia insuportáveis são as de insónia. Redescobres esse transtorno quando as atravessas, diante do portátil, comendo maçãs e queijo da Ilha Terceira. Para a próxima, abres uma garrafa de vinho."

Diotima

Diotima: "O que eu queria mesmo era avançar um mês no calendário. Nunca Maio - o melhor dos meses - me foi tão difícil."

13 de maio de 2006

coisas

coisas: "nos blogs como na vida, as miudas não nos ligam nenhuma."

Quase em silêncio

Quase em silêncio: "Aproveito para recordar um episódio com Manuel Maria Carrilho passado naquele congresso do PS que o assobiou, no Pavilhão Atlântico. No fim, Carrilho estava a ser entrevistado por uma rádio e, a meio de uma palavra - notem bem, nem é uma frase, é uma palavra - calou-se. Espanto no éter, branca na rádio, explicação jornalística, o que é que tinha acontecido ? Uma televisão ia entrar no ar. Carrilho, demonstrando o respeito que tem pela imagem, calou-se na rádio para se pôr a postos para falar para a TV"
O estranho novo mundo dos lusopodcasts


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Excertos (2m30s) de alguns dos podcasts de língua portuguesa mais populares, de acordo com o TOP10 do Lusocast. Nuno Markl, as divagações de uma adolescente brasileira, música independente, comédia alternativa, Nuno Markl, programas da rádio, um «espaço para atrasados» e Nuno Markl dominam actualmente o mundo dos lusocasts.

lugar comum

lugar comum: "Death pulling the soul out of a dead man

Uma frase, que é o título de uma obra de um artista, Matt Mullican, que já desafiou o abjecto na raia da demência, o desastre interior. Anda por aí. Andamos por aí. Anda-me."

12 de maio de 2006

Existem imagens de coisas que não devemos ver ou imagens de coisas que não queremos ver?

Blasfémias

Blasfémias: "Mais uma palavra estrangeira a contaminar a pureza do francês
Clearstream"

Google Reader

Bomba Inteligente: "Verdades absolutíssimas (no ponto em que se confundem com o lugar comum): isto é tudo muito complicado até ao dia em que tudo, afinal, é muito simples."

Untitled Document

Deusa do Lar: "Sem mais demoras aí vai um exercício puramente religioso. Irónico ? A análise aos princípios veiculados num episódio inteiro de Morangos com Açucar e o veredicto final. "

Monstruosidades do Tempo e da Fortuna

Monstruosidades do Tempo e da Fortuna: "Já escrevi um livro inédito
Para ser escritor a sério falta-me apenas, o meu primeiro falhanço comercial!"

7000 Nomes

7000 Nomes: "Como é que se pode ler um jornal?
Não me refiro a comprar , deitar fora os suplementos sem interesse , desfolhar lendo as letras gordas e no final gastar uns segundos com a programação do AXN , o estado do tempo e a classificação do campeonato nacional . Eu quero saber é, como se pode , dia após dia , mergulhar na pasmaceira informativa, sem novidades, nem esperança. É fácil inventar os títulos dos jornais do próximo ano e acertar na maioria . É sempre a gasolina , o Irão e o Iraque , o treinador do Benfica , as eleições , a fome no Sudão ou em Mozambique, as restrições económicas e o aumento dos impostos ... é sempre o ministro que sai , a ameaça de escândalo sexual que não dá em nada e o arrastar das sessões no caso Casa Pia .
Porque hei-de continuar a comprar jornais, cuja única interacção comigo, se resume aos dedos um pouco sujos no final , quando esses jornais não conseguem manter-me entretido, durante mais de 4 estações de metropolitano?"

Blasfémias

Blasfémias: "O filósofo foi vítima de uma maléfica conspiração, nunca antes vista. O filósofo tem dezenas de queixinhas contra os conspiradores e aponta o dedo aos inimigos: tu, tu e tu. O filósofo acusa, acusa e acusa. Ah, e o filósofo só não apertou a mão ao engenheiro porque não sabia que estava a ser filmado."

11 de maio de 2006

Bibliofilia

i finally got a tattoo
ABRUPTO: "A filatelia finalmente chegou à primeira página."

10 de maio de 2006

Estrela Cansada

Estrela Cansada: "Na imensidade de tempo que temos à nossa frente muito haverá sem gente na Terra. Muito haverá em que apenas as pedras falarão a linguagem do silêncio. Já assim era antes de nós e assim será no futuro. Mas apesar da nossa precariedade fomos capazes de explorar o espaço e de tentar perceber o absurdo de estarmos aqui. É essa a nossa maior herança, mesmo que um dia não exista ninguém a quem a deixar. Mas fica sempre alguma coisa. Nem que seja uma nave perdida na vastidão do espaço."

o boato

o boato: "portugal
Este produto é parte integrante da União Europeia. Não pode ser vendido separadamente."

Blogame mucho

Blogame mucho: "A série do ER que agora dá na 2 (hão-de interrompê-la, como sempre as interromperam, a todas a séries, mas eu depois arranjo os CDs e vejo sozinho o que faltar) mostra-nos a evolução dum hospital público a tentar gerir-se como se fosse privado.

Os tempos do estoicismo ainda se mantêm, mas já se sente ali, em quase todos os que restam, o inevitável medo grande - o grande medo! - de fugir para a frente. Hão-de acabar todos por preferir recuar, por fugir para trás, por tomar Prozac e um calmante ligeiro, por morrer por dentro, para não terem de se fenecer nessa garrotagem de terem chatices com essa excelente geração - de grande utilidade - do controle de qualidade"

...bl-g- -x-st-

...bl-g- -x-st-: "Estas coisas deprimem-me."

portugal dos pequeninos

portugal dos pequeninos: "Não há festa nem festança onde não apareça o exausto Prof. Freitas do Amaral. Até parece mau olhado. "

Albergue dos danados

Albergue dos danados: "Excitação. Cite-se, por inteiro, o José: “o congresso do CDS/PP revela que o príncipio do «dois em um», ou o de «uma lady na mesa, uma louca na cama», não funciona para os partidos políticos. Ou é só «um em um», como no PCP, ou são vinte em um, dez ladies na mesa e dez loucas na cama, como no PSD e no PS”. Lindo, lindo, lindo, tantas ladies e tantas loucas. "

9 de maio de 2006

Million Dollar Kiss

Million Dollar Kiss: "Dando uma olhada nos arquivos, reparei que fiz um ano de blog e quero me parabenizar. Reli alguns textos e, meu Deus, como sou boa. Caí da cadeira de tão boa. Eu deveria cobrar pelo que faço. Se sinta presenteado, leitor, e que presente divino, como sou graciosa e inteligente."

do grupo found faces («Things...that look like faces...but, are not.»)

A Cidade Vaga

A Cidade Vaga: "Nem sempre é evidente o nome do rosto. Encontramos alguém na rua, lemos no sorriso cúmplice os lugares passados, mas uma névoa, uma sombria névoa, traça-nos a língua. A conversa é feita na fronteira do sobressalto, a um passo do medo dos racionalistas: desconhecer o conhecido. Por fim, afastados, sentimos o alívio de quem soube encobrir a fragilidade. Nos minutos seguintes, porém, seremos invadidos pelo remorso estúpido e dilacerante das vítimas."

8 de maio de 2006

Retórica e Persuasão

Retórica e Persuasão: "'Freitas cansado no MNE' (*) é um excelente título. Porquê? Porque é uma frase curta, apelativa e está em conformidade com o conteúdo da entrevista, ao contrário do que referem o entrevistado e o próprio Primeiro Ministro. O desmentido destes últimos, aliás, não passará de uma derradeira tentativa de defender ou preservar ainda interesses igualmente meritórios mas que não coincidem com os da objectividade jornalística."

vidro duplo

vidro duplo: "A meio do exame a ginecologista comentou embevecida:

«O seu colo do útero é lindo.»

(não-autobiográfico)"

BLOGUITICA

BLOGUITICA: "As minhas citações ou recomendações de leitura não significam, necessariamente, que subscreva os pontos de vista que aí são expressos."

Os Leões de Tolstoi

Os Leões de Tolstoi: "Ele era assíduo. Escrevia sempre, muito e bem, textos que encantavam. Fazia como ninguém a crítica da personalidade. Uma vez prometeu tornar a escrever sobre mim - «mãozinha» para o auto-conhecimento, os outros como espelho da nossa imagem."

Blasfémias

Blasfémias: "Lá longe....
Debandada de Díli.

Como se chega a este ponto? Que motivos levam a isto? O que é que se passa?
Mesmo com todos os contactos que os jornalistas portugueses certamente por lá mantêm, não há em nenhum meio de comunicação uma explicação clara para estes eventos."

7 de maio de 2006


Lisbonne

vício de forma

vício de forma: "Tenho a memória cheia de conversas que nunca tivemos."

6 de maio de 2006

«Enquanto tiver cabeça, tempo e possibilidade, vai haver Abrupto»

No terceiro aniversário do Abrupto, recuperamos um recente artigo-fetiche dos nossos arquivos, 5 factos sobre o Abrupto (na verdade, são 20). Existe pouco que se possa dizer acerca do Abrupto que já não tenha sido dito (e citado aqui) nestes últimos três anos, mas vêm à memória estas palavras de JMF, no Terras do Nunca, sobre o funcionamento do Abrupto «como um pólo aglutinador, mesmo daqueles que nunca por lá passaram, mesmo daqueles que fingem que nunca por lá passam». No nosso caso, basta dizer que é o blog que mais visitamos e o que mais vezes citámos neste blog.
Adiando a reflexão, para passar directamente à citação, deixamos algumas frases soltas da intervenção de José Pacheco Pereira, na Livraria Almedina, em Dezembro, num dos únicos encontros de bloggers em que pudemos estar presentes (escusado será referir que a emoção do dia foi ver a Carla Hilário Quevedo em pessoa). Foi uma rara oportunidade para ouvir o autor que diz estar "virado para o mundo exterior" falar sobre o mundo dos blogues e o seu próprio lugar nele.

Os soundbytes da intervenção de JPP, depois do salto.


Não sinto nenhuma obrigação de cumprir qualquer agenda.

O programa do Abrupto tem-se mantido igual desde o início e é aquele no qual eu me reconheceria com 14, 15 anos.

O Abrupto depende de uma agenda que é eminentemente não-política.

O Abrupto tem um arranjo deliberadamente simples e despojado, que desde o primeiro dia só sofreu duas alterações. (...) O estilo traduz uma identidade do autor e também do leitor (que reagiria às mudanças).

Não tem notas sobre estados de alma, porque ninguém tem nada a ver com isso. No máximo, pode se dizer que revela aspectos sobre o autor através do discurso de outras coisas.

É um blog voltado para o exterior e não para o mundo dos blogues, e esta é uma opção deliberada.

Recebo uma média de 140 e-mails por dia.

Não me interessa muito o "discurso interior". É uma auto-referência que não me atrai. O Abrupto é um blog "solitário".

Leio muitos blogues, mas o que está lá fora é mais interessante. Tenho curiosidade pelo mundo, pela Astronomia (que sofre de reducionismo dos jornalistas).

Interessa-me saber qual é a resposta do Abrupto. Não "leio" as audiências.

Sobre o "Pobre País", pensei "estou a pôr isto e estou a ver que é adeus ao emprego". Decidi no mesmo momento colocar.

Tento diminuir a agenda política no Abrupto, porque para isso já tenho outros instrumentos. Não quero que a política seja a linha dominante de um blogue que corresponde mais a um projecto pessoal e muito antigo de vida.

Sou sensível à opinião dos meus leitores.

O Abrupto é um blog de grande coerência, feito das coisas de que eu gosto e que são sempre biográficas. É por isso que criou leitores fiéis.

Tenho mais visitantes dos EUA do que da Europa. Recebo inclusivamente visitas do Teerão, e que não são por engano.

Manter um blogue tem sido uma experiência interessante e fascinante. Enquanto tiver cabeça, tempo e possibilidade, vai haver Abrupto.

Quando comecei [o nome Abrupto] pareceu-me certo, eficaz e isso mais a frase de Sá de Miranda foram coisas que eu já tinha guardadas comigo há muito tempo.

Não tenho qualquer sentido de obrigação em actualizar o blogue. Não tem regras. Apenas esforço-me para que os Early Morning não apareçam à tarde. Apesar disso, há sempre as corruptelas ocasionais.

A agenda dos blogues não se sobrepõe à agenda dos jornais. Os blogues são um instrumento sobretudo para outro tipo de coisas, como os diários.

A leitura temporal dos blogues é o elemento predominante e condicionante da escrita. Empurra o passado para baixo.

A blogosfera tem algumas vantagens em relação aos média. Tem tempo, memória e pode ter especialização.

Os jornais não são blogues e os blogues não são jornais, mas há um terreno comunicacional comum que pode complementar um e outro (a memória, efabulação, etc).

O meu espaço de comentário na SIC era uma aproximação da agenda do Abrupto. (...) Era a sombra do Marcelo, com a diferença que não consigo falar de um livro sem o ler.

Qualquer crítica feita no Abrupto é imediatamente respondida. Há sempre uma resposta. Há aqui um instrtumento de poder, porque uma carta publicada no Abrupto é garantia de acção. É por isso que tenho muita prudência [na selecção dos comentários dos leitores].

Sou um bruto afectivo.

Irrita-me a crítica que sou um autor mediático. É uma sina.

O azedume nos blogues é o azedume da vida mal-vivida.

O que é efectivamente novo é o alargamento do espaço público a novas formas de intersubjectividade, de criação estética e o tipo de relações que essas fórmulas têm com o mundo lá fora.

Ter um blog é uma experiência de liberdade idêntica a um jornal clandestino. Os blogues vieram permitir novos tipos de interacção com coisas muito antigas.

As literacias são a chave da riqueza do futuro e não o acesso às tecnologias.

Não tenho nenhuma intenção de o acabar [o Abrupto].


ABRUPTO

ABRUPTO: "REGRAS PRÓPRIAS"

A Origem das Espécies

A Origem das Espécies: "Envelhecemos muito em três anos, poucos dos resistentes trouxeram ou mantiveram a abertura desses tempos do Verão de 2003. Entretanto houve eleições, Iraque, acertos de contas. O tom mudou necessariamente. Isso é bom e é mau. (...) Todos são menos espontâneos, mas também são mais visíveis."

Os Leões de Tolstoi

Os Leões de Tolstoi: "Vê-se nos olhos que os passageiros - do metro,vá - não têm uma vida feliz. E arrisco até que se trata de um fenómeno assim: não são as agruras da vida que os tornam pessoas tristes, é o transporte público que os possui. Penso ter descoberto a origem da depressão da sociedade.
Se imigrantes e trabalhadores com destino à estação terminal da Linha Gaivota (porquê o nome de ave para um troço subterrâneo?, porquê?) passassem a conduzir Touaregs e séries 7; se os condutores destes brinquedos passassem a frequentar a Linha de Sintra... Eu gostava de ver."

5 de maio de 2006

avatares de um desejo

avatares de um desejo: "The missing link
Um bom título para falar de blogs que nos fazem falta. Imagino que já alguém se deve ter lembrado desta síntese entre as espécies mitológicas da biologia evolutiva e a substanciação html de uma ausência. "

DESEJO CASAR

DESEJO CASAR: "Aeroporto do Luxemburgo - Onde se pede uma cerveja e um croque monsieur e parece haver tempo para tudo, com um velho empregado de avental branco que leva o pedido à mesa, como num bar decadente à espera apenas da falência que nunca chegará. Onde a loja tem muitas coisas profundamente desnecessárias, mas não tem empregado. Onde os taxistas que nos levam até lá são invariavelmente portugueses, mas nem por isso deixa de custar 30 euros. Onde os aviões têm nome de sabonete dos anos 80. Onde se podem ler 50 páginas em paz."

BLOGUITICA

BLOGUITICA: "Evidentemente, agrada-me e interessa-me ter um número elevado de leitores (na escala blogosférica portuguesa...).
Mas o alargamento da audiência (e o tipo de audiência que este blogue possui) trouxe consigo efeitos secundários: o blogue é hoje menos espontâneo, pouco intimista e menos interactivo.
As audiências, inevitavelmente, condicionam a escrita. A visibilidade leva a que o autor se proteja, se torne mais calculista naquilo que escreve. Em suma, as audiências tornam-nos menos «livres». Eu, pelo menos, sinto-me menos livre e mais vigiado."

o boato

o boato: "A grandiloquência é o salto alto do pequeno escriba."

4 de maio de 2006


Uma coincidência do olhar. Não foi a primeira neste blog, mas uma que valeu a pena ilustrar.
Entrevista a Isabel Tilly

A sua primeira citação neste blog data de Agosto de 2003, e é um daqueles (poucos) blogs em que tenho de refrear a vontade de citar ou destacar cada nova entrada. É um blog despojado, intermitente, reservado, complicado e raro. Num registo despretensioso, Isabel Tilly (psicóloga, 35 anos) oferece uma reflexão sincera e desapaixonada sobre as pequenas e grandes coisas do seu dia-a-dia, as tensões da vida na cidade, as exigências do trabalho e a experiência de criar uma família. Os "acontecimentos significativos" do dia-a-dia de Isabel Tilly ganham, de algum modo, um significado mais lato e especial para quem, como eu, acompanha o Monólogo.
Para minha grande satisfação, a Isabel acedeu há alguns meses a uma breve entrevista por escrito sobre a motivação e a
experiência de escrever um blog como o Monólogo. É essa entrevista que temos o prazer e a honra de publicar hoje no Posto de Escuta, depois do habitual salto.



Como é que entrou em contacto com a blogosfera?
Foi através do blog da Rosa Pomar. Aliás, ainda hoje, o blog da Rosa continua a ser o meu predilecto e o primeiro que procuro no dia a dia. Ao início (em meados de 2002) fiquei fascinada com o tipo de registo: a cronologia das entradas, as fotos, os links, a possibilidade de alterar o template, os arquivos, gostei de tudo.

A ideia de escrever um blog surgiu espontaneamente ou foi algo que amadureceu à medida que ia lendo/conhecendo mais blogs?
Foi num impulso. Fui à página do blogger e preenchi os campos, isto em 2002. O “monólogo” surgiu depois (2003) quando já dominava as ferramentas básicas para mexer no template e podia dar-lhe um aspecto que eu achava que tinha mais a ver comigo. O carácter do blog foi sempre o mesmo, isto é, um diário pessoal...

A descrição do Monólogo resume a essência do blog, mas falta saber o porquê. Por que razão (ou razões) decidiu assinalar «os acontecimentos significativos do [seu] dia a dia»?

Pode achar estranho mas foi pela organização. Eu sempre tive diários, cadernos, apontamentos variados sobre coisas que eu achava importantes no dia a dia, só que como sou muito desorganizada tenho tudo disperso e mal organizado. Ora no blog, eu não preciso preocupar-me com isso, fica lá tudo, nos arquivos (e de vez em quando faço uns pdf’s que se me apetecer poderei imprimir). Claro que esta necessidade de organizar tem a ver com a memória, que é uma coisa que está sempre presente, isto de organizar a memória (dos dias).


E porquê num blogue, isto é, em público? Referiu várias vezes que não sabia muito bem a razão para o ter tornado público. Já descobriu a resposta?
Acho que é o fascínio pelo resultado. Gosto genuinamente de abrir o browser e ir ao meu cantinho. As reticências que muitas vezes me coloquei sobre o porquê de ser público ou sobre as impressões que posso causar a quem me visita (já me chamaram exibicionista e outras coisas que detestei) tem mais a ver com a ideia que a exposição de emoções e vivências pessoais (do quotidiano) são uma coisa que inferioriza. Se analisar outros blogs, blogs que se tornaram influentes seja no campo politico ou na análise de assuntos “sérios”, raramente há referências a emoções ou afectividades. Ora, desde o início do blog, que tenho fases em que essa distinção me incomoda. Se um amigo me diz “não te devias expor assim” fico incomodada. Noutras fases, perceber que criei algumas (poucas) cumplicidades (amizades mesmo), dá-me um enorme prazer e esqueço as reticências...


Que influência é que o facto de ser público tem na sua escrita (ao saber que existe uma audiência que permanece invisível)?
O que acontece é que sendo um diário público não é um diário intimo. Há assuntos que, por ser como sou, jamais falarei.
Do meu trabalho, por exemplo, porque há a questão da ética profissional a que me sinto obrigada, também não falo.
Não sei bem como mas, implicitamente, defini para mim o que pode ser visível, um gatekeeping, que tem muito a ver com aquilo que eu considero dizível ou indizível.


Confessional, intimista, pessoal, … Se a cada um destes (ou outros) adjectivos corresponder um grau de exposição, de que maneira classificaria o Monólogo?
Pessoal, às vezes quase confessional, muito dependente do meu estado de espírito, como aconteceu recentemente em que, às tantas, senti necessidade de falar (esqueço-me que é escrever) sobre a morte do meu pai.

Quem são os destinatários do Monólogo? Uma característica distinta do Monólogo é que se refere a outras pessoas indirectamente, sempre por iniciais e por fotografias onde não é visível o rosto. É um mecanismo de salvaguarda, mas também não será que a Isabel elegeu como principais referentes/destinatários do Monólogo as pessoas que a rodeiam, e que saberão melhor que ninguém preencher esses “espaços em branco” (como peças em falta num puzzle)?
Acho que quem preenche os espaços em branco sou eu própria. E aí vem novamente a minha fixação na memória. Muitas entradas (ou posts) são pistas. O que lá está não interessa, são atalhos muito simples que remetem para coisas que são importantes para mim (não vou dar exemplos). As iniciais são quase sempre dos meus filhos ou do meu marido. Cá por casa ligam pouco ao blog, vêem-no como o passatempo da mãe. A minha filha, (tem 10 anos) pede-me (às vezes) para ver o blog porque coloco muitos desenhos ou fotos tiradas por ela.
As pessoas que me visitam, algumas será por cumplicidade, a maioria vem ao engano...por causa do google que aponta tudo o que seja pesquisa em “monologo” para o blog.

No Monólogo, o que é um “acontecimento significativo”?
É aquele que é significativo para mim. Falei de uma reunião de pais numa entrada (ou post) recente, pode não parecer importante, mas se o referi foi porque lhe atribuo importância. Mais significado do que transparece na entrada, como o egocentrismo do professor, ou a sua inabilidade em conduzir a reunião, ou o desespero e acanhamento dos pais cujos filhos têm 5 ou 6 negativas, ou a sensação que é estar sentada no sítio onde a minha filha se senta e a leve memória do tempo em que eu me sentava num sítio parecido, etc, Naquele dia, ir à reunião de pais foi, de facto, um acontecimento marcante.

“A Isabel do Monólogo usa um blogue como uma espécie de MyLifeBits”, disse José Pacheco Pereira, no Abrupto. Concorda com a analogia feita ao MyLifeBits?

Acho que o JPP tem muita curiosidade intelectual acerca do que é este “meio”. Tudo na nossa vida parece ser passível de ser registado digitalmente e interligado formando um grande filme contínuo da vida aberto aos outros, o que é uma perspectiva tão nova como assustadora. Talvez o meu blog tenha parecido a JPP um embrião do que aí vem. E há questão da memória, de que falei algumas vezes no blog e que me parece está na génese do mylifebits.

Como é que encara e reage ao interesse de outros pelo seu monólogo, com surpresa, estranheza, apreensão…?

Como reajo ao interesse dos outros? É difícil responder. Com o tempo conheci pessoas, ou melhor, blogs de pessoas de quem gosto muito e cujo feedback encaro como cumplicidades semelhantes às que os amigos nos dão. É o caso da Fer e da Alê. Outros feedbacks são mais complicados. Por exemplo quando alguém de Seia (onde cresci) me diz que leu o meu blog não consigo deixar de me sentir alguma estranheza. Fico sempre a pensar “mas leu o quê? percepcionou o quê?”. Acho que não me libertei completamente da ideia que a exposição de vivências pessoais inferioriza. E se isso não é um problema com os desconhecidos, com os conhecidos afecta, mas só ligeiramente... Com os desconhecidos incomodam-me enviesamentos grosseiros na leitura. Se um desconhecido comenta que devo ser uma pessoa muito solitária, obviamente não gosto, acho que não tem razão, mas francamente também não me apetece responder-lhe.

E hoje, continua a sentir que manter um blog é um exercício “problemático” de escrita/partilha, ou com o tempo foi criando defesas?
Muito pouco problemático. Se tenho tempo e vontade actualizo, se não tenho, actualizo uns dias depois. Mas criei algumas resistências, como lhe chama, que definiram aquilo que eu acho dizível. Por exemplo, se estou a ouvir uma canção na rádio que me irrita por ser tão básica (nem no meu tempo dos escuteiros havia canções tão simplórias), podia ir ao blog dizer que odeio esta canção e que acho que quem ouve isto é surdo. Não vou. São gostos e francamente falar de gostos não me interessa nada.


“Os blogues não são um canal para a mediatização; são apenas o nosso monólogo interno que o resto do mundo pode ouvir; uma subscrição para o fio da consciência de cada um.” É uma frase recente do autor do blog “Barriga de um arquitecto”. Até que ponto se reconhece nesta frase? Seria esta uma possível forma de “explicar” o atractivo de fazer um blogue?
Incrível essa frase...é de facto isso.



Pedro Neves

3 de maio de 2006

Em Busca da Límpida Medida

Em Busca da Límpida Medida: "Na blogosfera sentimo-nos através de blogs cuja existência é insuspeita e os efeitos inconscientes de nós mesmos. Acompanhamo-los, simplesmente (o que nem quer dizer regularmente) e ele acompanham-nos a nós, ajeitando-se num canto qualquer e aí se cumprindo. É esse lugar, ocupado, que a partida vem pôr a frio. Se primeiro se aninham e depois se alijam, a assimetria térmica faz estalar o nosso sentimento. E, às vezes, a primeira consciência do lugar do blog(ger) no nosso blogos pessoal."

Ruminaçœs Digitais

Ruminaçœs Digitais: "Na palavra expressa esconde-se uma paisagem raramente pensada. No filigrana de cada frase, na estrutura da sua gramática, o reflexo de um real observado em séculos de civilização. E cada vez que as usamos, de cada vez que elas nos socorrem, esses átomos de língua tecem a rede onde todos nos baloiçamos, pairando acima desse mundo medido assim à nossa imagem."

perguntar não ofende

perguntar não ofende: "Qual destas pragas chegará primeiro este Verão: a dos fogos ou a das bandeiras nas janelas?"