17 de maio de 2003

bomba inteligente O estatuto de persona non grata é um rótulo tramado. Mas é assim; ser de Pequim, vir de Pequim, morar em Pequim, ter passado em Pequim, gostar de Pequim, referir Pequim é o mesmo que dizer “bom dia, trago comigo a pneumonia atípica”. Ninguém nos recebe, ninguém nos quer. Dentro de Pequim também há segregações e os bairros menos afectados rejeitam os mais desgraçados. Para não falar do infeliz indíviduo que tussa, espirre ou ande com olheiras... ostracismo e primeiro lugar garantido numa fila de supermercado.

Dá-me vontade de rir quando me perguntam “porque é que não sais daí?” Mas para onde é que hei-de ir? Por acaso os meus queridos amigos em Portugal receber-me-iam de braços abertos no aeroporto? Ou arranjariam desculpas variadas durante os primeiros 15 dias para não me verem?