5 de janeiro de 2005

Last Tapes Não, eu não consigo compreender o Holocausto. Nem com palavras, nem com raciocínios nem com o corpo, apesar de ser o corpo o que mais se aproxima, quer dizer, o único que podia. Às vezes sinto medo, ou estremeço, mas isso não é nada, estou longe, muito longe. Nada sei dessas mortes, nada sei do frio, da perplexidade e do horror. E nunca vou saber, creio. Sim, mesmo que estivesse lá agora, nunca saberia.
Em casa, à noite, tenho lutado com "O Leitor" de Bernhard Schlink. Na minha cabeça misturam-se mil imagens, clichés, claro, que mais podiam ser? Leio, sublinho, relembro os outros livros (e, raios, não consigo esquecer o Austerlitz), os outros filmes. Não há redenção ou descanso.

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