8 de julho de 2005

afixe

afixe: "A imagem que me ficou de ontem foi a serenidade, o controlo, a eficiência daquela gente. Fiquei com uma enorme admiração. No meio de um horror tão grande, o socorro parecia afluir com naturalidade. Claro que sei que se tinham preparado muitas vezes para situações daquele tipo, mas não há nada que valha quando se entra completamente em pânico. E não vi pânico. Vi gente a trabalhar, com funções bem definidas, sabendo o que fazer, para onde ir, como agir com eficiência. Ninguém atrapalhava. Não vi voluntários desajeitados. Não vi ninguém descontrolado.
E, sobretudo, não encontrei sinais da Informação sensacionalista. Essa foi uma das pedras de toque da diferença. Uma ou duas entrevistas pontuais a pessoas que davam o seu testemunho, mas sem gritos, com calma, aceitando o que se passava, narrando o que tinham visto ou sentido com o maior dos auto-domínios.
Fica-me gravada, quase como uma súmula dos testemunhos que se ouviram, o de um homem que, contraditoriamente, em voz calma e baixa dizia que tinha entrado em pânico, e terminava em tom pensativo:”Não foi um bom dia!”"

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