1 de fevereiro de 2006

Quot capita, tot sensus

Com um atraso significativo, publicamos o habitual reader's digest do Posto de Escuta, desta feita sobre as eleições presidenciais. Como nota de rodapé, entre o último dia de campanha (20 de Janeiro) e o rescaldo das eleições (23 de Janeiro) foram publicados nos blogs mais de 1800 artigos com referências às presidenciais. Esta é apenas uma pequena amostra dos artigos publicados na noite de Domingo, dia 22 (depois do salto).


ABRUPTO: "COMEÇOU

como num preâmbulo, um introito, um momento de acalmia antes da tempestade. Já se sabe quase tudo, mas espera-se."


Blasfémias: "Ovídea

Será o nome da primeira-dama se Jerónimo ganhar."


Blasfémias: "Projecção antecipada

Ricardo Costa na SIC: 'Vamos passar à sede do Partido Socialista onde José Sócrates está de muletas, e se calhar vai ficar mais uns tempos'"


Blogue dos Marretas: "MOMENTO PAPARAZZI DA NOITE
A câmara da SIC apontada para o interior da casa de Cavaco Silva."


ABRUPTO: "20:01 (JPP)
QUOD ERAT DEMONSTRANDUM

o latim dá muita força."


Blasfémias: "Rui Olveira e Costa

dá 50.1% a Cavaco.

Isto vai ser decidido por um Estádio do Algarve."


ABRUPTO: "OS 50,1% SERÃO MAIS DUROS

de obter do que parecia nas sondagens. Mas são os necessários."



Causa Nossa: "A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (...). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia."



Blogame mucho: "Nada me move contra Cavaco Silva, excepto como presidente de todos os portugueses - aliás auto-proclamado, agora que já tratou de assassinar a maioria. Que seria mais confortável se, durante a campanha, não tivesse dado que pensar a alguns portugueses, que quase embarcaram neste embuste de ter um presidente que se recolhe ao casulo sempre que se atemoriza e que, na prática, só pratica o monólogo. Seriam se calhar mais, se houvesse mais tempo. Foi, de facto, 'por décimas'."


Blogue dos Marretas: "PERGUNTA DA NOITE
O que vai fazer Manuel Alegre com um milhão de votos?"


Estado Civil: "Um milhão de votos premiaram o pior dos seis candidatos, o mais impreparado e o menos alicerçado num projecto coerente. Alegre avançou por orgulho ferido e pouco mais. Demonstrou uma aflitiva falta de conhecimento de todas as matérias. Nem sequer sabia ao certo como tinha votado certas leis. E fez uma campanha que reuniu o pior da direita (o tradicionalismo bacoco) e o pior da esquerda (a retórica grandiloquente)."


O Insurgente: "Bloco de Esquerda: 3 leituras possíveis dos resultados

1) Louçã vale menos do que o partido.

2) Joana Amaral Dias vale cerca de 1%.

3) O Bloco de Esquerda está em quebra."


A Origem das Espécies: "Uma pequena frase de Alegre, que vai ouvir-se no PS: «Ficou a lição.»"


Blasfémias: "MANOBRA VINGATIVA

Alegre, o segundo vencedor da noite, está a falar e Sócrates 'interrompe-o' e faz a sua alocução ao mesmo tempo. Caninamente, as televisões seguem o primeiro-ministro formalmente derrotado."


Reciclemos: "Um não lê jornais, o outro não vê televisão"



ABNEGADO: "A noite televisiva das presidenciais foi cansativa.
Novo-riquismo a rodos nos cenários da SIC e da RTP, inacreditável número de “convidados” - alguns dos quais não chegaram a fazer qualquer intervenção.
Acompanhando a TVI ficou uma sensação de amadorismo, ouvindo-se com frequência as conversas de bastidores dos repórteres, troca de nomes, desnorte."


Blogame mucho: "Em perfeito contraste, Mário Soares foi iluminado por uma qualquer inspiração redentora. Limpou, diligentemente, a mancha quase desonrosa da campanha iníqua e desastrada. Perdeu e saiu pela porta da frente, sábio, ao tornar invisível a sua derrota pessoal e ao deixá-la inteira e, afinal, merecida, ao perdido Sócrates e ao PS."


Pólis: "A frase da noite
«Só é vencido quem desiste de lutar»…"


A Origem das Espécies: "Os que durante um mês e meio anunciaram a tragédia, o desastre, a catástrofe, o golpe de estado, miséria no lar, sangue na estrada, reviravoltas e tristezas, vão agora tirar o cavalinho da chuva e fazer marcha-atrás, como se não tivesse acontecido nada. Como se esperava. Mas há uma vantagem no nosso tempo -- tudo isso está registado. Não conseguirão esconder que transformaram a campanha eleitoral numa guerra de carácter, pessoal, sem «fair-play democrático» (a expressão é de Soares ao reconhecer a derrota), tentando ganhar pelo medo, pela queixinha ignóbil e pela arrogância."


portugal contemporâneo: "A entrada, de novo, de Cavaco Silva no jogo político retirará ao personagem a dimensão sebastianista com que alguma direita foi alimentando o mito. Com a sua ida para Belém, a direita ficará mais uma vez desprovida da sua única referência mítica, referências sem as quais dificilmente consegue ter vida própria. Cavaco passou, desde ontem, de expectativa a responsável e não irá queimar o seu capital político em jogadas de bastidores. Fará aquilo que lhe compete: acompanhará o governo no melhor e no pior. Os sistemas de governo semipresidencialistas têm destas coisas: são, como os casamentos, supostamente para toda a vida."



portugal dos pequeninos: "A sua eleição tem também um significado pedagógico importante. Cavaco sofreu uma derrota e não desistiu. Esperou metodicamente por esta vitória. É curioso que tenha sido um homem da não esquerda a dar este exemplo de paciência democrática. Por outro lado, pôs-se um termo à falaciosa e fantasiosa ideia de que determinadas funções de Estado têm donos. Não têm. Têm eleitos. Finalmente, houve muita gente, muitos preconceitos e muitas vaidades derrotados nesta breve noite eleitoral. A eles iremos depois. Só uma nota final relativamente 'às décimas'. Numa eleição presidencial, perde-se ou ganha-se absolutamente. Cavaco ganhou absolutamente. Todos os outros cinco perderam absolutamente."