13 de abril de 2006

um voo cego a nada

um voo cego a nada: "Claro que há sempre um crime, mas esse crime não é muito mais do que o pretexto para colocar as personagens numa espécie de labirinto interior. Por isto é que Hitchcock é considerado o mestre do suspense. Normalmente nós os espectadores partilhamos toda a verdade dos protagonistas, somos as suas únicas testemunhas (normalmente abonatórias), percebemos perfeitamente o que se está a passar, sabemos que se conseguíssemos entrar na acção do filme ajudaríamos o protagonista a livrar-se dos problemas. E assistimos, ansiosos e impotentes, ao processo de queda da personagem, vemo-la cada vez mais enredada e solitária, a lutar de forma quase inútil (‘quase’ porque os filmes têm sempre um final feliz) contra toda a lógica do próprio filme. O suspense é essa técnica de dar uma informação, verdadeira, não o enganando, ao espectador, e depois deixá-lo sentado na borda da cadeira à espera que as suas piores suspeitas se confirmem."