Rotativas: "O último trabalho que fiz ontem, antes de abandonar a redacção, foi um directo do Chirac sobre a violência urbana. Entre as muitas afirmações que o estado de desespero político e a velhice provocam, o presidente francês apelou à contenção informativa dos Media estrangeiros. O porta-voz do governo já o tinha dito, em conferência de imprensa de manhã. Ficámos a saber que títulos como 'França a arder', 'Racismo nos arredores das cidades francesas', 'Tudo em chamas', etc, não correspondem à realidade.
Com algumas dúvidas, esta jornalista estrangeira foi para a sua casa burguesa num parque privativo com ténis, garagens e bosque privado, mas com vista para uma Escola e um bairro social na linha do horizonte. Cerca das 21:30 começou o 'filme': as labaredas a elevarem-se na noite, as sirenes dos bombeiros, da polícia e das ambulâncias, o helicóptero com o foco a varrer tudo durante duas horas. Patrulhas sem fim de carros policiais não identificados transportando agentes e cães que se afanavam a vasculhar recantos e a iluminar todas as obscuridades a que o foco do helicóptero não chegava (tadinhos dos esquilos, dizia a Marta depois). À minha porta. "
18 de novembro de 2005
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