Gary Snyder, no seu "A Prática da Natureza Selvagem" (Antígona, 2018):
"Há dois tipos de conhecimento. Um é aquele que nos enraíza e nos situa na nossa verdadeira condição. Sabemos distinguir o norte do sul, o pinheiro do abeto, sabemos em que direcção pode ser encontrada a lua nova, de onde vem a água, para onde vai o lixo, como apertar mãos, como afiar facas, como funcionam as taxas de juro. Em si mesmos, conhecimentos deste género podem engrandecer a vida pública e salvar espécies em perigo. Nós adquirimo-los revivificando a cultura, que é um processo semelhante ao de reabitar: mudar-se para um terreno que foi mal usado e se encontra meio esquecido - e aí replantar árvores, desentubar leitos de rio, partir asfalto. Mas que fazer - dirão alguns - quando já não resta qualquer "cultura"? Resta sempre alguma tal como restam sempre (não importa onde) lugares e línguas. A nossa cultura reside na família e na comunidade, e ilumina-se quando começamos a trabalhar juntos, ou a jogar, a contar histórias, a representar"