"Decomposta em milhões de moléculas primárias essa agua salgada viajará de novo em direcção à sua nascente, acabando por aflorar como doce, sem memória alguma da sua vida anterior, salvo o irresistível impulso de voltar a completar o seu ciclo. Fá-lo agora, nas entranhas de uns cúmulos - cumulus congestus - que me sobrevoam, seguindo esse compasso infalível que lhes é marcado pela esteira do rio. Um rio que honra o seu nome, de fonte indo-europeia - mei -: caminhar, ir. Fluir, mover-se, viver."
Xesús Fraga, em "Rio Minho: Uma Viagem entre Solstícios (Kalandraka, julho de 2025).