27 de agosto de 2026

Lâmina de horizontalidade

"Rebalsado pelo vale, o rio oferece uma lâmina de horizontalidade quase perfeita. Flui silenciosa e lentamente, sem obstáculos que entorpeçam o seu correr. A largura do leito, a amplitude de um horizonte arbóreo uniforme, um rumor quase imperceptivel: tudo convida à contemplação de umas águas onde cintila de forma fugaz, à semelhança de pepitas douradas divisadas abaixo da superficie, a luz amarela do último sol de Novembro. Se batêssemos no rio, como sugeriu o poeta, soaria a «puro ouro».

Xesús Fraga, no primeiro parágrafo do seu livro "Rio Minho: Uma Viagem entre Solstícios (Kalandraka, julho de 2025).