"Cheira a café. Distingo as sombras de dois ou três homens encostados ao balcão a cavaquear. Aproximo-me. Peço uma água fresca. Sou obsequiado com a garrafa e um sorriso generoso.
- É o único estabelecimento do Pereiro..
- Já pensei em fechar o negócio muitas vezes. Só não o fiz porque passo os dias aqui no café -- diz-me de chofre a comerciante.
Cismo um bocado. Há uma frase de Raul Brandão de que não me esqueço. «O que custa a largar na vida não é a esplêndida natureza, as grandes ideias, a luta ou as paixões - O que fazemos todos os dias, é o hábito.» Efectivamente."
in "Um tesouro no Deserto, o Algarve entre montes e memórias", de Rui Araújo