"A tarde declinava já. Os campos abandonados espreguiçavam-se a perder de vista, vagamente polvilhados de ouro, de um ouro palido que esmaecia. O rapaz ia calado, embevecido. A cada canto um fantasma, uma recordaçáo; a cada volta da estrada uma saudade. Osolhos prendiam-se-lhe a tudo, pareciam levar beijos no olhar, como se pousassem devotamente em qualquer coisa de sagrado."
Florbela Espanca, em "O dominó preto" (Book Cover, 2023).