"No final de um dia extenuante, o aguçado e cruel tom do latido do cão é por si mesmo um fastidioso tormento; e para um vagabundo como eu, o cão representa o mundo sedentário e respeitável na sua versão mais hostil. Algo há de clérigo ou de advogado neste curioso animal, e se à criatura não amedrontassem as pedras, nem o mais destemido dos viajantes ousaria andar a pé. Sou dado a um grande respeito pelos cães num ambiente estritamente doméstico; porém, na estrada ou quando durmo ao ar livre, detesto-os e receio-os na mesma e larga medida."
Excerto de "Os Prazeres dos Lugares Inóspitos", de Robert Louis Stevenson (Relógio D'Água, 2017).