"Porquê uma geografia sentimental? Precisamente porque está em vias de desaparecer. E o que desaparece cria em nós um alerta e uma surpresa que dificilmente se podem perceber e racionalizar. Em algumas zonas do nosso país, o comboio era a única ligação possível com o mundo, com os outros habitantes do território nacional.
O que nós temos hoje para ver, ainda, dessa geografia, é resto de uma história e de uma saudade: das viagens para um lugar distante ou do ritmo pausado de uma composição que nos iria mostrando, quilómetro a quilómetro, aquilo que ela criava para sempre como paisagem e como referência paisagística."
Francisco José Viegas, em "COMBOIOS PORTUGUESES: Um Guia Sentimental" (Círculo de Leitores, 1988).